Curtas do Metro - Perdida

Perdida
Esta "Curta" esteve para chamar-se "Capuchinho Vermelho". Acontece que a pessoa sobre quem vou escrever, sendo absolutamente igual e invocativa do Capuchinho Vermelho, não tem nada de Capuchinho Vermelho. Eu sei, parece confuso. Mas não é. O Capuchinho Vermelho era uma jovem com um vestidinho, um capuchinho vermelho, um andar saltitante, uma cestinha na mão e um ar inocente e perdido.

A pessoa que encontrei, de Capuchinho Vermelho, só tinha o ar inocente e perdido que, a avaliar pela invocação que logo se formou na minha cabeça, devem ser os aspectos mais importantes daquela personagem. Vejamos. Tinha os olhos azuis e cintilantes, uma tez muito alva, vestia um vestidinho cor-de-rosa com folhos pelo joelho e os mesmo folhos por cima do peito onde o vestido terminava pois era, como dizem as senhoras, um "cai-cai". Não tinha uma capa com capuz, mas um casaquinho branco de malha. Usava umas pérolas singelas nas orelhas. O seu andar saltitante não era porque fosse aos saltinhos, mas porque tinha umas sandálias muito altas que lhe davam um caminhar desequilibrado. E transportava, de facto, algo na mão, mas não era uma cestinha para levar à avozinha. Era uma mala preta com rodinhas dessas que se arrojam pelo chão. Ou seja, o meu Capuchinho Vermelho tinha tudo para o ser e tudo lhe faltava para que o fosse. Contudo, tinha o essencial. Um olhar admirado e perdido e um ar cândido e inocente.

Claro que, assim que a vi na estação de Baixa/Chiado, quis escrever sobre ela, mas, durante toda a viagem até Santa Apolónia, ela não me deu nenhuma razão para que o fizesse e, como os leitores sabem, as "Curtas do Metro" são histórias, não são meras descrições. E foi então que toda a minha sorte, o meu positivismo e a minha protecção divina funcionaram. Aconteceu algo de absolutamente extraordinário. O Metro parou em Santa Apolónia e como se trata de uma estação terminal toda a gente sai. Sai porque não há mais e sai porque é obrigatório sair do comboio nas estações terminais. Mas ela ficou sentada como que a tentar perceber porque é que todos saíam, depois ficou olhando o desenho das linhas como que à procura de uma resposta. E não saía. Eu percebi que ia haver coisa e atrasei um bocadinho o passo. Ela lá se resolveu a sair. Foi a última. E cá fora continuou a olhar para cima e para as paredes com ar inocente e perdido. Quase não andava. Eu esperei e perguntei:
- Precisa de ajuda?
- Sim, por favor. Estamos onde?
- Em Santa Apolónia.
- Mas isto não é a linha azul?
- É.
E a frase que disse a seguir justificou este texto. Foi fantasticamente reveladora. Ela era mesmo o Capuchinho Vermelho! Sabem o que disse? Disse-me para onde queria ir:
- Ah! Eu queria ir para o Jardim Zoológico.
Eu ainda lhe respondi:
- Pois. É na linha azul, mas na outra ponta da linha!
Saquei do mapa do Metro e mostrei-lhe que ela tinha de andar sete paragens na direcção oposta.

Ela agradeceu e desapareceu dentro da carruagem com a cestinha, o andar incerto, o ar cândido e inocente e o olhar perdido a caminho do Lobo Mau! Ou não!

Publicidade

Será importante avisar os meus leitores de que este texto é EXCLUSIVAMENTE sobre publicidade. É importante porque, quando disse que pretendia escrever o texto, avisaram-me: "Vê lá no que é que te metes."

Pois, caros leitores, este texto será escrito com naturalidade, chamando as coisas pelos nomes delas e não por eufemismos ou paráfrases. Não é um texto sobre racismo, nem análises culturais, nem contém culpabilizações e, muito menos, acusações.

Acontece que eu adoro publicidade e gosto de acompanhar, não só a excelente publicidade, mas também a competição pelos mercados feita através da publicidade.

Há umas semanas, uma cadeia de hipermercados cuja idoneidade não questiono, o Continente, lançou uma campanha de publicidade com o slogan "O Continente somos todos nós". A campanha visava informar acerca da fusão das marcas Modelo e Continente e procurava a proximidade com o cliente. Assim, junto à frase colocava sempre uma face de uma pessoa em grande plano. Até aqui tudo bem. Ou quase tudo. Reparei na altura, sem falsos moralismos e por mera curiosidade, que todas as faces eram de pessoas brancas. Nem pretos, nem amarelos, nem castanhos, nem encarnados... Ou seja, numa leitura arrojada, "Todos nós" éramos brancos. Não dei importância. Era só uma publicidade e até me podia ter escapado algum cartaz à atenção.

Mas não deve ter escapado. Nem a mim, nem à concorrência. Pouco tempo depois, uma cadeia de hipermercados cuja idoneidade não questiono, o Pingo Doce, lançou uma campanha com o slogan "Aqui não paga nada a mais pela qualidade". A suportar a campanha estão uns cartazes com faces de pessoas em grande plano e alguns produtos, frutas, como fundo da foto. Ora adivinhem lá o que aconteceu? O Pingo Doce aproveitou a "distracção" da concorrência e fez espelhar a multiculturalidade étnica nos seus cartazes com brancos, pretos, amarelos e outros a pontificar nas fotos...

Estas mensagens não são óbvias, mas o certo é que os departamentos de marketing não dormem. No meio disto tudo, o importante é que compremos só o que queremos, de acordo com os nossos critérios. Sejam eles quais forem, qualidade, preço, gosto, etc. têm é de ser nossos!

"Com Amor," - Documento 7


Aceito.Só vim aqui ver se tinha mail e aproveito para dizer isso. Não posso escrever mais nada. Estou sem tempo.
Começa tu!
Nada de máscaras.Quero ver-te despida...A alma despida! :)
Rui

"Com Amor," - Documento 6


Olá Rui,
Que me dizes a recomeçarmos?
Quando digo isto, quero dizer que podíamos reapresentar-nos um ao outro e começarmos o nosso conhecimento mútuo (quase) do zero. Eu apresento-me, tu apresentas-te. Dizemos aquilo que entendermos que é importante sobre cada um de nós e (re)começamos daí. Assim, podemos conhecer-nos evitando equívocos. E, sabes como é, com as tecnologias é fácil. A escrita facilita o que temos para dizer. Não achas?

Enfim, está lançado o desafio.

Verónica

"Com Amor," - Documento 5


Olá,
eu nunca disse que precisavas de um homem. O que eu disse foi que tinhas um problema de carência afectiva. Disse também que uma companhia podia ajudar-te a resolver esse problema e disse também que precisavas de amar. O que, afinal, vens agora reconhecer.
Sabes, eu não tenho tempo a perder. Tenho 46 anos, o tempo foge-me por entre os dedos e não quero mais desperdiçá-lo. O que tenho para dizer, digo. O que tenho para fazer, faço. Não se trata só de atrevimento, embora haja algum, trata-se, sobretudo, de viver. Disseste que o Amor era a tua religião. Pois bem, a minha é a Vida!
Outro Beijo
Rui.
PS: Vê lá se fazes as pazes com Deus. Deus, tal como o Amor, não nos abandona. Por vezes, nós é que nos fechamos a Ele, tal como ao Amor!

"Com Amor," - Documento 4


Rui,
Estou de volta. Pensei muito antes de escrever-te de novo, sobretudo porque se passou muito tempo. Mais de dois meses. O meu último mail foi uma reacção firme e intempestiva à forma como tinhas terminado o teu com um "Beijo". Pensei logo que era o teu imparável atrevimento. Depois comecei a pensar que podia tratar-se só da coloquialidade de um beijo naturalmente oferecido, ou mesmo de uma simples forma de terminar um mail. Se foi isso, peço desculpa.

Acho que nós gostámos um do outro, penso até que criámos alguma admiração mútua, mas a partir do momento em que disseste que eu precisava de um homem, tudo se precipitou numa vertigem de agressividade em torno das nossas diferenças. Atrevo-me a escrever-te para que retomemos o processo de conhecimento mútuo, amizade, talvez, pela exploração do que nos une e atrevo-me a dar o primeiro passo.

Rui, de tudo que disseste, houve uma coisa em que estavas certo e preciso reconhecer-to. A minha honestidade e a minha integridade a isso me obrigam. Eu sou, de facto, uma mulher com urgência de amar! O amor é a minha religião, Rui, não tenho outra, não creio noutra. Em tempos, sim... mas isso são histórias antigas. Acontece que Deus abandonou-me, ou então esqueceu-se de mim... e eu tive de reinventar a fé. A minha fé é o amor, Rui. Mas isso não quer dizer que eu precise de um homem.

Espero que respondas.
Verónica.

O Clã do Comboio - Diversidades

Diversidades
Hoje foi um dia marcado pela diversidade no Clã do Comboio.
Antes de mais, regressou a Estranha e o seu misterioso e lindíssimo porte.
Depois, logo às 7:18, assim que entrámos, um puto pequeno e reguila começou uma conversa daquelas em que vai sempre perguntando "O que é isto?" e "Porquê?" e não deixou ninguém dormir em paz.
Em Santarém, entraram dois dos três amigos que querem salvar o mundo e, pensei eu, iriam acabar com o pouco sossego que já lá ia. Enganei-me. Eles fizeram a parte deles. Falaram alto, meteram-se comigo, atiraram indirectas à Mulher Vampiro. Enfim, um reboliço pegado donde destaco duas tiradas. Primeiro entre o RB e o VM e depois uma provocação que o VM fez ao Escritor.

Vejamos:
RB: Vivemos nas trevas da ignorância.
VM: Eu conheço é as terras do Demo.

E passados uns minutos:
VM: Já leste "A inabalável leveza do ser"?
Escritor: "Insustentável".
VM: Era só para te ouvir corrigir-me!

Ora, quando a coisa estava a sossegar porque o reportório de conhecimento inútil estava temporariamente esgotado, toca um telefone de um moço que ia ali ao mesmo lado que tinha um toque no mínimo... curioso. Era um riso, à gargalhada, de um cachopo. Então se aquilo tocava muito. Muito e alto!

Às 18:18, a Mulher Vampiro estava com uma roupas inusitadamente claras, brancos e cinzentos leves e, como a essa hora já acordou, vinha faladora e foi por isso que resolveu apresentar-me uma reclamação por usurpação. O facto é que o seu tradicional banco vinha ocupado por um jovem de portátil no colo e phones nos ouvidos. Culpa da CP que ainda lá não colocou a chapinha aqui solicitada.

Enfim, sem ter nada de especial, foi um dia de diversidades no Clã!

Curtas do Metro - "Sandui-Chita"


"Sandui-Chita"

Não é bem uma curta do Metro. É mais à porta do Metro.
E também não é uma história. É só um apontamento.

Na estação do Cais do Sodré há um pequeno bar, daqueles feitos em materiais pré-fabricados, fica ali na confluência da saída do comboio, do barco e das escadas rolantes do Metro. Conclusão: tem muito boa frequência. Servem cafés, meias-de-leite, galões, bolos, sandes, croissans, chás, enfim, pequenos-almoços e refeições ligeiras. Chama-se "Sandui-Chita".

Em Lisboa deve haver centenas de pequenos bares destes o que não justifica esta curta do Metro. O que a justifica então? Dois aspectos. A eficiência das senhoras que servem e a extrema simpatia do senhor que está na caixa. Ele é daquelas pessoas que marca a diferença porque faz das pequenas coisas, coisas especiais. Uma pessoa chega ali pouco depois das 8:30 da manhã, pede um café duplo e uma merenda, ele tem dúzias de merendas num tabuleiro, todas quentinhas porque acabadas de fazer, mas é bem capaz de dizer "Sai um café duplo e uma merenda quentinha bem especial para este senhor que está cheio de fome!" E aquela merenda deixa de ser mais uma em vinte e passa a ser a especial merenda quentinha. Tenho reparado que, das pessoas de circunstância, ele vai observando os hábitos de consumo das que lá vão passando mais vezes e quando faz os pedidos invoca a particularidade de cada um. Ora, no meio da turba de milhares de pessoas que chegam, que partem, que passam, nós deixamos de ser mais um e passamos a ser aquele, o tal, o da merenda especial.

Esta atenção e este cuidado merecem uma referência neste cantinho. Porquê? Óbvio. Porque vivemos tempos de impessoalidade e agressividade e no "Sandui-Chita" somos todos especiais e com especial simpatia tratados! Com merendas quentinhas!

Curtas do Metro - Separados


Separados
18:01h. Estação do Cais do Sodré na direcção Santa Apolónia.
O Metro está parado fazendo um compasso de espera antes de se pôr em marcha. Está cheio. Não cabe nem mais uma pessoa. Ou melhor, vai caber mais uma. Duas é que não. Chegou um jovem casal de namorados, a rondar os 17, 18 anos. Ele entra, o alarme de fechamento de portas soa, ela não entra, ele estende-lhe a mão, ela estende-lhe a mão, depois encolhe-a, ela não entra, seria difícil, mas não impossível, ele não sai.

E é isto que eu não percebo. Isto e o que se passou a seguir.

Ela acenou-lhe e fez uma cara triste. Ele acenou-lhe e riu-se. Mas, afinal, o tipo estava a rir-se de quê?

O Regresso da Estranha

Sabes, o teu regresso
Não foi inesperado.
Um homem sabe
Que volta sempre
O sorriso anunciado.
E que trouxesses
Alguma surpresa,
Disso, não tinha a certeza.
Só sabia que vinhas.
E acordaste o que estava
Adormecido.
Um sentimento longínquo,
Mas não perdido.
Uma incerteza, talvez.
Era a natural ânsia
De ver-te sorrir outra vez.
E houve vida em mim.
Cantaram meus anjos,
Dançaram meus demónios
E todos se juntaram
Na comunhão de ti.
Tu, que não me conheces,
Mas a quem eu vi,
Regressaste.
E o teu regresso
Foi meu mudo sucesso.

"Com Amor," - Documento 3


Olha lá, mas tu achas que eu não te topo?
Beijo? Mas que beijo? Beijo a quem ou de quem?
Mas que petulância!

Verónica

"Com Amor," - Documento 2


Olá Verónica,
peço perdão pelo "olá". Depois do teu e-mail não sei se é muito atrevido.
As mulheres são para mim, sempre foram, um universo fascinante, Repara, tu pudeste dizer-me tudo o que pensavas, pudeste chamar-me infantil, atrevido e intrometido. Só retive estas. E, para ti, tudo isso se inscreve no âmbito da frontalidade. Perfeitamente lícito, portanto. E para que usaste a tua frontalidade? Para criticar a minha!
Ora, analisemos. Quem éramos nós? Dois desconhecidos que têm em comum o mesmo trabalho e se conheceram num evento social. Comungámos o mesmo espaço durante alguns dias, trocámos ideias, partilhámos visões da profissão, da sociedade e até da forma de estar na vida. Até aqui tudo bem. e quando erro eu? Quando te digo aquilo que penso em relação a ti. E, que fique claro, não retiro o que disse. Eu acho mesmo que tu és uma mulher muitíssimo bonita, mas também acho que tens um evidente, gritante, problema afectivo e esse problema chama-se carência. E essa carência resolve-se com companhia. E é nesse contexto que te digo que deves arranjar um namorado. Nem sequer me ofereci para preencher a vaga. Não podia fazê-lo. Mas isso não anula o facto de haver uma vaga no teu coração. E, sim, precisas fazer amor. Uma mulher com a tua urgência de amar, precisa de amar em todas as frentes e amar um homem é só uma dessas frentes.
Talvez este seja o nosso último e-mail. Não acredito que me respondas, mas, cara Verónica, arranja um homem!
BeijoRui

"Com Amor," - Documento 1


Olá Rui,
escrevo-te, obviamente, por causa do que aconteceu ontem. Vais permitir-me duas coisas; que te trate por tu e que seja absolutamente franca.
Estava longe de imaginar que ainda houvessem homens tão infantis, tão atrevidos e, claro, tão intrometidos.
O facto de sermos colegas de trabalho não te dá, não pode dar-te, o direito de fazeres observações acerca da vida dos outros sem qualquer conhecimento de causa, dos assuntos e, sobretudo, sem que te fosse dada qualquer confiança para o efeito. Eu não te conhecia. Este evento, como tantas vezes acontece, permitiu que colegas que trabalham distantes pudessem conhecer-se, trocar experiências e ideias. Não tenho qualquer dúvida de que serás um bom profissional, mas não tenho dúvida nenhuma, também, de que precisas crescer. Se, eventualmente, pensas que um homem conquista uma mulher só com atrevimento, então deixa-me dizer-te que não conheces as mulheres. Enfim, nem sei se o que pretendias era conquistar o que quer que fosse. A minha atenção conquistaste. O meu respeito não.
Passa bem.
Verónica Gomes

"Com Amor," está quase.


"Mails para a minha Irmã" começa esta noite a publicação de "Com Amor," o novo projecto de escrita.

Ao contrário do que é costume, a numeração das publicações não será por capítulos, mas por documentos. Relembro que este projecto consiste na publicação de cartas e e-mails de carácter íntimo donde deverá emergir a trama.

A publicação dos textos foi autorizada, bem como os endereços de correio electrónico.

Boas Leituras!

Humor Forum Estudante

A caminho de casa um indivíduo sentiu uma enorme dor de barriga e parou num centro comercial para ir à casa-de-banho. Como o primeiro compartimento estava ocupado, entrou no seguinte. Quando estava sentado ouviu um tipo ao lado a perguntar:
- E então? Tudo bem?
Embora não fosse de dar conversa a desconhecidos em casas-de-banho públicas, respondeu:
- Bem... vai-se andando...
Novamente o tipo ao lado perguntou:
- E então, o que andas a fazer?
Embora começasse a achar o assunto estranho, respondeu:
- Bem, agora estou aqui na casa-de-banho. Depois vou para casa...
Então, ouviu o outro dizer em tom chateado:
- Olha lá, há um tipo aqui na casa-de-banho ao lado que me responde cada vez que te faço uma pergunta... Ligo-te depois..

in Forum Estudante de Abril/2011, pág. 44

Próximo Projecto de Escrita de "Mails para a minha Irmã"


Caros amigos e leitores,

"Com amor," é um projecto de publicação de textos de carácter íntimo. São cartas e e-mails que publicarei sem narração intermédia. O que se pretende é que seja o leitor a reconstituir a trama à medida que for tendo acesso aos documentos e à informação neles contida.

A escrita tornou-se um vício para mim. E só temo não ter tempo para todos os projectos que me vão na mente. Nem sequer ponho em cima da mesa a questão da qualidade. Escrevo porque gosto, escrevo porque percebo que muitos de vós me acompanham a escrita. Se é boa ou má, terão de ser os leitores a decidir.

A par dos seus muitos projectos, este blogue tem tido, há já alguns anos, publicações periódicas que depois resultam num texto eventualmente publicável. Ainda não aconteceu, mas isso não constitui para mim uma obsessão. Quando tiver de ser, será. Se não for, é porque não tinha de ser!

Com o fim de "De Negro Vestida", emergiu a possibilidade de dar forma a um projecto em que já venho pensando há algum tempo: "Com Amor,"

Os primeiros documentos serão publicados ainda esta semana.

Boas Leituras e até breve.

jpv

Citação do Deserto


"Afinal, pai, a globalização não chegou a todo o lado!"
Iago Videira

Liberdade

Importa referir, antes de mais, que não me considero exemplo nem autoridade em nada. Sou um homem convicto, com princípios e ideais e com uma consciência aguda e sofrida das suas limitações, dos seus erros e das suas falhas. Tento aprender com eles e considero isso uma questão de dignidade e abnegação.

Feita a introdução, vamos ao que interessa. Penso que a Liberdade tem sido muito mal tratada em Portugal. É invocada como pretexto para se licitar qualquer tipo de actuação, mesmo as mais condenáveis, e raramente é utilizada em prol do bem estar social. Ora, como a Liberdade não é um conceito abstracto, mas antes o uso que fazemos do livre arbítrio nas nossas tomadas de posição, nas nossas palavras e nas nossas atitudes, o que acabei de dizer significa que temos vindo a agir mal. Eu posso estar enganado mas a Liberdade só faz sentido se as práticas inerentes à mesma forem dotadas de responsabilidade e respeito pelo nosso semelhante.

Eu quero celebrar a Liberdade em Portugal. Quero celebrar a livre expressão das nossas ideias e pensamentos e sentimentos e emoções. Eu quero que digamos às nossas crianças e aos nossos jovens que aquilo que se conquistou com o 25 de Abril de 1974 é absolutamente inestimável. Não tem preço. Vale uma nação. Vale a dignidade da vida humana. E, nessa medida, é preciso dizer às nossas crianças e aos nossos jovens que este dia tem de ser sempre comemorado e celebrado para que permaneça na memória das gerações que hão-de vir. É um legado precioso. A respeitar. A preservar. Mas quero também que se diga às nossas crianças e aos nossos jovens que o exercício da Liberdade só faz sentido se preservarmos e desenvolvermos outros valores. O valor do Trabalho. O valor do Respeito. O valor da Honestidade. Da Responsabilidade. Da Língua Portuguesa. Da Pátria que somos.

Não vamos conseguir sempre, mas temos de tentar sempre!

Em Liberdade, saúdo os leitores de "Mails para a minha Irmã". Uma saudação fraterna e cordial. Uma saudação de comunhão. Uma saudação de Liberdade.

25 de Abril, Sempre.
Mais do que uma data, já mais do que uma revolução, o 25 de Abril é um legado de Liberdade!

Saudação

A todos os leitores, independentemente do credo, raça ou quaisquer outros rótulos que colocamos a nós mesmos, venho desejar uma Páscoa Feliz. Quero com isto dizer que faço votos de que estes dias sejam para todos vós dias de harmonia, de entendimento e de paz. Desejo também que sejam passados com as pessoas que trazem mais significado às vossas vidas.

Até Sempre, João Paulo.

Dez Curiosidades De Negro Vestidas


Alguns leitores têm perguntado se eu não faço um "making of" de "De Negro Vestida" conforme fiz para "Estórias ao Acaso: Noite Fria". Uma coisa do tipo, onde se escreveu, como se escreveu. Efectivamente, não penso que valha a pena. Ainda assim, podem revelar-se algumas curiosidades que envolveram a criação do romance.
1) É verdade que visitei uma funerária e me informei sobre todo o processo de organização de um funeral. Desde as questões legais ao manuseamento de um cadáver passando pela terminologia, tudo o que está no romance tem suporte real.
2) É verdade que nessa funerária, contra o que é hábito, o responsável pelos serviços é uma mulher, sendo também verdade que os profissionais desta área têm de ter formação.
3) Sim, o episódio da troca dos cadáveres aconteceu mesmo.
4) Não há nenhuma relação entre a maioria das personagens e a vida real, mas há personagens inspiradas. São exemplo disso, Manuel Matos Vasques, o inquieto, António da Purificação Martins, o avarento e José dos Santos Silva, o palavroso. Ainda assim, enquanto personagens, são muito diferentes dos seus referentes inspiradores.
5) De Negro vestida teve uma fase de investigação e depois 15 meses de escrita em que se gastaram 3 cargas de caneta e oito cadernos de escrita. Este romance teve a particularidade de ser multinacional. Como atravessou o período de férias, houve capítulos que foram escritos em Espanha e outros em Creta.
6) Desta vez, não há nenhum alter ego do escritor, nem mesmo Gabriel, o jornalista escritor que, supostamente escreveu o romance...
7) No início de Outubro, estava na praia, nuns dias de descanso e uma onda surpreendeu toda a gente e molhou tudo. Eu corri para o caderno e salvei-o da molha total. Ainda assim, perderam-se várias páginas que tive de reescrever. Estavam nesse caderno mais de dez capítulos do romance.
8) Nenhum leitor me pediu nada de extraordinário, a não ser duas coisas interessantes: uma pessoa pediu-me que deixasse Maria de Lurdes encontrar o amor e outra pediu-me que não a matasse!!!
9) O romance segue o plano originalmente traçado, excepto na forma como se encaminha para o final onde fiz algumas adaptações.
10) Por fim, deixem-me dizer-vos algo muito sério: nada do que aqui foi escrito é absolutamente real, mas também nada é absolutamente ficção!

Até à próxima! Ou seja, até breve!

De Negro Vestida - LXXIX


EPÍLOGO
A cena que agora presenciamos e nos cabe narrar é assaz curiosa. Temos nós, contadores de histórias, este mágico poder de tudo ver e tudo saber só para dar a conhecer. E, em calhando, até a intimidade alheia devassamos. É o que faremos agora. Isto é uma casa. E há nesta casa um quarto e há neste quarto uma cama e estão nesta cama duas pessoas. Um homem e uma mulher. Ela por baixo. Ele por cima. E nasce aqui a curiosidade. É que estão fazendo sexo e amor também. 

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O Romance "De Negro Vestida" foi publicado, capítulo a capítulo, neste blogue, entre 26 de janeiro de 2010 e 22 de abril de 2011.

Agora que conhecerá outros voos, nomeadamente, a publicação em livro, deixamos aqui um excerto de cada capítulo e convidamos todos os amigos e leitores a adquirirem o livro.

Obrigado pela vossa dedicação.

Setembro de 2013

João Paulo Videira

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De Negro Vestida - LXXVIII

Abandonar o Negro – XV

Escolheram um longo passeio pelos jardins do Restelo, caminharam sem rota nem destino e acabaram fazendo uma longa caminhada à beira-rio. O rio é resiliente, reflecte a vida e lava a alma. É fecundo e tranquilo e deixa espraiar-se o olhar na suave ondulação que agita sem agredir. As primeiras passadas que deram, fizeram-no de mãos dadas e recebidas e no mais absoluto silêncio. 

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O Romance "De Negro Vestida" foi publicado, capítulo a capítulo, neste blogue, entre 26 de janeiro de 2010 e 22 de abril de 2011.

Agora que conhecerá outros voos, nomeadamente, a publicação em livro, deixamos aqui um excerto de cada capítulo e convidamos todos os amigos e leitores a adquirirem o livro.

Obrigado pela vossa dedicação.

Setembro de 2013

João Paulo Videira

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Sempre Boa

Lá diz a frase, "Qualquer publicidade, é boa publicidade". Depois do episódio Eleições no Sporting/Futre/Dias Ferreira, frases como "Vai vir Charters", "Sócio, não me distraias, estou concentradíssimo", poderiam não ter passado de equívocos engraçados. Acontece que há departamentos de marketing que não dormem e o da "Licor Beirão" parecer ser um deles e apressou-se a tirar partido das "saídas" de Paulo Futre combinando-as com o actual momento eleitoral. Resultado? Uma campanha publicitária bem disposta e muito bem conseguida. Abaixo ficam dois exemplos de cartaz. Mais informação aqui.

O Paraíso é em Portugal


Efectivamente, não precisamos procurar belezas naturais longe daqui. Como dizia o grego, "Disto os alemães não têm." O slide-show que aqui se publica tem fotos tiradas numa pausa de 4 dias, sábado a terça-feira passados, nas praias de Paredes de Vitória, Polvoeira e Vale Furado, concelho de Alcobaça, distrito de Leiria. Gosto de fotografia, mas sou preguiçoso para andar com a máquina atrás, logo, são fotos de telemóvel, ainda assim, muito boas para se perceber a beleza da paisagem. Entre Paredes e Polvoeira, há um caminho feito num passadiço em madeira através das dunas que é simplesmente paradisíaco. Muitas das fotos foram tiradas daí. Visita a não perder até porque, como se vê, o Paraíso é em Portugal!

(Para ver as imagens em tamanho maior, clique em cima do slide-show.)

De Negro Vestida - LXXVII



Abandonar o Negro – XIV

Um ano se passou desde o lanche com Gininha. Um ano e, contudo, para o leitor não foi mais do que um virar de página, um saltar de capítulo. Um ano se passou e uma página se virou e viveu na existência de Maria de Lurdes, de Carlos José, de Carolina. Um ano de gente que nasceu e foi viver, um ano de gente que morreu e foi a enterrar, um ano de alegrias e desilusões, um ponto insignificante no calendário dos calendários que é esse porvir constante, esse volver contínuo.

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O Romance "De Negro Vestida" foi publicado, capítulo a capítulo, neste blogue, entre 26 de janeiro de 2010 e 22 de abril de 2011.

Agora que conhecerá outros voos, nomeadamente, a publicação em livro, deixamos aqui um excerto de cada capítulo e convidamos todos os amigos e leitores a adquirirem o livro.

Obrigado pela vossa dedicação.

Setembro de 2013

João Paulo Videira

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Rio



Com esta animação tem garantidas umas boas gargalhadas, uma cor fantástica, música maravilhosa, um ritmo alucinante e uma interessante aventura. Sem ser nada do outro mundo, "Rio" é um excelente anti-stress, anti-crise, anti-só-penso-no-fmi...
-
É uma hora e meia que vale a pena. Saiba mais acerca do filme aqui.

Perspectivas



Cada um vive a vida de acordo com a sua própria perspectiva. A vida e a morte! Um dia destes uma colega de trabalho deu boleia a uma vehinha e o diálogo que a seguir se transcreve aconteceu mesmo. Sem tirar nem pôr!
-
Dizia a velhinha em tom de lamento:
- Sabe, isto está no fim. Isto está mesmo no fim.
- Deixe-se disso, nós não fazemos essas contas. Sabe-se lá quem vai primeiro...
- Sabe, eu não tenho medo de morrer. De morrer eu não tenho medo. Eu tenho medo é do carro funerário... é que eu enjoo muito!
-
Perspectivas!

Onde...

... se escreveu o último capítulo de "De Negro Vestida".

É uma praia portuguesa com certeza!

Andam barcos no Mar


Andam barcos no mar,
Pescadores, traineiras,
Levam esperanças goradas,
Trazem redes de canseiras.

Andam barcos no mar
À procura do pescado,
Dão voltas às redes salgadas,
Trazem pedaços de Fado.

Vão à pesca sem temor,
Trazem de tudo um pouco,
Trazem lancinante a dor
De que é feito o pescador louco.

Andam barcos no mar
À procura do sucesso
Que é trazer nas mãos
A razão do regresso.

Trazes na Linha Branca


Trazes na linha branca
De espuma ondulante
Histórias e aventuras
De gente distante.

E ouço-te o ribombar
Cavo e profundo
De quem vem anunciar
Histórias do fim do mundo.

Há em ti toda a ciência,
As vozes todas e todos os gritos,
Trazes com intermitência
O saber dos homens antigos.

E lavas-me a alma
E o corpo todo também,
E enches-me de ideias
Até descobrir-me ninguém.

Se eu pudesse ser Mar


Se eu pudesse ser mar
E quisesse fugir,
Não havia força
Capaz de me impedir.

Se eu pudesse ser mar
E quisesse arrasar,
Não havia força
Capaz de me parar.

Se eu pudesse ser mar
E pensar como gente,
Formaria onda gigante
De efeito resiliente.

Pausa

Caros amigos, uns diazinhos merecidos de férias tornarão as publicações menos assíduas. Dentro em breve volto à publicação normalizada.

Para já, uma notícia: está concluído o romance "De Negro Vestida". A sua publicação terminará ainda em Abril.


E uma novidade: já está na calha outro projecto.

jpv

O Clã do Comboio - Lugar Cativo


Lugar Cativo
Um dia destes encontrei o RB e a Mulher Vampiro no regresso a casa. Era o fim de um dia de trabalho e sol, mas o astro rei ainda brilhava na sua queda para a escuridão.
No meio da conversa agitada concluímos duas coisas. Primeiro, que a Mulher Vampiro ao fim do dia é completamente diferente. O oposto do que é pela manhã. Mas isso, já os leitores sabiam. Segundo, que ela é a mais característica personagem do Clã do Comboio. Todos nós sofremos mudanças e alterações. Todos nós mudamos de posição, todos nós alteramos a atitude. A Mulher Vampiro não. Ela viaja sempre no mesmo banco matinal e tem sempre a mesma atitude e adopta sempre a mesma posição. Bem vistas as coisas, a Mulher Vampiro é um ícone do Clã do Comboio. Vai daí, pedimos-lhe para se levantar, tirámos uma foto ao banco e fizemos a gracinha que pode ver-se na imagem abaixo. E porquê? Porque entendemos que a Mulher Vampiro tem direito a lugar cativo com carácter vitalício e personalizado.

Senhor administrador da CP, aqui fica o repto: queremos a personalização do banco da mais icónica personagem do Clã do Comboio.

O escritor, o RB e todos
os outros que reconhecem
este direito à MV.


Projecto de Personalização do Banco da Mulher Vampiro

Alerta de Roubo: Final Feliz!

No Passado dia 11 de Abril, fizemos aqui um alerta de roubo de uma viatura de uma amiga e colega.
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Esta madrugada, soubemos através do comentário ao post, que a seguir se transcreve, que a situação teve um final feliz.
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Importa dizer que ficamos muito satisfeitos pelo desfecho e que na altura não fizemos mais do que a nossa obrigação cívica: ser solidários.
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Um abraço grande à SC!
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"Meu amigo,
apareceu o meu carrinho esta madrugada no Bairro Padre Cruz, em Carnide, aparentemente ileso!!!
Está sob investigação policial e ainda não lhe posso tocar...
Muito obrigada por ter tornado possível (através do seu precioso blogue) uma divulgação muito mais vasta pelos seus fiéis seguidores!
Um grande bem-haja a todos os que me ajudaram!"

Curtas do Metro - Passa! Passa!

Passa! Passa!
Fim de dia. Chego a Santa Apolónia. Saio do Metro. Não vejo ninguém conhecido nem nada interessante. Quando me aproximo do controlador magnético para passar o meu cartão, quem é que está mesmo à minha frente nos seus característicos trajes negros? A Mulher Vampiro!

O cartão dela não quer abrir a porta. Coloco-me atrás dela, passo o meu cartão, a porta abre e eu digo:
- Passa! Passa!

Ela passou e eu logo atrás dela. Os dois duma vez. Já do outro lado, rimos a bom rir. Tinha sido o nosso pecado, a nossa pequena irreverência do quotidiano:
- Olhe lá, sabe que uma vez por mês é preciso pagar o passe?
- Engraçadinho!

Curtas do Metro - The F Word

The F Word
Cais do Sodré. Caminhamos para os controladores. Atrás de mim vêm duas vozes novas, bem dispostas e bem falantes, falando de compras e tratando-se por "amiga". Passam-me. Vão com calções brancos de sarja, camisolas de cavas, uma castanha e outra verde-escuro. Usam sandálias. Têm um aspecto elegante e polido e, na minha avaliação, educado.

Ao passar pelo controlador, ultrapasso-as. Depois do controlador volto a ouvi-las atrás de mim. Estamos ao cimo das escadas. O Metro está lá em baixo e elas dizem:
- Corre, corre, ainda o apanhamos.
- Achas? Vamos lá!

Os alarmes de fecho de portas soam. É a partida. Para qualquer um de nós é impossível apanhá-lo e elas dizem uma a seguir à outra:
- F***-se!
- Que se F**a!

Moral da história: erros de avaliação!

Histórias do Autocarro 28 - Ajuda Externa

Ajuda Externa
Só a mim, meu Deus, só a mim. Lisboa tem centenas de milhares de habitantes e transeuntes, milhares de autocarros, mais milhares de outros veículos de transporte público, e as alemãs tinham de me calhar a mim!
Em época de FMI, de FEEF, de Ângela Merkl, de ajudas externas, de restrição e austeridade, entro no 28 e atrás de mim entram duas alemãs de meia idade, calças de ganga, t-shirt branca de cavas, suadas até dizer chega. Uma agarra-se e quase me cola o sovaco peludo ao nariz. A outra, vá-se lá saber porquê, não se agarrou. O 28 arranca. Não sei se o motorista sabia que tinham entrado alemãs, mas sei que o esticão foi... repenicado!
A que não se agarrou, desamparou-se e ia mesmo cair. Deitei-lhe a mão e segurei-a por um braço. A senhora reequilibrou-se, olhou-me um bocadinho envergonhada e disse:
- Dankeschön
- Bitte Schön

Ia ficar por ali, mas resolvi acrescentar em inglês de sotaque aprumado:
- It's ok. This is probably the only way Portugal will help Germany in the next few years.

Fez um sorriso amarelinho, colou os olhinhos no chão e eu pensei em pensamento futebolês:
- Portugal 1, Alemanha 0.

Curtas do Metro - Tentativa de Assassinato por Esmagamento


Tentativa de Assassinato por Esmagamento
Manhã muito bem disposta. Conversa animada entre a saída do comboio e a entrada no Metro. Vou eu, o RB e a Mulher Vampiro*. De repente, quando nada o fazia prever, sem motivo aparente, a Mulher Vampiro atira-se violentamente para cima de um simpático e incauto passageiro que fica esmagado entre a figura negra e sólida da Mulher Vampiro e as costas do banco. Por momentos, pensei que ia mordê-lo no pescoço!
Ela reequilibrou-se como pôde e nós, como bons cavalheiros, pedimos desculpa ao senhor em nome dela. Fizemos ali um bocado de conversa a ver se ele percebia que ela não era má pessoa. enfim, teve um momento de excesso... ou de fraqueza! Viro-me para o RB e digo:
- Achas que foi de propósito?
- Não. Desequilibrou-se com o arranque do Metro.
- Ah, pois. És capaz de ter razão!

Demos um cartão do blogue ao passageiro que, quando saiu, levava um ar bem disposto. Ou isso, ou estava aliviado por se ver livre da fúria da Mulher Vampiro!

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*Para quem a não conhece aqui das Curtas do Metro, trata-se de uma personagem do Clã do Comboio. Para a conhecer melhor, clique aqui.

12 de Abril - O dia em que se quebraram barreiras!

Amigos, 12 de Abril foi dia de quebrar barreiras neste cantinho. Mails para a minha Irmã superou a barreira das 20000 (vinte mil) visitas num total de mais de 45000 (quarenta e cinco mil) visualizações, mas não nos ficámos por aí. Foi também o dia em que pela primeira vez se superou a barreira das 300 (trezentas) visualizações no mesmo dia. Como recompensa, uma vez que, ao que parece, as pessoas vêm cá para ler, publicaram-se histórias diversas o que se repetirá hoje uma vez que está na calha para o fim do dia a publicação de uma Curta do Metro e de uma História do Autocarro 28. Ambas muito curiosas.


Aos leitores, um muito obrigado pela presença assídua.

jpv

Contador, ontem, às 12:30h

Resumo do dia 12 de Abril com 304 visualizações

O Clã do Comboio - Água Fria

Miguel Iago*

Água Fria
Foi uma manhã diversificada. Igual a todas as outras em tudo, excepto no ritmo.
Comecei por ler. Ler às 7:18 faz bem ao espírito. Ia tranquilamente a devorar "A Tia Júlia e o Escrevedor" quando entraram, em Santarém, os três amigos que querem salvar o mundo. Vinham perfeitamente desinquietos e dispostos a arruinar a tranquilidade da carruagem. E conseguiram. Quer dizer, o VM e o RB conseguiram. O J limitou-se a dormir. É engraçado porque o VM e o RB conseguem que ninguém durma menos o J que vai ao lado deles e ferra o galho na mesma. O RB, cujo regresso se assinala com alegria após o nascimento do Miguel Iago, começou por conceder-me autorização para publicar a foto do já célebre quarto amigo que quer salvar o mundo. É uma preciosidade, como se vê. O RB, que é um babado, merece! O pequeno Iago talvez merecesse um pai com mais juízo, mas não era a mesma coisa, o RB vai ser um pai espectacular. De resto, o tipo tem provas dadas: este é o terceiro! Eh valente!
Depois o VM lembrou-se de contar uma anedota em que cita um tipo que cita Shakespeare: "O sono é a antecâmara da morte." E daqui para a frente não conto mais porque é impronunciável e há crianças que visitam este blogue, um lugar de frequência séria e distinta! Depois, fizeram várias e jocosas tentativas para me envergonhar junto dos outros passageiros. Sem resultados, claro, porque já toda a gente percebeu que o único tipo idóneo naquela conjugação é o reputado escritor. "Do alto da sua ignorância", o VM distribuiu boa disposição e um humor de fino recorte... qualquer coisa!
Isto já ia animado e desassossegado e motivos de conversa não faltavam. Talvez por isso, o maquinista resolveu fornecer mais um e esqueceu-se de parar numa estação. A malta a pensar, "Boa, poupam-se uns minutos! A malta a pensar mal. O comboio parou. Fez marcha atrás até à estação e lá embarcaram os tipos que deviam ter perdido o comboio. É claro que nasceram logo ali teorias diversas. E o J a dormir!

Até que chegou o momento da viagem. O RB começou a gabar-se de que passava melhor a ferro do que eu, o que duvido, mas concedo. E é nesse momento que o J acorda e remata desta forma a sessão de tagarelice gratuita:
- Um dia, ainda o vemos a passar a ferro e a cantar "Água fria..."
Gargalhada geral. Ficou o livro por ler, mas não faz mal até porque, pelo meio, dissemos mal à fartazana dos tipos do FMI. E isso, meus amigos, não tem preço!

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*Excepcionalmente, a foto que acompanha todas as histórias do Clã do Comboio foi substituída por esta. Acho que a razão é suficientemente forte: é o esplendor da vida! A sua publicação foi, feliz e simpaticamente, autorizada pelos papás babados!


Curtas do Metro - Nega


Nega

Em casa pediram:
- Se hoje viesses um bocadinho mais cedo, jantávamos todos juntos. O miúdo* está cá, mas logo à noite já vai embora.
- Está bem, vou tentar.

Tentar ir mais cedo é viajar no interregional das 17:18 para estar em casa por volta das 19:15.
Saí do trabalho, cheguei ao Cais do Sodré com tempo, segui para a Baixa/Chiado onde cheguei também com tempo. Só um breve trajecto até Santa Apolónia me separa do comboio e do tal jantar em família. Na estação de Baixa/Chiado, o painel electrónico de letras deslizantes avisa:

"A circulação está interrompida por motivo de avaria em comboio. Tentaremos retomar num período inferior a 15 minutos."

Podem ter tentado, mas não conseguiram. Cheguei tarde. Foi uma nega do Metro de Lisboa!

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*A última vez que contei, o miúdo tinha 20 anos!

Lisboa

Hoje decidi andar um pouco à hora do almoço. Meti-me no eléctrico, saí no Terreiro do Paço e andei pela enorme praça sorvendo o sol, bebendo a luz, extasiando com o azul intenso do rio, admirando o porte elegante e longínquo da ponte. Estava sem ar. Esta cidade continua a maravilhar-me. Renovadamente.
Caminhei sem qualquer destino, seguindo o impulso das passadas entre a praça e o rio e o arco e a praça outra vez, até que consegui dizer alto para me ouvir a mim mesmo:

- Quem viva nesta cidade não vai querer viver em mais lado nenhum. Lisboa é assim!


Curtas do Metro - Headphones Girl


Headphones Girl

Um dia, sem querer, dei-lhe uma pancada com o braço na cabeça. Ia-lhe desmontando os headphones. Ela reclamou qualquer coisa em inglês e eu pedi-lhe desculpa AQUI e dei-lhe um cartão com o endereço do blogue.
Passou a cumprimentar-me. Entretanto, vá se lá saber por via de que voltas, a vida trocou-nos o passo e nunca mais nos vimos.
Hoje, ia a subir as escadas rolantes da estação do Metro do Cais do Sodré, ela passou por mim vinda de trás, abriu um sorriso imenso e disse cristalina e bem audível:
- Olá!
- Olá para ti também!
E foi à sua vida, a rapariga com os headphones.

Vamos ter uma Criança

Não, amigos, não é nada do que estão a pensar!

É só mesmo este blogue a prestar um Serviço Público!

De Negro Vestida - LXXVI


Abandonar o Negro – XIII

Um telefonema breve e Gininha desmarcou tudo, tirou da frente a montanha de afazeres e combinaram encontrar-se na pastelaria do costume de outros tempos e ela poderia conhecer o garboso pretendente, o viúvo de Maria de Lurdes. Fez-se esperar. Queria causar uma impressão avassaladora ao entrar na pastelaria. Trazia umas sandálias de salto altíssimo às tiras de cabedal com umas pedras coloridas ao centro, percorrendo o peito do pé, calças de ganga elásticas e justíssimas ao corpo, uma túnica em azul-clarinho semitransparente presa por baixo do peito permitia entrever o sutiã com ramagens da mesma cor. Um cinto larguíssimo com um símbolo Maia a fazer de fivela. 

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O Romance "De Negro Vestida" foi publicado, capítulo a capítulo, neste blogue, entre 26 de janeiro de 2010 e 22 de abril de 2011.

Agora que conhecerá outros voos, nomeadamente, a publicação em livro, deixamos aqui um excerto de cada capítulo e convidamos todos os amigos e leitores a adquirirem o livro.

Obrigado pela vossa dedicação.

Setembro de 2013

João Paulo Videira

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