
Li algures que "Tudo é autobiográfico". Os factos aqui descritos são verdade. Quase verdade. Contêm alguma verdade. Bem, afinal para que é que interessa a verdade? Verdade, só existe a de cada um! As pessoas de que aqui se fala existem, de facto. Quer dizer, mais ou menos. Pensando bem, existem para mim. Cada um que decida por si. ---- João Paulo Videira ----
Made in China

Era uma montanha
Com casario serpenteando a colina.
Era o breu da noite
Cortado por uma luz feita na China.
E não havia gente
Que a gente estava dormindo,
E cortava o frio constante
A luminosa estrela cintilante.
E senti naquilo um prenúncio,
Um aviso de um povo distante,
Um luminoso anúncio
De uma combinação intrigante.
Lá longe, onde se não ouve a Sua palavra,
Há um menino que produz
Esta luz psicadélica e brilhante
Que anuncia a chegada de Jesus.
Morte d'Alma
Ninguém percebeu.Ninguém viu.
Ninguém suspeitou.
Qualquer coisa se partiu.
Algo em minh'alma se quebrou.
Foi uma coisa despercebida
Que fez um estrondo só meu.
Foi um lenço branco de despedida
Na mão de uma donzela que morreu.
E o navio já lá vai,
Eu lá com ele,
Eu cá comigo.
E pergunto a meu defunto pai
Qual é da vida o maior perigo.
E responde-me com palavras doces e suaves:
"Filho, arrepende-te do que fizeres,
Não queiras arrepender-te do que não fazes.
Procura no peito o que quiseres
E segue-o com gestos ousados e audazes."
Morreu algo em minh'alma
E, no meio da turba, sinto chegar a calma.
Alvorada
Vós, na cama deitados,Não tendes como saber
Que anda no céu uma nota de alegria.
Junto às sete e trinta,
A luz faz uma finta
Ao breu
E já se vê o dia.
Anda o Sol às voltas
Com as voltas da Terra
E banha-a de mansinho,
E meu visual sentido não erra
Porque se corta a noite devagarinho.
E espraia-se a alvorada,
E isto é tudo
mesmo parecendo nada.
Há luz e vida
Nesta revolta.
Há um anunciar
De Liberdade.
Há almas vivas à solta.
E neste sentido
Que me conduz
Minh'alma nasce para a vida
Para a esperança e para a luz.
O Clã do Comboio - Julieta, porque é que não fazemos amor?

FELIZ NATAL E PRÓSPERO ANO NOVO

Histórias do Autocarro 28 - Ai, desculpe, desculpe, desculpe...

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O Clã do Comboio - A Face do Sono

O Clã do Comboio - O Casal que Fez Amor no Interregional das 7:18

O Clã do Comboio - Morning Breakfast

O Clã do Comboio – O Ceguinho

A Ligeirinha
A ligeirinhaVagueia pela casa,
Saltita pela cozinha,
Esvoaça borboleteante
Pelo seu quarto de princesinha.
A ligeirinha
Dá beijinhos de borboletinha
E, por mais que se lhe peça,
Não sabe ficar quietinha.
Tem muitas coisas para preparar,
O mundo inteiro para viver.
O seu coração gosta de amar
Cada coisa que precisa de fazer.
E, lá vai vivendo,
Suave e leve,
Por entre as coisas que tem e teve.
E desliza no mundo agreste
Com sua pose elegante e campestre.
Gastronomia

Not Sex
Quando eu te preencho e tu me ganhasLady Von Trapp
Estas são algumas das minhas coisas favoritas.De Negro Vestida - LII

Sete Pecados

O Clã do Comboio - Trim, triiim, triiiiiiiiiim...

O Clã do Comboio - A Mulher Vampiro Ataca de Novo
A Mulher Vampiro Ataca de Novo.O Clã do Comboio - Curta e Grossa
Esclarecimento
Uma avaria no meu portátil, impediu que mantivesse o ritmo de publicações nos últimos dois dias. Mas fiquem descansados. Há muitas histórias do "Clã do Comboio" e já há mais 20 capítulos de "De Negro Vestida".
Continuarão as citações, tão apreciadas que estão a ser e, claro, uma musiquinha para distrair...
Abraço Grande,
Citação
Histórias do Autocarro 28 - Elegância Enlatada
Sabem aquelas imagens onde está tudo certinho mas há qualquer coisa de errado e não sabemos bem o que é? Pois bem, vinha-me acontecendo um fenómeno semelhante no autocarro 28. Em meio de toda aquela normalidade laboral de pessoas vestidas para o trabalho com as faces da manhã que começa e do ponto que espera ser picado, no meio de todo este cinzento comum na vida da grande urbe, havia uma nota de cor.Histórias do Autocarro 28 - Pois Parece!
Pois parece!Ítaca ao Longe
Nasce desta distânciaUm desejo
E uma ânsia
De querer-te e ter-te só para mim.
E cada dia que passa
Parece que é o fim,
Que é a desgraça.
E não é nada.
É só a insuportável dor
De não poder saciar este amor
No teu ventre,
No teu olhar de água...
-
Não teças mais, Penélope de mim.
Abandona teus instrumentos e tuas linhas
E vem saciar de amor eterno este Ulisses de ti!
O Clã do Comboio - O Casal Desigual
Ele é velho. Ela é nova. Ele é alto. Ela é baixa. Ele é grisalho. Ela tem o cabelo escuro. Ele tem pouco cabelo. Ela tem muito. Ele é mais para o magro. Ela é mais para o cheiinho. Ele é reservado. Ela é conversadeira. Ele tem o olhar cansado. Ela tem o olhar vivo. Ele dorme sempre. Ela nunca dorme.Diz-me como falas...
Há povos com pendor para a síntese. E há povos com pendor para a análise. Da mesma forma, há povos palavrosos e há povos mais reservados. E estas tendências cristalizam-se nas grandes obras e cometimentos, mas, sobretudo, nas pequenas coisas, nos pequenos gestos do quotidiano.-
Há uns tempos estive em Londres e a frase mais frequente no Metro londrino é "Mind the Gap". Com três palavrinhas apenas, a empresa do Metro de Londres diz, de forma sintética e incisiva, aos seus utilizadores, para terem cuidado com o desnível entre a máquina e a plataforma ao entrar e sair do Metro. Este anúncio é muito repetido porque há, efectivamente, muitos acidentes por ano com pessoas que tropeçam e caem.
Não há povos nem culturas melhores. Todos são diferentes e preciosos e, hoje, enquanto andava no Metro de Lisboa, ouvi a versão portuguesa daquele aviso e não consegui conter a escrita. Tal é a diferença. De tal forma me deixou a pensar. Enquanto as pessoas entram e saem, uma simpática voz feminina menos incisiva que a congénere inglesa, mas bem mais elaborada sintacticamente avisa os incautos: "Senhores passageiros, atenção ao desnível entre o cais e o comboio!". Com onze palavrinhas apenas...O Clã do Comboio - A Tia da Beatriz

------- Muito Obrigada!
------- Não tem de quê. Não é por si que estamos em crise. Aproveita a linha mesmo até ao fim...
------- Não é por isso. Tento cortá-la o menor número de vezes porque os remates dão muito trabalho.
E isto bastou para que nem eu ouvisse mais música, nem escrevesse mais uma linha, nem ela desse mais um ponto. Fomos conversando o caminho todo. Percebi que Beatriz era a sobrinha e percebi que a Tia da Beatriz bordava com gosto e dedicação e fazia-o porque a mãe lhe ensinara. E disse-o com naturalidade e assumiu isso na sua juventude. O seu código de estar não implicava que se identificasse com os outros jovens fazendo o que eles fazem. Podia ser só a Tia da Beatriz que borda com carinho para a sobrinha porque a mãe lhe ensinou e isso a faz feliz. E quando lhe disse que escreveria sobre ela mas não queria saber o seu nome porque para mim bastava que fosse a Tia da Beatriz, ela não reclamou nenhuma espécie de protagonismo e voltou a surpreender-me com a sua naturalidade:
------- Eu reparei que não quis perguntar e por isso não lho disse.
Eu sei que a Beatriz vai ter um saquinho da escola todo bonito com o nome bordado mas sei algo mais importante. A famíla da Tia da Beatriz deve estar orgulhosa dela porque não só assume a herança de simplicidade e dedicação que lhe deixaram, como já a está transmitindo à sobrinha. Não sei se virá aqui um dia ler o que escrevi sobre ela, mas se vier, o melhor que posso dizer da Tia da Beatriz é que todas as sobrinhas deviam ter uma tia assim.
Histórias do Autocarro 28 - A Mulher que dizia Palavrões
Não era preciso dirigir-lhe a palavra. Bastava olhar para ela ou, simplesmente, sorrir. Qualquer coisa constitui para si uma provocação como se todo o universo se tivesse reunido para conspirar contra si. A razão por que conto a sua história, narrativa breve e simples, tem a ver com um pormenor de linguagem. Ou melhor, dois. O primeiro é que tem o hábito de dizer que não vai dizer palavrões:Sim
Informação com Agradecimento
Conjugação
Metade da Metade
Cobre-me a faceCom o teu olhar,
Inunda-me o corpo
Com o teu toque.
Preenche-me de sensações
Sendo tu.
Sê minha música
Nas palavras que trocamos
E minha Bíblia
Naquelas que escrevemos.
Sê a metade
Da metade incompleta de ti,
Traz-me a minha vida
Com a tua.
Ilumina com teu sol
Minha lua.
E sê meu tempo,
Minha noite
E meu dia,
Meu sono,
Minha alegria.
E percebe que vives em mim.
-
Cessarei quando cessares.
Amarei enquanto amares.










