O Clã do Comboio - A Senhora das Laranjas Frescas

A Senhora das Laranjas Frescas

Fim de tarde quente em dia de emoções diversas a terminar num misto de realização e cansaço. Quando subo as escadas rolantes para o interregional das 18:18, o RB surpreende-me com uma simulação de assalto por esticão. Rimos e começamos a converseta mesmo antes de entrarmos na grande lagarta metálica.

Assim que entrámos na carruagem, o odor foi inconfundível, refrescante e agradável. Como que ajudou a recentrar a tranquilidade da alma. Cheirava a laranjas frescas. A Senhora das Laranjas Frescas tinha acabado de as comer, a Rapariga do Riso Fácil estava sentada ao lado dela e o odor do citrino perfumava o espaço.

Naturalmente, como já vai sendo hábito e com a humildade que nos carateriza, o Escritor e o RB deram avisados conselhos à Rapariga do Riso Fácil sobre como gerir a sua vida, particularmente, no campo dos afetos. Ela, como é simpática, vai fingindo que nos dá atenção. A Senhora das Laranjas Frescas estava claramente entre a tentação de ouvir até onde iriam as nossas parvoíces e a de nos atirar comboio fora. Ficou. Riu-se connosco. Baixou um pouco a guarda e quando se despediu de nós em Vila Franca de Xira, disse-nos que fazia aquele trajeto todas as quartas-feiras e teria muito gosto em usufruir da nossa companhia. Enfim, esta segunda parte não estou certo que ela a tenha dito, mas juro que lhe ouvi as palavras bailar no olhar e no timbre cristalino com que se despediu. Se é verdade que pode ter-nos achado um caso perdido de tolice, também é verdade que o Clã do Comboio tem um charme irresistível e uma contagiante alegria de estar.

Quem era esta Senhora das Laranjas Frescas? Para além de uma pessoa paciente, deixou uma sensação de simpatia e elegância no nosso cantinho. A pele tinha um tom de bronze suave, lábios finos e delicados num rosto magro de olhos rasgados e doces. Magra. Alta. Um porte quotidiano, mas a fugir à banalidade. Calçava sandálias, vestia calças de ganga e uma blusa de seda verde a cair-lhe com leveza pelo tronco onde, quase jurámos, O Escritor, o RB e o Rapaz do Fato Cinzento, não pontificava sutiã. E é por isso que ela tem de voltar. Só ela pode revelar este facto e desfazer a lancinante dúvida com que nos deixou. Tinha o cabelo apanhado atrás e um pescoço esguio e alto. Mas foi a doçura dos olhos que nos cativou, isso e a sugestão e, claro, aquele perfume de laranjas frescas com que nos brindou à entrada e muito depois de já ter saído.

É claro que o RB, como sempre faz, tentou logo incluí-la no Clã, fazê-la membro honorário das quartas-feiras. É um simpático o RB. Ou isso ou então ficou toldado com... as laranjas!

Bem-vinda ao Clã do Comboio, Senhora das Laranjas Frescas. E volte sempre. Com ou sem... laranjas.

Acho Estranho - Poupar para... Empobrecer!

Não percebo nada de economia, mas acho estranho, juro que acho muito estranho que poupar possa levar ao empobrecimento das famílias, das sociedades, das nações. Um dia destes, na sequência da preparação de um texto expositivo-argumentativo, um aluno do Ensino Secundário fez uma investigação que, com orgulho e preocupação, apresentou à turma.

A historieta rezava mais ou menos assim...

Naturalmente, as famílias precisam de consumir.
Contudo, porque precisam de poupar por via da sua gritante perda de poder de compra, cortam em todas as áreas de consumo.
Para poderem consumir precisam de ter trabalho para produzir e ganhar dinheiro.
Para terem trabalho e receber dinheiro por ele, a empresa onde trabalham tem de vender o produto.
Como os trabalhadores não consomem porque não podem, a empresa não vende!
Não vendendo, a empresa não tem dinheiro para pagar salários.
Como não tem dinheiro para pagar salários, a empresa despede trabalhadores.
Sem outros rendimentos, os trabalhadores recorrem ao subsídio de desemprego...
Que o Estado paga para... poupar!
Logo, quanto mais o estado poupa, mais se endivida!

Estes miúdos do Secundário são uns chatos quando se põem a estudar, não são?

Acho Estranho - 2

Não percebo nada de economia, mas acho estranho, juro que acho muito estranho que Portugal seja o ÚNICO produtor mundial de porco preto e o maior exportador mundial deste suíno e seus derivados seja a... Espanha!

Cá para mim, alguém está a levar olés!

Acho Estranho - 1

Não percebo nada de economia, mas acho estranho, juro que acho muito estranho que a Pera Rocha seja um produto português da região do Oeste e os supermercados portugueses se abasteçam dela em... Espanha!!!

Cá para mim, alguém está a levar olés!

Zorro

ZORRO

Eu quero marcar um Z dentro do teu decote
Ser o teu Zorro de espada e capote
P'ra te salvar à beirinha do fim
Depois, num volte face vestir os calções
Acreditar de novo nos papões
E adormecer contigo ao pé de mim

Eu quero ser para ti o camisola dez
Ter o Benfica todo nos meus pés
Marcar um ponto na tua atenção
Se assim faltar a festa na tua bancada
Eu faço a minha ultima jogada
E marco um golo com a minha mão

Eu quero passar contigo de braço dado
E a rua toda de olho arregalado
A perguntar como é que conseguiu
Eu puxo da humildade da minha pessoa
Digo da forma que menos magoa
«Foi fácil. Ela é que pediu!»

João Gil/João Monge

O Clã do Comboio - Deve Ser Engano!

Deve Ser Engano!

São 6:55 quando estaciono o carro no Entroncamento. Gosto do fresco da manhã na face enquanto me dirijo para a estação de caminho-de-ferro. Na ponte aérea contemplo a quietude da estação de luzes ainda acesas. Quando chego, vou ao bar, peço um café cheio, aspiro-o profundamente e saboreio-o. Vejo algumas caras conhecidas e começo a entrar no dia. Mais um dia. Será especial, por certo. Todos os dias vividos são especiais.

Alguns companheiros de viagem vão chegando e saudamo-nos com sorrisos matinais e olhares predispostos a mais uma corrida. Estamos nestas primeiras trocas de impressões quando, pelo altifalante, uma voz masculina anuncia:
- Vai dar entrada na linha nº 3 o comboio regional procedente de Coimbra. Termina nesta a sua marcha.

Tudo normal. Não é o nosso, mas traz gente para o nosso. Pouco depois deu-se o episódio que originou estas linhas. A mesma voz masculina no altifalante anunciou o nosso comboio:
- Vai dar entrada na linha nº5 o comboio interregional procedente de Tomar, com destino a Lisboa, St.ª Apolónia. Efetua paragem em Santarém, Setil, Vila Franca de Xira e Lisboa Oriente.

O anúncio estava correto. Nada a dizer. O mundo no seu sítio. Estranhámos, contudo, um fenómeno. Apesar de já se ter terminado o anúncio do interregional das 7:18, continuou a ouvir-se um restolhar, um ruído de fundo no altifalante como se não tivesse sido desligado e alguém se movimentasse na sala. Até que se ouviu, em voz límpida e clara, por toda a estação:
- Fooooda-se!

Olhámos uns para os outros como que a confirmar se tinha sido verdade, entre o interrogativos e o embaraçados, quando, um pouco mais à frente, um velhote exclamou:
- Deve ser engano, não conheço nenhuma terra com aquele nome!

Curtas do Metro - Medições


Medições

Nada de extraordinário, hoje, no Metro. Por isso dediquei o tempo a medições e fiquei surpreendido. Entre o Cais do Sodré e Baixa/Chiado, o Metro demora cerca de 1m 35s. Depois, entre Baixa/Chiado e St.ª Apolónia demora cerca de 3m 45s. É evidente que se torna necessário somar algum tempo que se gasta na mudança da linha verde para a azul na estação de Baixa/Chiado.

Mesmo assim, não erro muito se disser que é possível ir de Metro desde o Cais do Sodré até St.ª Apolónia em cerca de 8 minutos. Só há uma palavra para isto: imbatível!

Sinal dos Tempos - 2

Testemunho

Afinal não foi a última vez que aqui se escreveu sobre a Madeira. E a razão é simples. Uma amiga, grande amiga madeirense, enviou-me o seu testemunho de quem vive o que se passa. Não nos é favorável, a nós continentais, mas este blogue não publica só o que é favorável. Aqui fica o testemunho:
------------------------

Neste momento, os madeirenses estão revoltados por dois motivos:

- Sentem-se enganados pelo líder...

- Sentem-se ostracizados pelo continente, que os trata como se fossem os culpados dos "desmandos" do chefe, esquecendo que Portugal é escória da Europa por desmandos dos "chefes" que o têm governado.

Resultado? Antes o líder, que os compatriotas a fazerem guerra!!!

Eu sinto, como ilhéu. Eu digo-te e escrevo, como ilhéu. Eu sofro, como portuguesa-ilhéu, a quem as críticas dos portugueses do continente ferem demasiado, como se fossem farpas de colonialistas/feudais-irmãos.

Nós, madeirenses, vivemos um período conturbado: raiva intensa e sofrimento. A lembrar a angústia pessoana: uma inquietude estranha e a falta de um porto seguro que não seja o "eu" dividido, fragmentado e... estranhamente exausto de acreditar que há esperança.

Porém, acredita, antes acreditar num homem que se endivida e mente, em prol da terra que governa, do que defender quem quer que seja que nos hostiliza e trata como portugueses de segunda categoria. já basta!!!

Leitora de Mails para a minha Irmã

Publicidade Gratuita

Esta é a nossa primeira e última contribuição para este peditório. E só porque é costume da casa divulgar publicidade original e bem humorada.

Podem comentar, se quiserem. Eu, apesar da seriedade do assunto, consegui fazer um sorriso.

Informação Geográfica

Como sair de Repente para Kagar?
Assim:Localidades situadas na Alemanha.
Este Blogue é um nunca mais acabar de serviço público gratuito!

Êxtase

Tu és a dúvida
Do crente,
Uma porta aberta
Para o pecado.
Tu és o caminho
Do futuro
Em doces êxtases
Traçado.

Tu és a delícia.
Tu és a tentação
Incendiada na carícia
Dos corpos em comunhão.

E é contigo
Que me quero perder
Na floresta do amor,
Esse breu!
E encontrar-me morto
E saciado.
Meu corpo tombado, enfim,
Junto ao teu.

Sinal dos Tempos

Um dia destes deram-me este papel à entrada do Metro do Cais do Sodré.
Sinal dos tempos!

21 de Setembro - Dia Internacional da Paz

The International Day of Peace was established in 1981 by resolution 36/67 of the United Nations General Assembly to coincide with its opening session, which was held annually on the third Tuesday of September. The first Peace Day was observed in September 1982. In 2001, the General Assembly by unanimous vote adopted resolution 55/282, which established 21 September as an annual day of non-violence and cease-fire. The UN invites all nations and people to honour a cessation of hostilities during the Day, and to otherwise commemorate the Day through education and public awareness on issues related to peace.


---------------------------------------

La Journée internationale de la paix a été décidée en 1981 en vertu de la résolution 36/67 de l’Assemblée générale des Nations Unies pour cadrer avec sa séance d’ouverture, qui se tient annuellement le troisième mardi de septembre. La première Journée de la paix a été observée en septembre 1982. En 2001, l’Assemblée générale a unanimement adopté la résolution 55/282, établissant le 21 septembre comme journée annuelle de non-violence et de cessez-le-feu. Les Nations Unies invitent tous les pays et tous les peuples à respecter l'arrêt des hostilités durant cette Journée et à la commémorer aves des mesures éducatives et de sensibilisation du public aux questions liées à la paix.


---------------------------------------

O Ciclo da Vida... Matrimonial!

Uma amiga envou-em por mail. O texto não está assinado, mas é delicioso. Leiam até ao fim. Vale a pena! E... divirtam-se!

Mulher - Onde vais?
Homem - Vou sair um pouco.
Mulher - Vais de carro?
Homem - Sim.
Mulher - Tem gasolina?
Homem - Sim.... coloquei.
Mulher - Vais demorar?
Homem - Não... coisa de uma hora.
Mulher - Vais a algum lugar específico?
Homem - Não... só andar por aí.
Mulher - Não preferes ir a pé?
Homem - Não... vou de carro.
Mulher - Traz-me um gelado!
Homem - Trago... que sabor?
Mulher - Morango.
Homem - Ok... na volta pra casa eu passo na loja e compro.
Mulher - Na volta?
Homem - Sim... senão derrete.
Mulher - Passa lá agora, compra e deixa aqui..
Homem - Não... é melhor não! Na volta... é rápido!
Mulher - Ahhhhh!
Homem - Quando eu voltar eu como um contigo!
Mulher - Mas tu não gostas de morango!
Homem - Eu compro outro... de outro sabor.
Mulher - Assim fica mais caro... traz de ananás!
Homem - Eu também não gosto de ananás.
Mulher - Traz de chocolate... nós os dois gostamos.
Homem - Ok! Beijo... já venho....
Mulher - Ei!
Homem - O que é?
Mulher - Chocolate não... Flocos...
Homem - Não gosto de flocos!
Mulher - Então traz de morango pra mim e do que quiseres pra ti.
Homem - Foi o que eu sugeri desde o princípio!
Mulher - Estás a ser irónico?
Homem - Não, não tou! Vou indo.
Mulher - Vem cá dar-me um beijo de despedida!
Homem - Querida! Eu já venho... depois.
Mulher - Depois não... quero agora!
Homem - Tá bom! (Beijo.)
Mulher - Vais no teu carro ou no meu?
Homem - No meu.
Mulher - Vai com o meu... tem leitor de cd... o teu não!
Homem - Não vou ouvir música... vou espairecer...
Mulher - Tás a precisar?
Homem - Não sei... vou ver quando sair!
Mulher - Não demores!
Homem - É rápido... (Abre a porta de casa.)
Mulher - Ei!
Homem - Que foi agora?
Mulher - Bolas!!! Que bruto! Vai, vai-te embora!
Homem - Calma... estou a tentar sair e não consigo!
Mulher - Por que queres ir sozinho? Vais-te encontrar com alguém?
Homem - O que queres dizer com isso?
Mulher - Nada... não quero dizer nada!
Homem - Que é... achas que te estou a trair?
Mulher - Não... claro que não... mas sabes como é?
Homem - Como é o quê?
Mulher - Homens!
Homem - Generalizando ou falando de mim?
Mulher - Generalizando.
Homem - Então não é meu caso... sabes que eu não faria isso!
Mulher - Tá bem... então vai.
Homem - Vou.
Mulher - Ei!
Homem - Que foi, porra?
Mulher - Leva o telémovel, estúpido!
Homem - Pra quê? Pra ma estares sempre a ligar?
Mulher - Não... caso aconteça algo, tens o telémovel.
Homem - Não... deixa estar...
Mulher - Olha... desculpa pela desconfiança, estou com saudades, só isso!
Homem - Ok, meu amor... Desculpa-me se fui bruto. Amo-te muito!
Mulher - Eu também! Posso cuscar no teu telémovel?
Homem - Pra quê?
Mulher - Sei lá! Jogar um joguinho!
Homem - Queres o meu telémovel pra jogar?
Mulher - É.
Homem - Tens a certeza?
Mulher - Sim.
Homem - Liga o computador... tá cheio de joguinhos!
Mulher - Não sei mexer naquela lata velha!
Homem - Lata velha? Comprei-o o mês passado!
Mulher - Tá..ok... então leva o telémovel senão eu vou cuscar...
Homem - Podes mexer à vontade... não tem lá nada, mesmo...
Mulher - É?
Homem - É.
Mulher - Então onde está?
Homem - O quê?
Mulher - O que deveria estar no telémovel mas não está...
Homem - Como!?
Mulher - Nada! Esquece!
Homem - Tás nervosa?
Mulher - Não... não tou...
Homem - Então eu vou!
Mulher - Ei!
Homem - O que ééééééé, porra?
Mulher - Já não quero o gelado!
Homem - Ah é?
Mulher - É!
Homem - Então eu também já não vou sair!
Mulher - Ah é?
Homem - É.
Mulher - Boa! Vais ficar aqui comigo?
Homem - Não ...tou cansado... vou dormir!
Mulher - Preferes dormir a ficar comigo?
Homem - Não... vou dormir, só isso!
Mulher - Estás nervoso?
Homem - Claro, porra!!!
Mulher - Porque é que não vais dar uma volta para espairecer?!?!...

Questões de Fonética

Ouvido de passagem a duas almas inocentes:

- Vens ter comigo cá à gare do Oriente?
- Não. Espero por ti em Alverca gare.

A Antologia do Piropo - 2


"Ó linda, acreditas em amor à primeira vista ou tenho de passar por aqui mais uma vez?"

O Rating de Mails para a minha Irmã

Caros Amigos e Leitores,
Num mundo onde a Internet tem, cada vez mais, um peso e uma presença significativos na nossa vida, achei interessante saber como se posiciona mundialmente Mails para a minha Irmã.

Os dados não são meus, naturalmente. Fiz uma pesquisa e uma consulta a algumas empresas que estudam o fluxo de tráfego da Internet e cheguei às seguintes conclusões:

Segundo a
Netcraft Web Server Survey, em dezembro de 2010 havia 266,848,493 websites disponíveis e ativos.

Ora, destes mais de duzentos milhões, segundo a
Alexa - The Web Information Company, Mails para a minha Irmã ocupa o lugar 20,324,308.

Esta classificação é calculada pelo número de visitas, pela amplitude geográfica da localização dos visitantes e pelos websites de proveniência.

Resumindo, se houvesse 100 websites, nós estávamos nos dez primeiros!!!

Muito Obrigado! E voltem sempre!

Curtas do Metro - O Legado de Eva

O Legado de Eva

O Metro anda diferente. Pelo menos, em algumas estações. Acho que, através de um acordo com a PT, foi instalada uma linha de luz intensa de cor azul metálica ao longo da plataforma. A ideia é, por um lado, fazer publicidade à PT cuja cor publicitária relacionada com as zonas de acesso WiFi é o referido azul e, por outro, criar um alerta luminoso entre o espaço entre a plataforma e a carruagem. O efeito é engraçado porque a luz acende-se quando o Metro chega e apaga-se assim que parte. Faz lembrar o ambiente tecno e metálico criado no filme "Tron Legacy", ou seja, "O Legado de Tron".

Estava nestas reflexões, sobretudo a pensar em tirar uma foto, que tirei mesmo, e passar a colocá-la nas Curtas do Metro em vez da que tenho usado, quando o Legado de Eva se sobrepôs na minha atenção e no meu campo de visão ao do Tron!

Chegou uma moça, aí com os seus 18 anos, mais coisa, menos coisa, blusa de cavas, sandálias destas novas que quase só têm a sola e uns calções de ganga muito curtos, desfiados, com pedacinhos de tecido pendentes. Tinha um tom de pele bronzeado, era magra, olhos verdes, cabelos escuros, lisos e compridos.

Tudo isto é normal. O que não era normal é que levava uma folha como, ao que parece, Eva trazia no Jardim do Éden. Com uma diferença. Esta folha não estava à frente, estava atrás, por cima dos calções, teimosamente enfiada entre as nádegas. Algumas pessoas repararam e entreolharam-se, mas ninguém teve coragem de lhe dizer, Olhe, desculpe, tem uma folha enfiada no rabo!

Ninguém, não é bem assim. Houve um jovem que se aproximou dela cheio de coragem e com um ar sério e apreensivo lhe disse:
- Desculpe, tem uma folha aí atrás.
E quando disse aí atrás, apontou com o dedo para o rabo dela. E foi então que se revelou o Legado de Eva. Há coisas que herdamos e não acontecem por acaso. Ela olhou-o, sorriu e respondeu:
- Ah, não faz mal. É de propósito!

O Clã do Comboio - 1º Almoço do Clã do Comboio: O Evento.

1º Almoço do Clã do Comboio: O Evento.

Fantástico! Fabuloso! Como disse o Escritor no seu breve e interrompido discurso: o ser humano no seu melhor!

O dia amanheceu fresco, mas brilhante de luz. E o azul do Tejo largo e tranquilo ganhou uma outra dimensão. A dimensão da capacidade dos homens se mobilizarem em nome da união e da solidariedade. Fomos chegando aos poucos, cumprimentos e abraços e apresentações dos cônjuges e amigos que, não sendo viajantes diários do interregional das 7:18, quiseram vir conhecer o Clã do Comboio. Alguns elementos do Clã que haviam dito não poder estar no almoço, surpreenderam-nos com a sua presença e, em vez de 16, fomos 18 à mesa mais três crianças. A sombra dos choupos entrecortada por breves raios de sol criou um ambiente ameno e idílico para o almoço. E, registe-se, o 1º Almoço do Clã do Comboio foi ao ar livre, na Praia Fluvial do Alamal, em Belver. Fomo-nos sentando, entre sorrisos, graçolas e invocações de episódios de viagem, agora vistos à distância, com o Tejo por testemunha. Passou um comboio ao longe e fizemos uma festa. Levantámos os braços e dissemos aahhhh! A criança em nós também tinha vindo. Ainda bem que conseguimos manter essa sanidade da mente.

Apresentámos o Iago ao Iago e foi um momento único, o Iago de 21 anos empurrando o carrinho do Iago de 5 meses e meio. O Senhor da Mala Térmica apareceu para nossa agradável surpresa e trouxe com ele... o quê... a Mala Térmica! E dentro dela um delicioso bolo e duas garrafas de champanhe. Mais abraços e risos se trocaram. As roupas eram menos formais, mas isso não interessa muito. Já todos nos conhecemos bem. A Mamã das Duas Crianças em vez de uma, trouxe mesmo as duas crianças e uma delas, o António, tentou comer a areia toda da praia. A Rapariga do Riso Fácil trouxe o mano e a afilhada do VM e o seu momento alto foi quando agarrou na bandeja de servir e andou distribuindo cafés por toda a gente. Venha a crise que a Rapariga do Riso Fácil está sempre safa! O Rapaz do Fato Cinzento fez-nos uma surpresa memorável: trouxe um bolo com o nosso comboio desenhado. Hoje substituí a habitual imagem do comboio que coloco nestas histórias por uma foto do bolo que ele trouxe. Era preciso eternizar o gesto dele. O RB apresentou-nos o seu pequeno mundo de afetos: o Iago e a mulher dele que se integrou muito bem. O VM apresentou a sua paixão de uma vida. É indisfarçável a ternura que nutrem um pelo outro. E esse, é o único ouro da vida! É simpática e pequenina, a mulher do VM. Tão pequenina que da próxima vez ele vai trazê-la num daqueles marsupiais de transportar os bebés! A PL, além do marido, trouxe amigos que nos quiseram conhecer e todos perceberam que era fácil conviver com o Clã: basta sorrir ao milagre da vida! A PL trazia um sorriso iluminado e o entusiasmo na voz. A Senhora da Revista de Culinária trouxe... o que é que ela trouxe? A maior máquina fotográfica do almoço. E acho que nos apanhou em poses comprometedoras. Vou vigiar o Facebook dela nos próximos dias!

Depois das entradas, comemos Lúcio-Perca (grelhado) e Sável (frito) pescados no Tejo. Acompanharam muito bem com açorda de ovas e salada de alface e tomate. Bebeu-se tinto e branco e brindou-se ao tempo passado e ao que está para vir, brindou-se aos que estavam e aos que não puderam vir. Relembrámos os nossos amigos de viagem. Atacámos os bolos e fizemos uma foto de grupo que pedi para publicar. Houve um artista que não autorizou, mas eu desrespeitei-o... hahaha...

Se eu quisesse escolher uma palavra para condensar nela o espírito que atravessou todo o almoço, eu diria sintonia. Foi uma refeição muito agradável, sempre atravessada pelo humor, pelas histórias partilhadas, por olhares brilhantes, por sorrisos abertos, gargalhadas cristalinas. Houve um claro clima de tranquilidade e leveza que transportou o 1º Almoço do Clã do Comboio para a esfera do ser humano no seu melhor. Isto, em si, é já valioso, mas num tempo em que tantas vezes se vê o ser humano no seu pior, adquire uma dimensão maior.

E veio a altura do passeio a pé. O Clã do Comboio e amigos percorreu um passadiço de madeira construído ao longo do rio. Tem cerca de 3km de comprido. Ou seja, andámos 6km para ir e vir. O VM trouxe o António às cavalitas. O António entreteve-se a "penteá-lo". O Rapaz do Fato Cinzento mostrou-se exímio com carros de bebés e levou e trouxe a pequena Inês. Com a ajuda do Escritor, claro. Estiveram quase a assumir a sua relação gay, mas contiveram-se. As conversas multiplicaram-se. O olhar da Rapariga do Riso Fácil espelhava o brilho do rio e o Senhor da Mala Térmica caminhava e pescava ao mesmo tempo. E a Senhora da Revista de Culinária... tirava fotos... ai, ai...

Por fim, mitigámos a sede com água fresca. Abrimos os braços e a voz e despedimo-nos com alegria usando uma expressão não combinada, mas que todos apadrinhámos: até segunda-feira!

É preciso agradecer à Rapariga do Riso Fácil a organização da parte do evento que disse respeito ao almoço. E é preciso agradecer cada gesto, cada frase, cada abraço, a todos os presentes.

Termino com uma frase que disse o Rapaz do fato Cinzento a meio do almoço: Conheci-vos há dois meses, que vivam muitos anos felizes!

Até segunda!

"O Espírito do Clã do Comboio"

A Antologia do Piropo

O piropo é como todas as coisas: desrespeitoso e boçal, não tem piada nenhuma. Com imaginação e inofensivo, pode arrancar-nos um sorriso. Como todos sabemos, o inventor do piropo é o Técnico de Construção Civil, mais vulgarmente conhecido por trolha. Ora, eu tenho um amigo que defende que não podemos ignorar a existência do piropo por duas razões simples: a primeira é que habita em cada homem um trolha atravessando um andaime sem proteção com dois baldes de massa nas mãos e um cigarro meio fumado preso entre os dentes amarelos a sobressair da vermelhidão do rosto e do pescoço; a segunda é que habita em cada mulher uma jovem esbelta e curvilínea, de saia curta e salto alto que deixa escapar um meio-sorriso vitorioso quando é alvejada por um piropo criativo.

Eu acho que o meu amigo tem razão. Ainda que os exemplos dele sejam satíricos, no fundo, no fundo, as mulheres gostam de ver reconhecido o seu esforço para se parecerem melhor que as outras mulheres e os homens não se importam nada de fazer de juiz em semelhante concurso.

O problema do piropo é que anda por aí muito piropo criativo e interessante misturado com frases sem elegância nenhuma, nem piada alguma. É por isso que criámos este espaço: A Antologia do Piropo. A ideia é recolher os mais interessantes, inofensivos e engraçados dardos da linguagem trolheira atirados à femina graça enquanto passa.


Aceitam-se, pois, contribuições por e-mail para mailsparaaminhairma@gmail.com.


E, como não podia deixar de ser, abrimos as hostilidades com a primeira pérola dessa tão depreciada quanto interessante cultura: a cultura do piropo do trolha. Cá vai:

"Ó jóia, anda cá ao ourives!"

O Clã do Comboio - Saudação!

Saudação!

Bom-Dia Humanos!
Nasceu o dia em que vai realizar-se o 1º Almoço do Clã do Comboio! Será, sem dúvida, um dia glorioso de partilhas e gargalhadas e cumplicidades. E aqui se fará pormenorizado relato do evento.

Menos de um ano depois dos primeiros contatos informais, das primeiras palavras trocadas, das primeiras conversas, o Clã do Comboio reúne-se em animado repasto para partilhar a sua humanidade e a sua alegria de viver. Sim, há problemas. Sim, afetam-nos a todos. Não, não nos resignaremos nem nos deixaremos abater. A nossa humanidade, a capacidade de partilha e a vontade de dar vivas à vida são maiores do que os problemas.

Seremos 16 à mesa mais duas criancinhas: a pequena Inês e o pequeno Iago. E talvez venha acontecer que, pela primeira vez na História de Portugal, haja um almoço com DOIS IAGOS à mesa. Não há como ignorar o poder resiliente deste Clã.

Uma saudação a todos os leitores e, em particular, a todos os trabalhadores que quotidianamente usam o comboio para chegar ao trabalho.

jpv

Com Amor, - Documento 51


Errado, Rui, errado.
Nada nasce do acaso. Em última análise, foi mesmo e só um engano, mas e se não fosse? Que razões estariam por trás de um lapso desse tipo? Sendo a mensagem privada e importante, seria de presumir que tivesse todo o cuidado no envio, a menos que possa inferir-se que, na sua cabeça, ou no seu coração, ou num recôndito qualquer das suas intenções, quereria, gostaria, de enviar-me uma mensagem com aquele teor.
Ok. Fui demasiado longe! Peço desculpa. Só escrevi para dizer que já apaguei o e-mail e que já nem me lembro dele.
Volte tranquilo à sua vida.
Ai, ai, os homens...
Laura.

Com Amor, - Documento 50


Laura,
Retomo, sem querer voltar a ele, o assunto do meu engano porque me esqueci de comentar uma frase sua que me pareceu deveras intrigante: "Não sei porque se enganou..."
Um engano é um engano. Não há outra razão para que exista. Certo?
Rui.

Com Amor, - Documento 49


Verónica,
A tua vida já corre desenfreada e está tomando conta de ti, da tua existência. Isso quer dizer que estás no caminho certo.
Voa, minha amiga, voa...
Desejo-te tudo de bom. Todas as realizações.
Rui

Com Amor, - Documento 48


Meu homem Rui,
Agora sim, apaixonada.

Tranquila e serenamente apaixonada.

A vida é tão bela com serenidade, Rui. Sem sobressaltos. O Eduardo passeou comigo de mão dada pelas Ramblas, visitámos o Parque Guel, a Sagrada Família, comemos paella numa ruela estreita nos arredores da Catedral de Barcelona. À noite fomos assistir a um espectáculo musical eo amor... Rui... o amor... as pessoas encontram outras formas e outros caminhos e outros ritmos para as carícias e são sempre formas íntimas de entrega.

Ele quer conhecer os meus filhos, Rui. Parece um jovem entusiasmado com a perspectiva de uma nova família. Quis partilhar contigo porque... porque tu és tu!

Com carinho,
Verónica.

A tua Alma. O meu Amor.

Ainda não tinha visto em ti o rasgo. Este rasgo. Conheço-te outras formas de excelência. Esta, mesmo diante dos olhos, passara-me sempre despercebida. Acontece que as obras de arte são o espelho dos seus autores. São fragmentos, estilhaços de sangue, de dor, de parto desconhecido, de dedicação, de amor vencido, de ternura, de perdição, de loucura, de lágrimas pelo chão, de risos inflamados, de momentos capturados. Talvez porque o tempo me deixou conhecer-te melhor a alma e os caminhos sinuosos que há nela, como em todas, hoje olhei para a tua obra e vi-te a ti. Não terá sido uma epifania. Antes uma revelação atrasada que espero não seja fora de tempo. Se soubesses como quero que a vida te sorria... se soubesses, como eu sei, que tens de participar nesse sorriso... se pudesse ensinar-te tudo o que adiei, todas as coisas que não semeei em nós, fá-lo-ia. Não há medida para o amor. Ainda bem. Se houvesse, não mediria tudo o que te amo e quero. Se precisares, pede-me a vida. Não a concebo sem ti. E se houver Deus, e se esse Deus que houver souber dos homens o que deles há para saber, levar-me-á primeiro. Isso é o que te amo. O valor da vida toda.

A Simpatia no "Cais de Belém"

O dia 11 de setembro, cá em casa, é dia de diversos aniversários. O mais importante, sem dúvida, é o do filhote. Chamo-lhe filhote com aquela ternura dos pais babados e orgulhosos na sua prole, mas o tal filhote já fez 21...

Para assinalar a data, fomos dar um passeio pelos jardins de Belém e acabámos a almoçar no restaurante "Cais de Belém", em pleno jardim. No final eu disse ao senhor:
- Por favor, se puder ser, acrescente o valor da chávena de café porque eu sou colecionador e gostaria de levá-la.

Era uma chávena da Segafredo, com um design interessante. Quando o senhor regressou, informou simpaticamente:
- Não vou colocar nada na conta. Aqui tem a chávena que pediu e uma vez que é colecionador ofereço-lhe também esta que tem o nosso símbolo.

E pronto, como a simpatia, às vezes, já vai escasseando, resolvi deixar nota da forma simpática como foi tratado o colecionador que há em mim... Já agora, têm chávenas giras?

O Coração Está na Moda

Há momentos em que os criativos são impelidos pelas mesmas forças e pelas mesmas ideias. Tirei esta foto na estação do Metro de Stª Apolónia. Pelos vistos o coração está na moda e continua a inspirar a arte da publicidade. Quer a Vodafone, quer o Centrum, por razões diferentes, resolveram apelar ao coração dos portugueses. Ao coração... e à carteira!

[foto de péssima qualidade, tirada com o telemóvel e o Metro em movimento... pois.]

Sugerido

Alicante

Une orange sur la table
Ta robe sur le tapis
Et toi dans mon lit
Doux présent du présent
Fraîcheur de la nuit
Chaleur de ma vie"
Jacques Prévert

A Receção do Acordo

Independentemente da polémica que tem gerado, das muito debatidas problemáticas, das causas, das razões pro e contra, o acordo ortográfico entra em vigor em 1 de janeiro de 2012. No caso das escolas o começo é já no início do presente ano letivo.

Não sou um dos adeptos mais convictos do acordo, mas lei é lei.

Assim sendo, de hoje em diante os textos publicados em "Mails para a minha Irmã" passarão a ser escritos de acordo com a nova norma. Podem escapar-nos pormenores de redação e, se tal acontecer, todos os reparos são bem-vindos.

De resto, aqui fica uma ajudinha. Se quer começar a escrever respeitando o acordo ortográfico, passe os seus textos por um conversor. Quer o "lince", disponível no portal da Língua Portuguesa, quer o da Porto Editora, me parecem eficazes:


O Clã do Comboio - La Rentrée

La Rentrée

O Clã está ao rubro. Outra vez! As férias de uns, mais ou menos desencontradas, não abrandaram a convivência e a agitação destes companheiros de viagem. Houve actividades extra-curriculares. Quando regressei, no dia 1 de Setembro, fui logo informado de que o Rapaz do Fato Cinzento tinha levado a Rapariga do Riso Fácil e a PL ao Museu do Oriente e, dias depois, a jantar num simpático restaurante chinês. Neste segundo evento, a PL pisgou-se a meio do jantar. Só pode ter sido para não pagar a conta. Se pagou, então não faço ideia porque é que deixou os outros companheiros sozinhos... Uns dias depois foram comer sushi. Entretanto, o Escritor mais a sua Mulher e a sua Mana, sim a que dá nome ao blogue, foram almoçar peixinho grelhado ao Alamal com a Rapariga do Riso Fácil e seu Mano. Foi um dia precioso e memorável de que se guardam extraordinárias recordações. Claro que o facto do Mano da Mana e da Mana do Mano serem ambos solteiros é mera coincidência! E mais não digo. Sei que, alguns dias volvidos, a Rapariga do Riso Fácil e o Mano foram à Lousã, onde mora a Mana do Escritor e almoçaram com ela mais sua mãe. A coisa está engraçada.

No dia 5 de Setembro, primeira segunda-feira do mês, a CP teve o grandioso gesto de devolver as três carruagens que roubou ao Interregional das 7:18 em Junho. Isto devolveu ao Clã o seu espaço habitual. Algum conforto foi recuperado e, imagine-se, a Mulher Vampiro voltou. Foi uma alegria revê-la.

Entretanto, ultimam-se os preparativos para o 1º Almoço do Clã do Comboio que será algures num restaurante em Belver. Houve algumas alterações ao plano inicial, mas, sem dúvida, será um evento memorável! O sistema de inscrições está a funcionar muito bem, e está até a preparar-se um teatrinho! Nada menos que Shakespeare! Ah pois, a ser que seja logo em grande!

Mas, o que mais me fascina é que estão a regressar as conversas estimulantes e bem-dispostas. Hoje, o Rapaz do Fato Cinzento e o Escritor fizeram corar a Rapariga com Brinco de Pérola, em francês (!), e conhecemos uma senhora a que chamámos Isabel mesmo sem saber o nome dela. Ela ficou triste por não ser passageira frequente, mas nós achamos que ela vai mudar de vida por nossa causa!

Entretanto, o JJ anda a tentar vender Bimbis a todo o Clã. Que eu visse, já marcou uma mão cheia de demonstrações. Ele é Bimbiodependente. Acho que se levanta a meio da noite e vai fazer uma receita de chu-chu com que estava a sonhar. O vício é tal que já tem duas Bimbis. O VM vai retomando a sua veia humorística, mas, hoje, o verdadeiro herói foi o Américo. O nome dele não é Américo, mas nós chamamos-lhe Américo porque... sei lá, porque nos apetece. É uma longa história: um dia enganei-me, chamei-lhe Américo em vez do nome dele e depois ficou assim para todo o sempre. No Clã, claro. Estávamos a falar da Bimbi e do advento das tecnologias e do facto delas também falharem e vai o Américo e diz:
- Ai falham, falham! Um dia destes estava numa dessas portagens automáticas e ela só me dizia naquele tom artificial, Cartão mal introduzido. Foi então que surgiu uma voz de uma senhora que se apresentou como supervisora e ordenou, Dobre-o um bocadinho, introduza-o e retire-o de uma só vez!
Gargalhada geral. A Senhora da Revista de Culinária, que tem uma blusa toda gira com um laçarote no ombro que o VM quer desapertar para ver se lhe calha um cadeau ou um gâteau, foi às lágrimas com a história do retire-o de uma só vez. A Isabel, que não nos conhece de lado nenhum e não sabia que se chamava Isabel, não conseguiu esconder o riso e daí até ao Oriente foi um não mais acabar de contribuições voluntárias para a boa-disposição geral.

Meu Deus, as saudades que eu já tinha do trabalho! Se eu podia viver sem o Clã do Comboio? Poder, podia...

PS: a rentrée trouxe um novo e fantástico elemento ao Clã do Comboio: a Miss América. Será apresentada em breve. Promete...

O Luar Quando Bate na Relva

O Luar Quando Bate na RelvaO luar quando bate na relva
Não sei que cousa me lembra...
Lembra-me a voz da criada velha
Contando-me contos de fadas.
E de como Nossa Senhora vestida de mendiga
Andava à noite nas estradas
Socorrendo as crianças maltratadas ...
Se eu já não posso crer que isso é verdade,
Para que bate o luar na relva?
Alberto Caeiro,
in "O Guardador de Rebanhos"

31000


Obrigado a todos os leitores e amigos.
Este espaço é, antes de mais, vosso.

31000 leituras para um blogue que começou como uma brincadeira é, de facto, um número interessante e motivante!

jpv

Curtas do Metro - Contradição Vocabular

Contradição Vocabular


Há já muito tempo que não presenciava um daqueles fugazes, mas insubstituíveis momentos no Metro em que, da amálgama de normalidade, emerge uma situação digna de nota. Esta, vale pelo requinte vocabular.

Foi ao fim da tarde, na plataforma da linha amarela no Marquês de Pombal. Eram três senhoras com a idade situada ali no fim dos trinta, princípio dos quarenta. Duas estavam muito bem vestidas, cabelos arranjados, maquilhagem aprumada. E vociferavam para a terceira que estava vestida de forma mais humilde e penteado mais descuidado. Tentavam provar-lhe por A mais B que uma colega lá da clínica era desleixada, preguiçosa, não colaborava nem fazia nenhum e, ainda por cima, era queixinhas. E falavam para ela como se estivessem a ralhar com a outra. O discurso era audível e algumas pessoas sentiram-se incomodadas. Outras sorriram. E os sorrisos tinham a ver com o facto de os berros irritados delas serem produzidos em tom elevado e exaltado, mas com um sotaque afectado de "tia".

Ora, o verdadeiro contraste aconteceu quando a moça de aspecto mais humilde e desgastado fez uma última tentativa para defender a ausente. Aí, nesse momento, a mais produzida das queixosas levantou a voz e exclamou em tom muito VIP:
- E a tipa foi fazer queixa ao Dr. Ricardo, que eu não estava lá!... Então uma gaja já não pode ir fazer xixi?!

Risos abafados em volta.
Eu achei piada à contradição vocabular. É que a acompanhar com "gaja", "fazer xixi" é muito suave. Ou bem que endurecia a formulação do "fazer xixi", ou bem que suavizava a "gaja" e dizia, por exemplo, senhora gaja...

Oportuno!


Até nem gosto muito do jornal em causa, mas nunca perco uma piada do "Sistema2". São as melhores piadas da imprensa escrita/online. Muito certeiras e mordazes. Supostamente eram só sobre desporto, sobretudo futebol, mas algumas ultrapassam essas fronteiras e têm um cariz social mais abrangente como é o caso. Infelizmente para todos nós, esta é muito oportuna.

A Super-Mulher Existe!

Nasceu nos anos 40.
Sobreviveu às cheias do Tejo.
Emigrou para África.
Apaixonou-se irremediavel e eternamente e casou-se.
Teve dois filhos.
Construiu uma vida.
O processo de descolonização destruiu-lha.
Viveu uma guerra por dentro.
Refez a vida.
Educou, instruiu e formou os dois filhos.
Viu nascer um neto.
Uma grave doença do marido destruiu-lhe a vida de novo.
Refê-la outra vez.
Viu morrer o marido, paixão, até ao fim, de uma vida.
Viu morrer os pais.
Foi vítima de cancro.
Derrotou-o com coragem e determinação.
Nunca perdeu a capacidade de amar nem de sorrir à vida.
Recentemente tirou um curso de formação em computadores.
E criou a sua própria página no Facebook!
Depois disto tudo, um dia apeteceu-lhe tirar uma fotografia.
Saiu essa que aí está!
Obrigado, Mãe.
Mana e Mano

Au Clair de Lune... tudo fica mais lindo!

Clair de Lune

Votre âme est un paysage choisi
Que vont charmant masques et bergamasques
Jouant du luth et dansant et quasi
Tristes sous leurs déguisements fantasques.

Tout en chantant sur le mode mineur
L'amour vainqueur et la vie opportune,
Ils n'ont pas l'air de croire à leur bonheur
Et leur chanson se mêle au clair de lune,

Au calme clair de lune triste et beau,
Qui fait rêver les oiseaux dans les arbres
Et sangloter d'extase les jets d'eau,
Les grands jets d'eau sveltes parmi les marbres.

Paul Verlaine

O Reflexo Naso-Digital

Ao ler os comentários e e-mails dos leitores, ontem, a propósito do texto "A Síndrome da Cueca Entalada", apercebi-me de que muitos se sentem incomodados por uma outra praga social, de não menor dimensão, ainda que mais aceitável: o Reflexo Naso-Digital, também conhecido por "Limpeza das Fossas Nasais" e carinhosamente tratado por "Tirar Macacos do Nariz".

É um fenómeno que abrange uma vastíssima camada da população portuguesa e a desgraça atinge sem aviso nem discriminação de qualquer ordem. Crianças, adultos, homens, mulheres, de todas as raças e credos, presidentes de república, rainhas, princesas, políticos, médicos, enfermos, altos, baixos, bons e maus e claro, os mais desgraçadamente atingidos: os condutores de automóvel em fila de trânsito!

As crianças perdoam-se por duas razões. Primeiro, porque não sabem o que fazem. Segundo, porque estão, efectivamente, em actividades de limpeza. Já quanto aos adultos, ele há sobretudo três ordens de pacientes. Os que o fazem em privado para limpar, os que se descuidam e o fazem em público, também para limpar, e os que fazem desta prática um entretenimento público e ostensivo, quase um desporto. É para estes últimos que deve ir a nossa preocupação, o nosso auxílio e a nossa compreensão.

Estas pessoas ficam presas no trânsito e aproveitam esses minutos, quiçá horas, para essa nobre actividade que é o pensar. Ora, pode não parecer, mas o pensar dá muito trabalho. E não havendo nada que se mastigue por perto, uma vez que normalmente nada há que se coma num carro, a forma que a mente encontra para distrair o corpo, enquanto pensa, é tirar macacos do nariz. Atroz! Mas verdade!

Os recursos são diversificados. As costas da mão ou de um dedo são recursos muito utilizados por aqueles que adiante designaremos de "Disfarçados". Há os adeptos do mindinho. Estes podem, ou não, ter unha longa e um anel o que é indiferente. O que importa é que, sendo o mindinho mais delgado, permite actividades exploratórias de recolha mais bem sucedida. Há, ainda, a grande maioria que são os adeptos do indicador. Não sendo um recurso digital tão delgado quanto o mindinho, é mais comprido, logo, permite ir mais longe em menos tempo. E por fim, um requintado e conjugado recurso que a ciência apelidou de Pinça Digital. Trata-se de utilizar o indicador e o polegar em forma de pinça. A extraordinária utilidade deste recurso é que permite escarafunchar duas fossas nasais em simultâneo com grande rentabilidade de mão-de-obra, mais exactamente, dedo-de-obra.

As práticas são igualmente múltiplas e variadas. Há os Disfarçados. Estes costumam passar rapidamente com as costas da mão ou de um dedo a ver se naquele fugaz esfreganço trazem consigo o incomodativo macaco. Macaco chamado, precisamente porque é incómodo uma vez que todos sabemos que não é de macacos que se trata, mas de lixo que os pêlos nasais impedem que progrida para o interior do aparelho respiratório. Há os Arrogantes. Estes pacientes, após as actividades exploratórias, atiram violentamente o produto da busca para o chão do automóvel ou para a rua com um gesto semelhante àquele que fazíamos em cachopos quando jogávamos à carica ou ao berlinde e nem se despedem daquilo que ainda há momentos era parte integrante do seu ser. Os Laboriosos, por sua vez, são indivíduos persistentes, com grande capacidade de empenho e trabalho e, normalmente, são pessoas poupadas. Vão recolhendo pequeninos macacos e depois ficam a rodar com eles entre o indicador e o polegar até fazerem bolinhas de tamanho satisfatório. Os Observadores, ao contrário dos Arrogantes, após a recolha, viram para si o dedo com o produto e observam-no antes de o despedirem. Normalmente, estas pessoas têm espírito científico. Gostam de analisar os pormenores do volume, da forma e da cor. Por fim, há os mais requintados. A ciência Naso-Digital resolveu apelidá-los tecnicamente de Gastronómicos. Têm o espírito analítico dos Observadores, mas vão mais longe: degustam requintadamente o produto do seu labor naso-digital. Alguns destes homens e mulheres têm mesmo caderninhos pretos onde registam as notas de prova.

O mais extraordinário deste fenómeno é que pode acontecer entre uma luz encarnada e uma verde de um semáforo ou, simplesmente, até que o veículo da frente progrida mais 5 metros na fila. Nunca se deve confrontar um paciente do Reflexo Naso-Digital de forma repentina com a realidade. É perfeitamente inútil. Estes pacientes são como as pessoas que ressonam, ou seja, vivem em constante negação. Assim, se acordarmos uma destas pessoas dizendo, Então pá estás como dedo no nariz?, ou noutra versão, Então pá, vai haver baile logo à noite?, ou ainda, Então pá, estás a limpar o salão?, ela vai responder invariavelmente a mesma coisa, com um ar dissimulado: Não. Estava a pensar!

E estava. Aliás é aí que tudo começa! É por isso que eu não percebo porque é que Portugal tem problemas dos mais diversos tipos, inclusivamente, ao que parece, de cariz financeiro. A verdade é que o nosso país está repleto de pensadores. Eu sei porque vejo-os todos os dias!

Os Recantos da Mente Humana

A mente humana tem recantos complexos. Por exemplo, há sítios do nosso desejo que nos levam a repelir o que amamos, a esconder aquilo de que nos orgulhamos, a calar o que queremos gritar ou, simplesmente, a complicar o que queríamos simplificar.

Aposto que quem fez esta placa com indicações de trânsito queria ajudar... pois... acabou produzindo uma das placas mais confusas que já vi e até consigo garantir que entre o traçado real e o desenho há diferenças significativas. São terras simpáticas, de gente boa, e são também as terras onde há uma placa com indicações que nasceram num qualquer e imperscrutável recanto da mente humana.

NetWorkedBlogs