Via Crucis - Décima Segunda Estação









XII - Décima Segunda Estação



Jesus Morre na Cruz







Só agora Te compreendo, Pai.
Fui teu instrumento
De Amor.
E indignei-me
Como se a minha vida
E a minha vontade
Tivessem outro intento
Que não fosse a redenção.

Só agora percebo, Pai,
Porque entregaste teu filho.
Para reunires o rebanho
E o recolocares no trilho,
Para o abençoares de Amor.
Perdoa-me, Pai,
Porque duvidei,
Mas agora sei
Teu propósito e tua intenção.

Amar.
E pelo Amor, a salvação.

Leva para junto de ti
Este arrependido que me fala.
Os seus erros
Ferem-no como lanças.
Roubou e saqueou,
Mas tem nos olhos crianças
Amedrontadas.
E leva estes que me pregaram na cruz
E essas mulheres que choram,
Aqueles que no templo oram
E os que Te falam em pensamento.
Leva aquele velho, ali,
Que guia o jumento,
Ou é guiado por ele,
E leva o jumento também.
Leva-me a mim, Pai
E leva minha mãe.
E essas pessoas na colina,
Os que vão para baixo, indiferentes,
E os que rumam cá acima.
E leva os vendilhões do templo
E leva os pastores,
Leva os que guerreiam
E os que morrem de amores.
Leva os novos
E leva os velhos,
Leva os sãos
E os enfermos.
Não estabeleças termos
Nem condições,
Pai.
Leva-os todos!
Sem qualquer distinção
na cor da pele,
Na religião
E na Fé.
À margem dos seus ideais
E das suas opções,
Quer sejam virtuosos
Ou corrompidos pelo vício,
Este dia marca o início
Da vida imorredoura.

É o dia em que morre o pecado.
O dia da única redenção.
Deixa-me morrer confortado
Pela sua vida,
Pela sua absolvição.

Perdoa-me, Pai,
Porque duvidei.
Só agora sei,
Só agora Te compreendo.
Hoje é o dia da partida.
Morre a morte com teu filho,
Nasce a vida.

Sacrificaste-me.
Permite que não seja em vão!
Não escolhas, Pai,
Mostra a todos o caminho da salvação!
jpv - Via crucis - XII

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