"Com Amor," - Documento 8


Olá Rui,
Dispa-se a alma. Caiam os preconceitos.
Preciso de um amigo, mas tem de ser um amigo que seja um interlocutor capaz. Estás à altura da tarefa? Infelizmente, hoje em dia temos de explicar quase tudo o que dizemos. As pessoas não percebem, são limitadas na sua capacidade de interpretação. Percebes-me?! Vi em ti um homem capaz de mais do que a conversa básica e quase monossilábica que a maioria das pessoas usa. Não me interpretes mal, não estou a ser arrogante. As coisas passam-se assim à minha volta. É só isso.
O que mais amo na vida são os meus filhos, o mar e ler... Os miúdos preenchem-me e realizam-me como ninguém. O mar alimenta-me a alma de força e esperança e a sua imensidão azul ajuda-me a reperspectivar e a relativizar todos os problemas e todas as situações da vida. E ler. Ler é um vício. É uma aprendizagem constante.
Como te disse, acredito no amor. Penso que quando tudo falha, podemos sempre confiar no amor. Tive uma infância e uma juventude reguladas por um pulso paterno muito firme, muito forte e isso, juntamente com o peso do legado cultural, colocou Deus e a Igreja na minha vida. Quando problemas sérios entraram nela, problemas graves, Rui, que tu nem imaginas, não podes imaginar, e que acabaram no meu divórcio, entraram e trouxeram-me solidão, desamparo e desespero ao ponto de querer morrer em cada dia que nascia, Deus não apareceu. A Igreja também não. Valeu-me o Amor dos meus filhos. Valeu-me a minha força. Não sei onde as fui buscar, Rui, não sabia sequer que as tinha. Quando uma mulher é assolada por tamanha violência, quando uma mulher é marcada e abandonada porque "desfez" o lar com um divórcio "só" porque não quis que os filhos continuassem a assistir a ser espancada à sua frente, que fé pode haver? Que crença? E como podes tu dizer que o que eu preciso é de um homem? Os homens, Rui, são a última coisa que quero na minha vida.
E pronto, isto hoje vai longo e a alma já está suficientemente despida.Conta-me de ti.
Verónica.

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