Decreto-Lei

Lá longe,
Onde os homens se escondem
Do que são
No labirinto das palavras,
Dizes-me que amar tem regras.

E é esse dizer que me entristece.
A mim basta-me o azul
Que te basta a ti.
A mim sobra-me o amor, a paixão e o desejo
Como se fosse hoje.
E disto sei pouco
Mas sei que não carece de despacho,
Nem decreto-lei.
É o terreno de amar
E isso é só o que sei!

OGE 2011

E pode-se continuar a pensar ou também vai pagar imposto?

Quase


Quase tudo.
Quase tu.
Quase a um passo,
E a passada por dar.
Quase uma rajada
Violenta e
Quase negada
A visão.

Quase a sintonia,
Quase a perdição.
Quase o poder
De ter
Quase o mundo na mão.

Quase as palavras certas,
Quase a ruptura pelo verbo,
Quase na noite desperta
O morrer da intenção.

E agora, quase homem, quase morto,
Habito só e abandonado
A penumbra deste corpo.

Quase força, quase energia,
Seria quase coragem,
Não fosse cobardia!

The fall of an angel

Tudo
Se desprende.
Todas as ideias morrem.
Todas as esperanças fenecem.
Todos os gestos acontecem.
E tu.
Também.

Ainda me lembro dos teus beijos
Quando mos querias dar.
Ainda ouço as palavras que usavas
E não eram para me matar.
Ainda me lembro do teu olhar
Quando acreditava em mim.
Tudo
Se desprende.

Mas há dúvidas?

Como diz o anúncio... "Depois do mal estar feito..."
Cada um que encontre o seu! Eu ando à procura do meu!!!
O pior é se é preciso Guronsan para o Guronsan!

Simpáticos

Os números das visitas a "Mails para a minha Irmã". Em cerca de ano e meio, fomos visitados por mais de 8500 pessoas que fizeram 21111 leituras. Outro pormenor interessante é o facto de as pessoas demorarem, em média, 7 minutos no blogue. Ou seja, podemos não ser muitos, mas os que cá vêm, vêm por interesse e demoram-se! Normalmente os visitantes deste blogue lêem diversas páginas. Se repararem na imagem, hoje ainda só cá estiveram 10 pessoas mas já foram lidas 71 páginas!!

Resta-me agradecer a todos os visitantes e leitores e prometer que o próximo capítulo de "De Negro Vestida" vem brevezinho.

João Paulo Videira

Em cima da hora - almoço de família

A Ana e o Gabriel organizaram para nós e, diga-se, ofereceram um excelente almoço em família. Para além de uma extraordinária refeição, muito bem comida e bebida, tivemos a oportunidade de invocar os nossos avós.

As nossas mães, irmãos, e as gerações mais novas representadas pelo Iago e pelo Luís Miguel estiveram neste domingo feito celebração da família.

Tirando o facto de alguns meninos não se terem conservado sóbrios até ao fim, tudo correu 5 estrelas.

Acho, por vezes, que aquilo que define uma família não é tanto o que cada um de nós consegue ser individualmente mas antes os momentos que conseguimos construir juntos. E, hoje, estivemos juntos e estivemos vivendo a família que somos.

Acho que viver é isso mesmo, coleccionar momentos e vivências.

Aqui ficam alguns testemunhos do dia:






De Negro Vestida - XL


De Negro Vestida – IV
------Para Maria de Lurdes, os viúvos apresentavam a inegável vantagem de já terem vivido uma relação sem que o seu fim tivesse sido o fracasso e a ruptura dos divorciados e sem que deles pudesse falar-se de inexperiência como em relação aos solteiros. O problema emergente dos viúvos poderia ser a idade. Um viúvo para ser viúvo, teria de ter sobrevivido à morte da esposa. Ora, a menos que o falecimento resultasse de acidente ou doença inesperada, a morte que os separaria teria surgido em idade avançada. 

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O Romance "De Negro Vestida" foi publicado, capítulo a capítulo, neste blogue, entre 26 de janeiro de 2010 e 22 de abril de 2011.

Agora que conhecerá outros voos, nomeadamente, a publicação em livro, deixamos aqui um excerto de cada capítulo e convidamos todos os amigos e leitores a adquirirem o livro.

Obrigado pela vossa dedicação.

Setembro de 2013

João Paulo Videira

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De Negro Vestida - XXXIX


De Negro Vestida – III
Maria da Graça Martins, Gracinha entre as poucas amigas que lhe foi permitido ter em tardes de chá e biscoitos sortidos saídos de caixas de lata redondas para pires de porcelana, está no hospital e desta vida que lhe coube viver restam-lhe poucos dias. Ela sabe-o. Mas não se assusta. Bem pelo contrário. Sente uma pontinha de esperança e um resquício longínquo de satisfação. A esperança vem-lhe de saber que, seja a morte o que for, para si será sempre uma terceira oportunidade de viver já que as duas que teve antes esvaíram-se no despotismo do pai e na absurda austeridade do marido. A satisfação surge-lhe de saber que o homem que lhe anulou a existência tendo-lhe prometido a liberdade ver-se-á entregue a si próprio. Só a si. Um homem que ela não tem como culpar, de quem não tem como se queixar porquanto exibiu sempre uma correcção extrema, uma educação máxima e um desvelo ímpar na forma como a tratava em público mais ao filho que tiveram. Nem nunca foi violento, chamando violência à agressão física e verbal. Limitou-se a secar-lhe a vida, a cortar-lhe todos os caminhos de contacto com outras pessoas, todas as vias de autonomia e independência. E foi por isso que quando os médicos lhe disseram por palavras complicadas aquilo que Maria da Graça entendeu como uma doença má nos ossos, foi por isso que quando lhe disseram em tom sussurrado de palavras imperceptíveis no seu universo vocabular que duraria pouco e pouco sofreria, que ela sentiu um alívio e uma libertação cujo único senão era deixar para trás um filho, contudo já criado, do mal o menos.
António da Purificação Martins é filho do pós-guerra, da ditadura salazarista, da opressão, do medo, de famílias ribatejanas de agricultores e viveu a sua infância e a sua juventude entre a fome e o medo de que Isto pode piorar a qualquer momento. Habituou-se a poupar os sapatos andando descalço, a roupa andando sempre com a mesma, os fósforos usando os paus queimados nos bicos acesos para acender outros bicos, a graxa usando a escova para três passagens depois de mergulhada na lata da pomada e rapando todos os bocadinhos que ficavam na tampa, a comida comendo o essencial, usando em várias refeições o mesmo cozinhado, partilhando um copo de vinho, um pão, uma sardinha, uma cama. E quando um tio paterno reconheceu no rapaz qualidades extremas para estudar chegando mesmo a considerar um desperdício trazê-lo nos campos e oferecendo-se para ajudar a custear o curso comercial no liceu da capital de distrito, António Martins agarrou a oportunidade com mãos ambas e pôs em todos os dias da sua vida o propósito de merecer aquela bênção e aquela sorte não desperdiçando nada do que o destino lhe trouxesse. Em 1969, com vinte anos, fora para a capital trabalhar como guarda-livros de uma grande e sólida empresa para que conseguira lugar por ter o curso e por ter sido dada uma palavrinha à pessoa certa, no lugar certo e em tempo oportuno. O autor do favor, Joaquim Gomes, amigo de seu pai, não lhe pedira nada em troca, nem lhe cobrara o favor porque os favores têm muito mais força e poder quando por cobrar. Ainda assim, avançou uma graçola que deixou António a matutar:
- Deixa lá, rapaz, um dia, quando estiveres bem na vida e pensares numa rapariga para casar, vem-me buscar a minha Maria da Graça que é boa rapariga, sempre pronta a ajudar, poupada, e ainda está como Deus a trouxe à Terra, se é que me entendes.
Entendeu. E um dia foi quatro depois, em 1973. António não fazia férias, aproveitava o mês sem trabalho para pequenos trabalhos de contabilidade. Amealhava mais algum e não fazia despesa com as viagens. Habituou-se a ir a casa no Natal e na Páscoa. Para a consoada e para beijar o Cristo que o senhor prior levava pela aldeia numa cruz com um saquinho de pano para as oferendas. Quando a luz do dia fenecia, ia deitar-se para não consumir energia eléctrica. Apagava sempre as luzes quando mudava de divisão, usava o gás o menos possível comendo os alimentos pouco mais que crus e conseguia lavar-se a fazer abarba na mesma água. E assim foi poupando até que um dia escreveu ao compadre Joaquim Gomes pedindo-lhe a mão da filha e autorização para corresponder-se com ela a qual foi concedida em nota breve e elucidativa.
“Caro António,
Está concedida mão e a permissão para corresponder-se com Maria da Graça e seja rápido que a rapariga entedia-se de aqui estar e eu agradeço menos uma boca à mesa da refeição.”
Na parca correspondência que trocou com Maria da Graça, António disse-lhe que tinha pouco de seu mas o suficiente para viverem confortáveis. Casa alugada, de três assoalhadas, com mobília posta por ele e o rendimento suficiente para não passarem fome. E falou-lhe das luzes da grande cidade e das pessoas todas que nela havia e dos sons e dos cinemas e dos carros de praça às dúzias rua acima, rua abaixo. Falou-lhe de tudo o que nunca, ou quase nunca, a deixaria conhecer. Nunca se referiu a amor nem sentimentos mas a ela bastara-lhe ler sobre as luzes e os carros de praça e os cinemas para se deixar cativar. Casaram em Junho.
Em 24 de Abril de 1974, quando as ruas da capital fervilhavam de emoção e liberdade, quando o mundo se abria aos pés de uma geração, António da Purificação Martins, de vinte e cinco anos, passaria de guarda-livros a escriturário e esse seria o único efeito da revolução na sua existência. Nessa tarde que alterou as vidas e as rotinas de quase todos os portugueses, António fora pai há oito dias, a mulher estava ainda na maternidade recuperando de um parto difícil que quase a vitimara e ele colocou debaixo do braço uma pasta preta com documentos para entregar a um cliente, passou indiferente pelas gentes e pelos cravos, passou à porta da maternidade no mesmo passo sereno e firme, não quis saber do que acontecia cá fora nem lá dentro, rangeu entre dentes uma frase que deve ter sido Vão mas é trabalhar, entregou a pasta, fez o percurso inverso, sentou-se à secretária, concluiu dois processos que tinha entre mãos e no fim do dia, quando a mulher o recebeu com um brilhozinho nos olhos, à hora da visita nocturna, ele limitou-se a dizer:
- Vocês estão bem, não é assim? Eu vou andando comer uma sopa que não tarda nada faz-se noite e não quero luzes acesas. Ele gasta-se depressa mas custa muito a ganhar.
Gracinha, jovem mãe, pediu como recompensa única de o ter carregado no ventre, de o ter parido e de ter pela frente a tarefa de cuidar dele até que de cuidados deixasse de precisar, que pudesse escolher o nome da criança. E escolheu Gabriel como estava escrito num santinho de papel que o senhor prior lhe oferecera certa Páscoa.
Com medo de que lhes faltasse o pão, o tecto ou qualquer outro bem de primeira necessidade, António Martins anunciou, assim que se casou, que não gozariam férias pois os tempos não estavam para gozos. E foi preciso que o pequeno Gabriel terminasse o leite da mama, e começasse a andar, e começasse a falar, Mamã, primeiro, Dá-dá, depois, Não, depois, e muitas outras aventuradas palavras depois dissesse também Papá, e deixasse as fraldas de pano, e foi preciso que o pequeno Gabriel chegasse à idade de ir para a escola e tivesse Maria da Graça implorado que o menino fosse visto por um pediatra que era esse o costume antes de irem para a escola e a senhora professora que aceitara a matrícula assim tinha aconselhado, para que, ao ouvir invocar a autoridade da professora, António Martins tivesse falado com uns colegas, auscultado e comparado preços, e decidido finalmente levar o miúdo ao médico. Se contrariado o decidiu, mais contrariado de lá veio pois ao terminar uma consulta que quase tinha corrido na perfeição, o médico anunciara:
- E não fazia mal a este menino apanhar uns ares de praia.
- Não fazia mal, ou fazia bem?
- Ora homem, não fazia mal e fazia bem são uma e a mesma coisa. Leve esta criança a apanhar ar, a correr, a esmurrar os joelhos, a brincar na areia e a tomar uns banhos de mar. E no Inverno havia de praticar natação. O que esta criança precisa, é de mexer-se e apanhar ar da rua.
À piscina, Gabriel nunca foi, como nunca viu televisão em casa do pai porque aí nunca a houve, mas todos os anos migraram religiosamente nos primeiros quinze de Agosto para Oeiras, a banhos. Foi por essa altura e por essa razão que António Martins comprou um carro. Era um Vauxhall Viva azul clarinho que tinha sido de um professor primário, como são todos os carros usados, e estava, por isso, em muito bom estado. Foi assim que lhe venderam o negócio e assim foi que o comprou depois de muito regatear. Trinta anos mais tarde, é esse o carro que António Martins tem na garagem, em estado impecável. E conta por quilómetros percorridos as viagens anuais a Oeiras, o Natal e a Páscoa à terra. Tudo o mais continuou a ser feito a pé ou nos transportes públicos por sair mais em conta. A compra do carro, inicialmente vista como um progresso e uma esperança por Maria da Graça, depressa se revelou noutro doloroso pesadelo pois António anunciou medidas de maior restrição em casa para compensar o grande gasto.
A princípio, Maria da Graça julgou tratar-se do peso da responsabilidade de prover ao sustento do recém-casal logo seguido de um filho, mas rápido se apercebeu de que vivia no seu marido um medo constante, uma obsessão de prudência e poupança que o projectaram numa vertigem de controlo que atingira o seu auge no dia em que, ao deslocar-se às compras com a mulher como sempre fazia para controlar os gastos, António Martins disse, seco e ignorante, quando ela agarrou num pacote de pensos higiénicos:
- E isso tem mesmo de ser?
Maria da Graça corou de vergonha, não cedeu e colocou o pacote em cima do balcão do minimercado onde se aviavam habitualmente e pelo caminho rebentou num pranto de lágrimas mudas que só se fizeram ouvir em casa. António não lhe disse nada e nada foi o que ela lhe respondeu. Mas escreveu. Não a seu pai que de nada adiantaria pois que a massa e o tempero do carácter eram os mesmos, mas à única mulher que pensou pudesse compreendê-la e ter o poder de interceder por si. A sogra. Nunca recebeu resposta nem nunca ouviu um comentário que a aprovasse ou desaprovasse no queixume sentido. Soube só que houvera uma conversa de mãe e filho abafada e secreta que qualquer um deles negaria ter existido e soube também que daí em diante o marido passou a dar-lhe uma verba mensal para a administração da despensa da casa. Prestaria contas dos gastos, bem entendido, mas alargava-se o âmbito da sua acção e evitavam-se humilhações desnecessárias. Ainda assim, tudo tem o seu preço e António passou a exercitar o hábito de controlar a quantidade de comida que Maria da Graça punha na mesa perscrutando e apontando, implacável, todas as falhas. Faltas não podia haver e sobras eram o pecado supremo:
- Sempre que sobrar, come-se na refeição seguinte. Desperdiçar é um gasto desnecessário e um pecado.
E passou o tempo do seu tempo em conjunto a denunciar excessos ou gastos que, no seu entender, eram desnecessários. Foi assim com os iogurtes, foi assim com o chocolate para pôr no leite, com os primeiros pacotinhos de leite achocolatado que entraram lá em casa, com as roupas que se compravam para a juventude de Gabriel antes que estivessem inutilizadas as que tinha. E, anos mais tarde, quando o filho decidiu candidatar-se ao curso de Ciências da Comunicação, o pai disse-lhe que o expulsava de casa se fosse tirar um curso para inúteis e desempregados. Gabriel saiu à rua, arranjou trabalho, foi partilhar um quarto com um amigo, tirou o curso como trabalhador-estudante e é hoje um colunista de um reputado jornal nacional, casou, tem duas meninas e quer viver com elas tudo o que o pai não viveu consigo. Mantém com ele uma relação de respeitoso distanciamento mas nunca mais aceitou nada que viesse da sua mão.
A Maria da Graça nunca custaram tanto as privações como o facto de saber que eram desnecessárias. Nunca duvidou que algures no seu íntimo António gostasse de si. Ainda se lembra das cartas que ele lhe escrevera antes de casarem e até há bem pouco tempo relia-as para tentar encontrar no homem com que vivia o homem que a tinha convidado para a vida. Mas ele nascera um espírito inseguro e austero. E crescera assim. E quanto mais razões tinha para mudar, mais se acentuavam esses traços do seu carácter.
Hoje, deitada numa cama de hospital à espera da morte, Gracinha não sabe porque não viveu. Sabe só que se não chama vida ao tempo que por si passou. E sabe que a mudança que se aproxima só poderá ser desta para melhor.
Hoje é quarta-feira, António Martins recebeu um telefonema na empresa. Era o filho. A conversa foi séria e breve. António saiu à rua com o medo estampado no olhar, comprou umas flores e correu para a visita da tarde na ânsia de viver tudo o que tinha deixado suspenso pela vida fora. Chegou tarde.
- Tentámos ligar-lhe, senhor Martins, mas o senhor não deixou número de telemóvel, nem mesmo de casa.
- Não podia. Não tenho, nunca tive essas coisas. Passa-se alguma coisa?
Passava. Maria da Graça morrera recostada com a mesma expressão de tranquilidade sofrida que sempre a acompanhara. Está na morgue embrulhada num lençol e enfiada numa gaveta e António nada pode senão viver um tardio e profundo remorso. São estranhos, os homens, não dão em vida o que querem retribuir na morte. António da Purificação Martins tratará do funeral, mandará rezar uma missa de sétimo dia e daí em diante, faça sol ou chuva, calor ou frio, seja Inverno ou Verão, este homem rumará ao cemitério com o mesmo ramo de flores todos os sábados de manhã, oferecê-lo-á a sua mulher e conversará com ela as conversas todas que não quis ter em vida.
Quando Gabriel entrou no hospital e o abraçou e lhe disse, Pai, quer que trate das coisas? Ele respondeu com a firmeza de quem tem uma missão a cumprir, Não filho, eu trato de tudo. Ao menos isto, ao menos agora. Foi a casa buscar os documentos que calculava necessários ao processo, passou pelo trabalho onde comunicou o sucedido e solicitou a dispensa por nojo, abriu a lista telefónica que sempre tinha na sua secretária, procurou as funerárias da zona e dirigiu-se para a que lhe pareceu mais perto.
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De Negro Vestida - XXXVIII

De Negro Vestida – II
------Duas preocupações trazem o espírito de Maria de Lurdes num autêntico frenesim. Que tipo de homem procurar e onde encontrá-lo. Quando elencou mentalmente as características do seu tipo ideal, percebeu de imediato que teria de fazer cedências. O criador nunca se dera ao trabalho, pelo menos que ela soubesse, de produzir semelhante criatura. Meigo, gentil, inteligente, sensível, com sentido de humor, excelente conversador mas não monopolizador do diálogo, ouvinte atento, trabalhador, honesto, fiel, verdadeiro, arrumado e asseado, doce na linguagem e espirituoso sem chegar ao boçal, com bom gosto, financeiramente desafogado, culto e solteiro. E foi quando pensou em solteiro que o seu cérebro parou. 

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O Romance "De Negro Vestida" foi publicado, capítulo a capítulo, neste blogue, entre 26 de janeiro de 2010 e 22 de abril de 2011.

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Obrigado pela vossa dedicação.

Setembro de 2013

João Paulo Videira

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De Negro Vestida - XXXVII


De Negro Vestida – I
------Quando pensamos acerca de que morte escolheríamos, se o pudéssemos fazer, normalmente optamos pelo menos mau e nunca pelo bom. E a razão é simples, não associamos a morte ao bom. Vai daí escolhemos soluções sem dor nem sofrimento e raramente nos lembramos de encomendar ao criador uma morte como a que teve Manuel Matos Vasques que morreu a fazer amor. Bem, se quisermos ser precisos, talvez não tenha sido a fazer amor, pois não consta que a prostituta que se levantou do seu leito de morte sem dar pelo sucedido tivesse experienciado outro sentimento que não a impaciência para que acabasse ele o que estava fazendo e havia pago previamente. E acabou. Acabou o que fazia e acabou ele.

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Setembro de 2013

João Paulo Videira

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De Negro Vestida - XXXVI


Despertar – X
------Maria de Lurdes encontrara uma pessoa-despertador! Não são tão comuns quanto essenciais. Pode ser alguém que nunca conhecemos, pode ser alguém que já conhecíamos mas aquém não dedicáramos ainda atenção ou tempo. Estas pessoas salvam-nos da morte em vida. Acordam-nos e mostram-nos que há mundo para além do mundo, consciência para além da consciência, moral para além da moral, amor para além do amor, alma para além da alma. São pessoas que nos despertam as convicções adormecidas, que nos lembram caminhos esquecidos, que nos mostram pormenores da paisagem múltipla, que nos amam, que nos odeiam, que nos querem ou a quem queremos, são sempre pessoas a que não somos indiferentes. 

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Setembro de 2013

João Paulo Videira

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De Negro Vestida - XXXV


Despertar – IX
------A noite vai longa. A madrugada anuncia-se. Estamos à porta do prédio onde mora Maria de Lurdes. Do outro lado da rua pára um carro e as luzes dos travões projectam em volta um clarão encarnado. Abre-se uma porta. Sai do carro uma mulher com entusiasmo no olhar. Está feliz. Atravessa a estrada, passa por nós sem nos dizer nada porque não quisemos ser vistos. Sobe a escada e enquanto o faz remexe a mala de onde emergem as chaves. Abre a porta e reza para que nenhum dos filhos esteja a pé. Não estava. Dirige-se ao quarto, vai direita à cómoda. Baixa-se e abre a gaveta do fundo. Por baixo de uns lençóis estampados está uma caixinha de jóias com alguns pequenos objectos que aí foi guardando por serem especiais. Tem entre as mãos um cartão de visita com o canto superior direito dobrado. Guarda-o com carinho na caixinha e, pelo sorriso que tem a iluminar-lhe a face, sabemos que guardará em si a memória de quem lho deu. 

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João Paulo Videira

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De Negro Vestida - XXXIV


Despertar – VIII
------Veremos em breve em que palavras, em que emoções e em que gestos vai desembocar esta noite. Se tiver de ser em corpos entregues às conversas da sedução, dos suores gemidos e afagados pela doçura dos gestos, então será. Serão a noite a as pessoas nela a ditá-lo que nós não inventamos estórias, limitamo-nos a contá-las tal como aconteceram.
------António Pedro foi como só sabia ser. Absolutamente natural, confrangedoramente franco na atitude e aberto nas palavras. Falou como se nada tivesse a esconder, como se a conhecesse há muitos anos e com ela pudesse partilhar tudo. Falou-lhe do seu trabalho, do que gostava nele e do que nele lhe desagradava, mostrou-lhe as suas ambições, os pontos fortes do seu carácter e falou-lhe também dos fracos, fazendo uma inflexão de voz, tornando-a mais grave e pausada como que a querer que ela acreditasse nele, sobretudo nas fraquezas. Maria de Lurdes estava espantada com aquela abertura e com aquela naturalidade e pensava de si para consigo Este homem não precisa proteger-se? e estava entre este pensamento e a tentativa de o acompanhar no discurso quando foi de novo surpreendida. Ele falou-lhe da família. Da mulher que amava, dos filhos, três, que eram a razão da sua existência. 

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João Paulo Videira

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De Negro Vestida - XXXIII

Despertar – VII
É um problema de perspectiva. De atitude. De sensibilidade. Querendo um homem conquistar uma mulher, confunde frequentemente este conquistar com sexo. Constrói para ela um conjunto de dicas, de expressões indirectas do seu desejo, de sugestões, de brincadeiras e até de elogios que, em menos de nada convertem o sexo no centro da questão, o objectivo em si, o tema de conversa recorrente. Este homem ainda não percebeu. Não percebeu que não é assim. Não percebeu a mulher que tem na frente e, de facto, não percebeu nada. Para uma mulher, o sexo não é, nunca, o centro da questão e do processo. Não é menos importante por isso. Pelo contrário. O sexo é, para as mulheres, de suma importância e é por isso que não pode ser imediato. 

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O Romance "De Negro Vestida" foi publicado, capítulo a capítulo, neste blogue, entre 26 de janeiro de 2010 e 22 de abril de 2011.

Agora que conhecerá outros voos, nomeadamente, a publicação em livro, deixamos aqui um excerto de cada capítulo e convidamos todos os amigos e leitores a adquirirem o livro.

Obrigado pela vossa dedicação.

Setembro de 2013

João Paulo Videira

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"De Negro Vestida" está de volta!

Caros leitores e amigos,
depois das férias e da publicação do Diário de Bordo que delas resultou, retomarei a publicação de "De Negro Vestida".
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O romance evoluiu bastante e traz muitas novidades quer no conteúdo quer na forma e ritmo de narração. Acontece que as férias sempre fazem esquecer um pouco as coisas e por isso mesmo venho dar-vos três informações relacionadas com a continuidade do texto.
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1) Aqui por baixo republico, para que possam reler sem ter de procurar, o último capítulo publicado em Julho.
2) À vossa direita colocarei um índice do romance que passará a estar por cima do arquivo do blogue. Assim, a busca de capítulos anteriores tornar-se-á mais fácil.
3) Entre hoje e amanhã, retomarei a publicação de novos capítulos, fresquinhos e, espero, surpreendentes.
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Faço votos de que gostem e deixem sempre os vossos comentários seja aqui, seja via mail.
Um abraço,
João Paulo
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De Negro Vestida - XXXII
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Despertar – VI
Maria de Lurdes regressou à sua mesa no passo mais firme que conseguiu. Ainda não sabe mas o encontro com António Pedro não terminou. Assim que chegar junto das colegas fará um ricochete, um caprichoso arco de bumerangue e regressará à promissora conversa com um sorriso nos lábios.
Que estás aqui a fazer Lurdinhas? Pareceu-nos que a conversa estava agradável ali com o jeitoso do fato azul. E estava, mas seria incapaz de deixar-vos. Afinal de contas este jantar é uma simpatia vossa em minha homenagem. Olha, Lurdinhas, em primeiro lugar, este jantar era para veres gente. Agora que viste, não faz sentido estares aqui. Em segundo lugar, nem compreendemos como é que trocas o jeitoso por nós. Nenhuma de nós hesitaria em fazer a troca ao contrário. E, por fim, deixa-me dizer-te uma coisa. Estamos curiosíssimas em relação àquela conversinha que tiveste ali, mas preferimos ouvir amanhã uma estória inteira do que ouvir já só meia estória… Então vocês não se importariam… É que ele de facto convidou-me para tomar café… Lurdinhas, não vivas a vida pela metade. Senta-te. Acaba o jantar. E corre para o desconhecido. Neste caso o desconhecido tem muito boa figura!
E foi isso que fez. Quando se sentou, piscou o olho por instinto na direcção da mesa do homem de fato azul que respondeu com um sorriso. Estava combinado. Palavras não foram precisas. E continuaram a não ser precisas quando se levantou para cobrar a promessa de café e as outras todas que vinham embaladas no olhar e no sorrir. Ele percebeu e levantou-se também. Não a quis a atravessar a sala sozinha pela segunda vez. E veio ao seu encontro. E a meio do caminho se encontraram.
- Então, Maria de Lurdes do olhar brilhante, já tomou café?
- Ainda não, António Pedro do sorriso promissor. Prometeu-me um café, venho cobrá-lo.
- E as suas colegas?
- As minhas colegas quase querem mais do que eu que tome café consigo.
- Muito simpáticas. Merecem uma recompensa.
António Pedro chamou o empregado de mesa e disse-lhe, tratando-o pelo nome, que oferecesse um café e um porto às senhoras.
Por cima do olhar, António Pedro tinha uma cabeleira farta e encaracolada que lhe dava um ar de certa irreverência e lhe tirava anos ao aspecto. As mãos eram largas e a voz grave. E foi com ela que sugeriu tomassem o café na esplanada. Era uma estrutura assoalhada em ripas de madeira tratada, delimitada por cabos de aço atravessando prumos inox de dois em dois metros. Ficava nas traseiras do restaurante e dela se via uma parte da cidade iluminada salpicando de luz o breu da noite.
Começaram conversando de pé, junto ao gradeamento que o não era. Só uns cabos de aço pós-moderno. E ficaram trocando as primeiras palavras, aquelas que sempre surgem desbloqueando os silêncios atrevidos que incomodam nestes momentos. Incomodam porque são uma ameaça à continuidade do que quer continuar-se. Seria terrível duas pessoas sentirem-se atraídas e não conseguirem conversar. E falaram da coincidência de estarem na mesma sala, de estarem em mesas frontais, de olharem na direcção um do outro. E desenvolveram a teoria que os amantes sempre desenvolvem das forças superiores que unem quem querem unir sem perguntas nem preparações. E falaram assumindo à partida a sua consonância, a sua coragem. E recordaram os momentos que os trouxeram ali, as dúvidas, as incertezas e os impulsos. Maria de Lurdes perguntou-lhe como é que, estando ele de costas, soubera quando virar-se para a cumprimentar. Pedi ao colega que estava de frente para mim que me avisasse. E avançaram algumas frases começadas por eu… Anunciando características pessoais, comportamentos previsíveis, gostos, como que recolhendo aprovações, dando a conhecer virtudes e defeitos porque um e outro queriam que, o que quer que se aproximasse, viesse com clareza e transparência. Fundamentos sólidos na fraca estrutura dos relacionamentos humanos.
Expostos os primeiros argumentos, traçadas as primeiras linhas de entendimento, conquistada a seara quente da harmonia atravessada pela brisa das palavras e, não menos importante, chegados os cafés, mais uma água com gás para ela e um uísque sem gelo para ele, puderam finalmente sentar-se. Olhar-se de frente. Conversar com os olhos, com os sorrisos, com as expressões, com o volume e a forma que o corpo dá às palavras. O momento adivinhava-se perfeito. Temperatura amena, breu cortado pela lua gorda, brisa apropriada, um pouco antes de vento, local a pedir conversa e conversa a pedir para acontecer. E aconteceu.

Creta 2010 - Diário de Bordo - Conclusão

20/8/2010 - 23:45h. - Zibreira
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Pequeno almoço e almoço em Atenas, lanche em Genebra e jantar na Zibreira. Andamos mesmo a superar barreiras e a quebrar fronteiras, inclusive as do tempo.
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Quando se planeiam umas férias nunca se sabe o que vai acontecer. Espera-se o melhor. E foi o melhor que aconteceu. Seja porque descansámos, seja porque quebrámos as rotinas quotidianas do trabalho e até as familiares, seja pelo contacto com outras gentes, seja pela descoberta de novos espaços.
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Creta foi uma surpresa esplêndida pela forma como se conserva genuína e autêntica, pela forma como as suas gentes são acolhedoras e simpáticas, pela forma como a sua Natureza nos surpreende.
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Este Diário de Bordo nunca esteve planeado. Aconteceu espontaneamente porque o caderno estava ali e eu não tinha nada o que fazer senão esperar. Depois cresceu com entusiasmo dia a dia, registo a registo e acabou por resultar em algo que nem eu esperava. Um relato circunstanciado e o mais vivo possível de uma vivência. Acho que nunca tirei fotografias tão boas como aquelas que captei desta vez com as palavras. Por isso decidi, a meio da sua produção, publicá-lo. Por isso e pela partilha.
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Aos leitores e aos amigos, ambos me conhecendo bem, ficará a honesta e humilde intenção de partilhar. Nada mais.
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Todas as fotos foram feitas por nós nos locais visitados. Todas as histórias e personagens são verdadeiras. Ir de férias e usufruir desse merecido tempo de pausa tem de ser mais do que passá-lo, tem de ser a reinvenção da vida.
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O trabalho está aí aguardando, vai sendo tempo de pegar-lhe e sonhar com outros diários de bordo! Boas Férias, sempre!
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Números curiosos
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Total de dias em viagem: 25.
Número de viajantes: 3.
Euros gastos: menos do que em 15 dias no Algarve.
Viagens de avião: 4.
Viagens de barco: 3.
Viagens de autocarro: 9.
Viagens de comboio: 2.
Km percorridos a pé: mais de 60 por pessoa. Mais de 100 no caso do Iago.
Número de rakis bebidos: 1 para a senhora, cerca de 6 para cada homem.
Fotografias tiradas: 1168.
km conduzidos em automóvel: 1537.
Banhos de mar: sem conta.
Banhos em cursos de água doce: sem conta.
Número de cafés bebidos: cerca de 160 pelos três.
Número de sumos de laranja bebidos: cerca de 100 pelos três.
Localidades visitadas: 37.
Kg ganhos: 5 no meu caso!
Praias visitadas: 14.
Alimentos ingeridos com mais frequência por ordem decrescente: água, café, sumo de laranja, uvas, tzatziki, carne, melancia, tomate, pimentos e raki.
Amizades feitas: uma mão cheia.
Palavrões aprendidos em grego: 3, dos impronunciáveis.
Museus visitados: 3.
Conjuntos de interesse arqueológico visitados: 6.
Mosteiros visitados: 2.
Igrejas e capelas visitadas: 19.
Pessoas desconhecidas com que metemos conversa só porque sim: 92.
Discussões: 0
Chatices: 0
Miúdas giras que fotografámos sem autorização das mesmas: 17.
Miúdas giras que fotografámos com autorização das mesmas: 1.
T-shirts adquiridas: 6.
Número de pelicanos a que fizemos festinhas: 1.
Capítulos de "De Negro Vestida" redigidos na íntegra: 12.
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Fonecem-se outros dados a quem os solicitar via comentários. Hihihihi.

Creta 2010 - Diário de Bordo - 27

20/8/2010 - 20:15h. - No avião (Genebra - Lisboa)-Em Portugal é menos uma hora. Já sinto a ansiedade de chegar a casa. Finalmente, ao fim de vinte e cinco dias, ouvimos falar português. A nossa Língua é tão bonita e acolhedora! Claro que somos mais "fechados" que os gregos, em particular os cretenses, mas somos um excelente povo. Gente muito boa.
-Vi Veneza e Verona do avião no voo anterior, mas o mais espectacular não foi isso. O aeroporto de Genebra fica ao lado de um lago imenso. A aproximação à pista foi feita por cima do lago e a aterragem ao lado dele. Foi belíssimo. Agora viajamos num AirBus da TAP chamado Francisco D'Ollanda. Já lanchámos.
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Devido à diferença no fuso horário (duas horas entre Atenas e Lisboa), hoje vamos viver um dia de 26 horas! Interessante, isto do tempo. O certo é que nunca pára. Hoje só volto a escrever na Zibreira.

Creta 2010 - Diário de Bordo - 26

20/8/2010 - 16:17h. - No avião (Atenas - Genebra)
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Deixámos Atenas há 20 minutos. A descolagem foi suave. É um AirBus da SwissAir.
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Lembrei-me de escrever só para registar que adoro aeroportos. E não tem nada a ver com estar de férias ou andar de avião ou o que quer que seja. Tem a ver com a multiplicidade cultural que aí se encontra. Estar num aeroporto é como não estar em país nenhum e estar em todos os países ao mesmo tempo. Almoçámos no aeroporto de Atenas. Foi muito interessante, mais uma vez, ouvir tanto linguajar diferente, tanto costume diferente. Nas roupas, nos gestos, nas malas, na forma como se espera, na ansiedade com que se pretende embarcar, na cor da pele, do cabelo, dos olhos. Se tudo correr bem, hoje durmo na minha cama. Na Zibreira! Acho que hoje até os cães vão dormir dentro de casa! Devem ter muito para contar. E nós também.
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Nota de vôo: nas diversas viagens que tenho feito, nunca me aconteceu isto. O comandante informou que o tempo estava de tal forma bom que quase todo o vôo, excepto a partir dos Alpes, seria feito com visibilidade para a terra. Estamos a 11000m de altitude e é possível ver o esquadrinhado das casas, das estradas, o verde dos lagos, o percurso irregular dos rios, o azul intenso do mar e as ilhas dispersas e perdidas nele. Sempre sem nuvens. O poeta tinha razão. Para além da nossa pequenez existencial, também fisicamente somos um "bicho da terra tão pequeno".

Creta 2010 - Diário de Bordo - 25

19/8/2010 - 21:36h. - Atenas
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Hoje foi dia de Acrópole. Estou no hotel e descanso.
Chegámos de Creta muito cedo, pelas 6h da manhã, largámos as malas no hotel, tomámos o pequeno-almoço e fomos revisitar a cidade sagrada. Logo às 8h. assistimos ao hastear da bandeira grega na Acrópole. É feito por oito soldados que a protegem armados até aos dentes. Quando terminam o processo, por volta das 8:30h, viram costas à bandeira e gritam "Bom-dia Atenas, bom-dia Grécia!"
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Sempre que lá volto reencontro o mesmo poder, a mesma magnificência e encontro aspectos novos. É um conjunto arqueológico invulgar, com uma história invulgar, quer pelo aspecto que mantém, quer pela civilização que invoca. A visita ocupou-nos toda a manhã.
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Passeámos toda a tarde e noite pelas ruas da cidade antiga. Não sei como é que isto acontece, mas no fim das férias as malas estão sempre mais cheias. Não sei como é que vai lá caber tudo. Será precisa muita engenharia de arrumação!
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Tenho saudades de casa e... dos meus cães!

Creta 2010 - Diário de Bordo - 24

18/8/2010 - 22:01h. - A bordo do Lato
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Já estamos a bordo do Lato no percurso de 8 horas de Creta para Atenas. Curiosamente, o mesmo navio que nos trouxe, vai levar-nos de volta.
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O dia foi muito agradável. Pequeno-almoço memorável. Depois fizemos as malas e deixámo-las guardadas com a D. Antonia e passámos todo o dia na praia "quente e frio". A água que chega das montanhas é mesmo gelada. Tão gelada quanto revigorante. Alugámos um chapéu e umas cadeiras de recostar mas não foram muito usados. Andámos todo o dia no mar. Escrevi imenso. Gosto de escrever de frente para o mar. Bem vistas as coisas, de frente para o mar tudo é melhor.
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Como tínhamos comprado bilhetes com quarto, deixaram-nos entrar duas horas antes da partida, ou seja, às 19h. Foi óptimo porque pudemos tomar um banho retemperador, vestir roupas lavadas e ir lá acima ao exterior comprar jantar e ficar a comer numa mesinha de frente para o mar.
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Agora só penso em descansar porque amanhã é dia de revisitar a Acrópole o que é sempre tão interessante quanto cansativo e, como tal, não me apetece ainda fazer balanços que deixarei para o fim. Mas, à medida que a ilha fica para trás, não posso deixar de reparar que um pouco de mim fica com ela. Não posso deixar de lembrar dois aspectos que emergem de todos os outros, que só por si teriam valido a pena: a extraordinária beleza Natural de Creta e as fabulosas pessoas que nela habitam. Penso voltar um dia, se conseguir. É quase como se fosse um tributo.
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Pormenor de atendimento: fomos ao restaurante dos grelhados no barco e pedimos três gyros. Aconteceu um diálogo tão hilariante quanto curioso:

- Desejamos três gyros, por favor.
- No pão ou no prato?
- No pão.
- No pão não temos, só no prato!

Creta 2010 - Diário de Bordo - 23

18/8/2010 - 8:03h. - Georgioupoli
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O sol já resplandece em toda a ilha desde a montanha ao mar. Faz um calor envolvente mas não agressivo que vem das serras e é cortado a espaços por uma brisa fresca que vem do mar. Estamos a tomar o pequeno-almoço no nosso local favorito. Iogurte com mel e nozes, sumo de laranja, café, pão fresco, ovos cozidos, estrelados, bacon, doces e biscoitos. Coisa ligeira, portanto!
-Não tenho escrito porque os últimos dias foram exclusivamente dedicados a descansar. Da cama para a mesa, da mesa para o mar, do mar para a mesa, da mesa para a cama, da cama para o mar, do mar para a mesa, da mesa para a cama. Tem sido este o círculo dos dias. Meu Deus, como precisava descansar! Tenho escrito imenso. "De Negro Vestida" avança a olhos vistos, em bom ritmo.
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Ontem à noite jantámos de novo no restaurante Nostos. Foi o local onde fizemos mais refeições, quase diariamente. Tem uma qualidade soberba, pessoas de uma simpatia extrema e não é nada caro para aquilo que oferece. Ontem jantámos tzatziki com pão tostado, soutzoukakia, bolognesa cretense, gemistá (muito melhor do que a de Xaniá), duas coca-colas, uma água e uma garrafa de vinho retzina, No fim pediram-nos 28€. Quando acabei de pagar, trouxeram-nos um quarto de melancia partida aos bocadinhos, um prato com figos e três cálices de raki, um para mim, outro para o Iago e outro para o dono da casa! Ele bebe com todos os clientes. Não sei como aguenta! No fim vieram desejar-nos boa viagem para hoje com abraços e beijos e ofereceram-nos uma garrafa de água de litro e meio cheia de raki caseiro. O dono do restaurante e pai da família disse que o raki faz bem aos homens e fez um gesto com o braço bem conhecido de todos a indicar uma erecção. Fiquei a saber que além de uma aguardente que não arde, o raki também é um produto com efeitos terapêuticos! Ele que é careca e muito gorducho está sempre a dizer "O meu nome é Adonis, o deus da beleza" e faz um gesto para si mesmo como que para comprovarmos a dita beleza! Depois desata numa gargalhada e bebe mais um raki. Quando trouxe os figos perguntou-me se gostava. Eu disse que nem por isso mas que a minha mulher e o meu filho adoravam. Ele disse que aqueles figos eram das árvores deles e vai daí descascou um com as suas próprias mãos e foi com elas que mo enfiou pela boca abaixo. Eu comi e depois bebi mais um raki!
-Hoje é dia de fazer as malas, usufruir da praia uma vez mais e apanhar o barco para Atenas ao princípio da noite.
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Nota hospitaleira: Nesta ilha fomos tratados um bocadinho além de turistas. Fomos verdadeiramente acolhidos e acarinhados. O Nostos é um exemplo disso. É um restaurante familiar onde trabalha o pai, Adonis, a mãe, Atena, a filha, Maria e o filho, Giorgis. Merecem ser visitados por quem venha a Creta. Também alugam quartos e têm um site que mora em http://www.river-side.gr
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A Maria faz 18 anos em Outubro e vai para a universidade em Atenas estudar Fashion Design. Passa os verões no Nostos a servir à mesa com humildade e simpatia não obstante os seus sonhos. Tentou ensinar-nos mais algum grego... não sei se conseguimos aprender, ainda assim, cá vai: kalitichi, Maria! (felicidades, Maria!).
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Nota Luís Lobo: tenho tentado não me lembrar do trabalho nem de nada, nem de ninguém relacionado com ele, mas não me esqueci de ir pedindo um pacote de açúcar a mais sempre que bebia café. São para a tua colecção. Só já falta a viagem de regresso e o avião não cair, hihihi!

Creta 2010 - Diário de Bordo - 22

14/8/2010 - 00:25h. Georgioupoli
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Chegámos agora ao apartamento.
Por muitos anos que viva , as coisas que hoje vi, dificilmente se desprenderão da minha memória.
Já é sábado, 14 de Agosto, mas tudo começou bem cedo pela manhã desta sexta-feira, 13 de Agosto. Não foi dia aziago, pelo contrário.
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As pessoas daqui tinham-nos dito maravilhas de duas praias, coisas do tipo "Não podem perdê-las!" e por isso resolvemos visitá-las. Passámos a manhã na praia de Balos/Gramvousa e a tarde em Elafonissi.
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Balos é um milagre da Natureza. Daquelas coisas que costumamos ver nos postais ilustrados e achamos que não existem. O acesso é feito por 7km de uma estrada pedregosa a exigir cautelas na condução. Uma vez lá chegados, há um parque de estacionamento onde as cabras selvagens dormem à sombra dos carros ou... em cima deles! Depois, uma descida de 30 minutos por um carreiro. Também se pode evitar este acesso e ir de barco mas a grande vantagem de ir de carro é poder chegar cedo à praia e vê-la antes de estar repleta de turistas.
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Balos e Gramvousa são duas baías que ficam entre o continente e uma pequena ilha à qual se ligam por uma língua de areia. Dependendo dos locais, a água do mar pode dar-nos desde o tornozelo até à cintura durante centenas de metros. É quente. Há mesmo locais onde, por volta da uma hora da tarde, é difícil estar dentro de água porque queima. Os azuis são tantos que não consigo descrevê-los. É assim como se fosse um arco-íris de tons de azul espelhado no mar. E a areia é cor-de-rosa! Ou, pelo menos, rosada. Há aqui um fenómeno que faz com que a areia seja branca e fina como há em Portugal mas na zona em que o mar toca a terra há uma linha de areia rosada. Tentei segurar um pouco para ver o que era. Desconfiava que fossem conchas ou búzios mas não, pareceu-me mesmo só areia com pigmento rosado. É proibido trazer nem que seja um punhado. A areia está protegida por lei!
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Ficámos entretidos e divididos entre tomar banho ou ficar simplesmente a contemplar o intenso azul cristalino do mar. Atrai o olhar e a atenção aquela cor. É um local paradisíaco.
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Elafonissi é como Balos mas tem um acesso melhor. Também há areia rosada e há locais onde a areia são milhões de conchas e búzios minúsculos. Também esta praia é uma extensão de areia a ligar o continente, quer dizer, Creta, a uma pequena ilha.
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Almocei voureki que é um empadão feito de camadas de batatas às rodelas, courgetes, alho francês, beringelas e cebola.
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À noite fomos a Rethimno ver um espectáculo de folclore grego, o bracoforio, dentro da fortaleza da cidade. Era aberto ao público. Como disse o Iago, aquilo é qualquer coisa entre o folclore português e as danças russas. Tem uma musicalidade e um ritmo orientais e os protagonistas são, sobretudo, homens. Foi interessante mas é exasperante ouvir as pessoas falar e não perceber. O apresentador fazia longos discursos que deviam conter anedotas ou piadas porque toda a gente se ria e nós sem perceber nada! Ficou o interesse de ver a alegria com que eles participam. Durante o espectáculo o público não estava em silêncio. Conversavam, gritavam, falavam para o palco. Era uma algazarra a fazer lembrar o que estudámos sobre os gregos e os romanos quando iam assitir a comédias.
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Foi o último dia com o carro alugado. Amanhã começa um período em que nos vamos dedicar, sobretudo, a descansar.
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Nota triste: a nossa máquina fotográfica avariou-se hoje ao fim do dia.

Balos/Gramvousa
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Balos/Gramvousa
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Balos/Gramvousa
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Balos/Gramvousa
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Balos/Gramvousa
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Balos/Gramvousa
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Balos/Gramvousa
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Balos/Gramvousa
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Balos/Gramvousa

Creta 2010 - Diário de Bordo - 21

12/8/2010 - 17:30h. - Paxia Ammos
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Ao meu lado o mesmo azul turquesa de sempre que se estende pelo horizonte num manto azul intenso e forte. Estamos em Paxia Ammos, uma localidade junto ao mar e é o ponto mais oriental da ilha em que estivemos até ao momento. Fica na costa Norte.
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Hoje visitámos o Planalto de Lassithi. Depois de passarmos brevemente pela cidade de Hersonisos, subimos a montanha até aos 2000m de altitude. No topo da montanha, onde menos se esperava um palmo de terra plana, abre-se uma imensa planície a perder de vista. Tem milhares de moinhos cuja função foi, até há uns anos, extrair água. Hoje em dia a maioria está desactivada ou mesmo danificada. Em tempos foi impressionante ver o branco de tantas velas a rodar no planalto. Hoje impressiona mais a imensa extensão de terra plana no cimo da serra.
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Passámos por Psicro e visitámos a gruta Dicteon Andron onde, segundo a mitologia, terá nascido Zeus. A descida e subida da gruta abriu o apetite para uma das melhores refeições até ao momento. Comida caseira, porco assado no forno. E deram-nos vinho do produtor. Aquilo não era bem um restaurante. Era uma casa de uma senhora que faz comida para os amigos e aproveita alguns turistas que passam e querem arriscar comida não formatada para... turista. Passeámos pelo planalto e depois viemos fazer a travessia da parte mais estreita da ilha. É um vale com 15km de comprido que liga Ierapetra, uma terra grande no lado Sul da ilha, a Paxia Ammos no lado Norte, onde estamos agora.
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Está calor mas corre uma brisa fresca e bebemos um sumo de laranja à beira-mar. Que mais pedir?
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Nota American Express: o livro da American Express sobre Creta diz que há um Hard Rock Caffe em Hersonisos. Fomos lá porque o Iago gosta de comprar uma T-Shirt do Hard Rock sempre que visita uma terra onde há um. Acontece que o livro está errado porque o Hard Rock de Hersonisos já fechou há quatro anos.
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Nota atrasada (23:14h.): Só chegámos agora a Georgioupoli. Resolvemos parar em Agios Nikolaus e passar aí o resto da tarde. Fizemos bem. A cidade é muito bonita. Para além do porto, há um lago enorme no meio da cidade. É de água salgada. Há um braço de mar que entra pela cidade e faz o lago. O efeito é interessante, vamos numa rua e, de repente, ela desemboca num lago!
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A viagem de regresso correu bem. Ainda não vimos um único acidente em Creta.
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Paxia Ammos
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Paxia Ammos
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Planalto de Lassithi
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Planalto Lassithi
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Planalto de Lassithi
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Gruta Dicteon Andron
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Agios Nikolaus
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Agios Nikolaus
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