Histórias do Autocarro 28 - Civismo

Civismo
Há muito tempo que não presenciava uma história no autocarro 28. Sobretudo, uma suculenta, com muitos pormenores e que valesse a pena ser contada detalhadamente.

Hoje foi o dia. A coisa tem requintes de peripécia urbana do quotidiano agitado da grande urbe, com traços de discussão cívica, pinceladas de multiculturalidade e disputa de interesses democraticamente reclamados.

Apanhei o 28 na Infante Santo pouco depois das 18h. Duas paragens depois, na Conde Barão, o motorista abriu as portas da frente para as pessoas entrarem e as portas de trás para as pessoas saírem. Importa referir que as portas estão bem assinaladas e têm funções exclusivas. As da frente só servem para entrar. As de trás só servem para sair.

Quando o 28 parou na Conde Barão e enquanto a fila de pessoas que havia esperado entrava calmamente, seis homens entraram pela porta de trás. Dois brancos de fato, um branco de roupas práticas e três negros de roupas práticas. Quem viajava naquela zona da viatura reparou na infracção, mas é daquelas coisas que depende do civismo de cada um e já ninguém está para se incomodar com isso. As pessoas podem não concordar, podem achar condenável, mas deixam passar em branco, na impunidade dos dias cansados.

Ora, desta vez, quiseram o Destino e o motorista do autocarro 28 que a nossa tarde saísse do anonimato cinzento de todas as outras. Uma coisa qualquer aconteceu na cabeça dele e ele resolveu não deixar passar em branco:
- Os senhores que entraram pela porta de trás, é favor saírem.
Como ninguém se mexeu, ele esclareceu:
- Enquanto os senhores que entraram pela porta de trás não saírem, o autocarro não avança.
E aqui, eu pensei que, ou eles saíam, ou não estava bem a ver como é que o motorista ia cumprir a promessa. Os dois brancos de fato e um dos negros de roupa prática saíram. Só já faltavam três. Nesta fase, as pessoas começaram a reclamar em coro para eles saírem porque se estavam a atrasar para outros transportes, mas eles nada. Até este momento a coisa já estava suficientemente complicada e a ficar quentinha. Não precisava de mais ninguém a intervir. Acontece que a vida é como é e não como a queremos e, por isso mesmo, contra todas as expectativas, um rapaz negro que ia sentado levantou a sua voz em tom bem audível e sonoroso enchendo todo o autocarro com a sua opinião:
- Você não tem nada que se meter nisto. Você é motorista é para conduzir o autocarro, não é para vigiar as pessoas.
- Tenho sim senhor e a responsabilidade é minha e o senhor cale-se.
- Não calo nada. Isto é um país livre e democrático.
- Livre mas não libertino.
E pronto. O 28 explodiu em conversas, opiniões, contra opiniões, argumentos, a favor e contra. Havia quem defendesse que o rapaz tinha razão e havia quem o mandasse calar e havia quem pedisse aos três teimosos para saírem e havia quem pedisse ao motorista para avançar e outros não lhe pediam, gritavam-lhe essa vontade e havia pessoas que gritavam com o rapaz atacando-o por estar a defender os desordeiros ele dizia que só não queria estar parado porque se estava a atrasar e não podia ser prejudicado pela irresponsabilidade dos outros, mas também havia quem dissesse que o motorista, não sendo responsável pelos bilhetes, era responsável pela manipulação da viatura e que as pessoas que tinham esperado para entrar pela frente deviam ter o direito de ser respeitadas e poderem entrar. E houve quem citasse leis, eu próprio dei uma opinião em pleno 28. E, às tantas, alguém, fugindo a quem tinha razão ou não e fugindo às leis, invocou que era tudo uma questão de civismo. E foi aqui que o ruído, já ensurdecedor, aumentou ainda mais. Uns riram-se, outros comentaram, mas ninguém acreditava que a coisa se resolvesse só com recurso ao civismo. As reclamações eram tantas que o motorista arrancou. E houve quem reclamasse por tê-lo feito. Afinal de contas, três dos prevaricadores ainda lá iam. O rapaz continuou a defender bem alto o seu ponto de vista só com o apoio de uma ou duas pessoas. E aqui aconteceu mais um inesperado. O motorista parou o autocarro de novo e veio até meio do corredor para dizer ao outro:
- Isto é uma falta de respeito. Se diz mais uma palavra, chamo a polícia.
Então, o outro usou um trunfo, mas a jogada correu-lhe mal:
- Pronto, eu calo-me. Já percebi que não posso dizer nada porque sou negro.
O 28 voltou a explodir. Desta vez contra o rapaz e a sua argumentação. De facto, ele tinha estado a expressar livremente a sua opinião, em termos até um pouco exagerados, e ninguém o discriminou ou impediu ou cerceou na sua liberdade por razão nenhuma incluindo a rácica. Alguém disse ao motorista para se acalmar e prosseguir e ele lá foi resmungando entre dentes a palavra respeito enquanto o rapaz ia dizendo, Eu calo-me, eu calo-me.

Entretanto fui conversando com uma simpática passageira e concluímos aspectos diversos. Um, foi que nos atrasámos. Eu devo ter perdido dois comboios à custa do incidente. Outro, foi que o civismo é algo de muito escorregadio, difícil de medir e implementar. O último e o mais irónico dos aspectos que concluímos, foi que os três tipos que entraram à socapa pela porta de trás e não saíram se calaram muito caladinhos, deixaram o resto da malta em polvorosa e seguiram viagem sem nunca saírem, nem se envolverem, nem nada... é o tal civismo!

Momento Divino

Un bel di vedremo - Madame Butterfly, Giacomo Puccini

Se esta música não te fizer sentir nada, então não és humano!

"Com Amor," - Documento 31


Meu Homem Rui,
Trago ainda o teu cheiro de homem no meu corpo, o teu perfume na minha pele, e trago o teu toque em mim, como se a cada momento do dia me segurasses com doçura e firmeza, me estreitasses nos teus braços.

E foi enlevada por este amor na memória ainda fresca das carícias no corpo e na alma que fui reler-nos. Reli todas as tuas palavras, Rui, e soaram-me a actos. Reli todas as minhas palavras. Voaram para ti ao ritmo do compasso apaixonado do meu peito. Reli as minhas palavras e não eram já minhas… saíam aladas do meu controlo e procuravam-te na tua existência digital e humana.

Soas-me tão homem, Rui. A tua virilidade emerge das palavras como dos gestos quando amas com firmeza e ternura.

REVELAÇÃO: Reconheço-te, Rui. Reconheço a tua presença em mim. Na minha vida. E surpreendi-me reconhecendo de novo os homens na minha dimensão! Andas a reconciliar-me com o Universo. Em particular, o universo da masculinidade.

Com Amor,
Verónica.

"Com Amor," - Documento 30

Minha Menina Verónica,

Quando li o teu e-mail fiquei preocupado.
Será que tanta pergunta é sinal de tanta dúvida? Depois de tudo o que nos amámos? Parece-te incerto este amor?

É preciso acreditar. Acreditar nas pessoas, acreditar no amor. Acreditar no azul do céu e no brilho intenso do sol. É preciso acreditar que estamos vivos e que cada dia, cada pulsação, cada temor, cada realização e cada alegria são verdadeiros porque são os nossos barómetros de vida.

Amar é a solução, minha menina Verónica, amar é a solução. Quando duvidares, ama. Quando temeres, ama. Se negares o amor, negas a vida. E isso não é opção... a menos que queiras ser, como disse o poeta, "cadáver adiado que procria". Ama, Verónica, ama! Nem me refiro em particular a mim. Refiro-me ao mundo, às coisas boas da vida e às más também. Ama-as todas, Verónica. E, claro, ama os homens. Os homens não são bons nem maus, são homens. E é como homens que devem entrar na tua vida. Só isso.

Eu percebo porque falas em culpa. Claro. E posso até dizer que, sendo essa culpa nossa, a sinto mais minha do que tua. E, sendo claro com as palavras, porque eu tenho limitações que tu não tens. Carrego uma responsabilidade de que estás livre. Há, contudo, algo que me perturba. Talvez porque não perceba as razões, ou percebendo-as, as não valide intrinsecamente. Se o que sentimos é tão puro, tão verdadeiro e tão belo como se tem manifestado, onde está a culpa? Pode um amor assim ser culpado? Eu percebo as limitações e os constrangimentos. Logo à partida, de ordem moral. Mas é isso que me assusta: numa análise aos meus pensamentos, aos meus actos e aos meus sentimentos dos últimos meses, não encontro nada senão a pureza inocente de quem se descobre e entrega.

Eu também tenho culpa em mim, Verónica, e, contudo, sinto-me inocente ou, se quiseres, não sou capaz de sentir-me culpado.

Anseio ver-te. Ter-te nos meus braços e fazer-te minha sendo teu. A tua ausência magoa-me. A tua presença pacifica-me. Uma paz de entrega e resiliência.

Não consigo pensar senão em ti. Não te prenderei, meu amor, mas jamais te soltarei do meu coração.

Com Amor,
Rui

A Escola de Amar

A Escola de Amar

Tempos houve
Em que a minha pele era lisa.
Tempos houve
Em que a minha voz era cristalina.
E foi nesses tempos
Que meu corpo parecia
Tocado pela graça divina.
Tempos houve
Em que era perfeita a visão
E me não falhava o olfacto.
Tempos houve
Em que tinha a exacta dimensão
Traçada do mundo pelo meu tacto.

E houve tempos
Em que fui pleno.
Em que possuí
O momento sereno
De ter-te entre
Os meus braços.
Foi no tempo
Dos dias escassos
Para tanta vida,
Para tanto amor.
Foi no tempo
Da insensibilidade
Ao frio e ao calor.

Eu sei que passaram os dias
E os meses
E os anos com eles.
Eu sei que me nasceram estrias
E se me enrugaram as peles.
E sei também,
Com essa natural
E empírica ciência,
Que não há no mundo equivalência
Para o que sou capaz de amar,
Para a minha inesgotável experiência
Deste caminho
A que chamam vida.
Deste amor e deste carinho,
Desta entrega,
Deste sal e deste vinho,
Desta tentativa de não acabar sozinho…
De não morrer…

E sei que,
Para o tempo que me resta,
A solução
E o segredo
É aprender!
É limar a aresta da vida,
A linha incerta e indefinida
Da minha existência.
Para tão grandiosa vida,
É tão pouca a ciência
Que me diz
E me vem sussurrar:
A longevidade,
E o segredo da vida
Resumem-se a AMAR.

jpv

Maphee

Maphee...
é o novo membro da família. Mais um! Isto aqui para estas bandas começa a parecer um canil municipal!!

Em todo o caso, com estes olhinhos, resta desejar muitas felicidades ao Maphee, aos papás babados e que dê um bocadinho de luta ao Torrão que não pára de destruir propriedade móvel e imóvel!!!

Natacha, estás feita! Agora são dois para de dar cabo da paciência. E este, a avaliar pelos olhinhos, também vai ser mexedito... nunca mais descansas rapariga!

Para quem está de fora, os primos caninos da família são (por ordem alfabética):

Alperce
Dandy
Maphee
Natacha
Nuca
Torrão

Ui, que tropa!

Hoje é dia de...

O Poder do Beijo

Já todos ouvimos falar do poder do beijo. Nomeadamente das suas propriedades analgésicas. Já todos ouvimos falar de beijos famosos e dados em locais e/ou circunstâncias pouco comuns.

O beijo de Alexandra Thomas e Scott Jones ficará para sempre na galeria dos mais extraordinários porque foi dado mesmo no meio de... violentos confrontos entre a população e a polícia de choque! Mai nada!

O motivo dos confrontos que ocorreram na cidade de Vancouver é absurdo e absolutamente desnecessário. Uma final de Hóquei no Gelo. Os adeptos incediaram carros, viraram carros, partiram montras, vandalizaram e a polícia de choque foi chamada ao local. O pacato casal estava no local errado, à hora errada e foi apanhado na onda de repressão da polícia. Quando Alexandra caiu, o seu namorado precipitou-se sobre ela e beijiou-a apaixonadamente. E, pasme-se, a polícia afastou-se. O casal foi deixado em tranquilidade.

Haverá sempre beijos inusitados, mas o de Alexandra Thomas e Scott Jones será sempre o beijo que resistiu à violência, o beijo que parou um motim! E depois venham-me cá acusar de ser um romântico sem cura... O Amor cresce, mesmo nas condições mais adversas!

O Meu País

À J. e aos outros Amigos

Pegando na elegia do poema de Sophia,
E nas silvas cantadas ao acordar
Sinto a alegria da palavra de esperança
Da poesia cujos dias carecem do seu encantamento.
Agradeço a lembrança de mim.

Desejo que o calor do sol dos dias que ficam além dos vidros das nossas janelas
Nos faça aconchegar ao país que desejamos
E nos reste sempre
Sorrir.

SCL
------------------------------------------------

No dia em que começou o Verão, a J. lembrou-nos as palavras de Sophia:

"O meu país sabe às amoras bravas no Verão.
Ninguém ignora que não é grande,
Nem inteligente, nem elegante o meu país,
Mas tem esta voz doce
De quem acorda cedo para cantar nas silvas."

E a SCL respondeu-lhe com as linhas que aqui se transcreveram.

A Resiliência do Terremoto

A Resiliência do Terremoto

Às vezes, por entre os poemas e as histórias de viagem e os capítulos dos romances, surgem-me umas crónicas sociais. Esta é mais do que isso. É uma crónica social, mas é também uma reflexão libertina e pouco rigorosa. Não se apressem a criticá-la. Seria tarefa demasiado fácil. Ora, conhecendo o seu autor as fraquezas dos fundamentos do texto, porque o publica? Porque quer. E razão mais genuína não há.

Tanto quanto me apercebi, na altura e nos anos subsequentes, a União Europeia foi criada por questões de segurança, coesão financeira e comunhão cultural. Ando com a sensação de que, nos últimos tempos, a comunhão cultural anda muito afastada do quotidiano da União Europeia. Os países membros respeitam as suas diversas culturas, mas não me parece que possa falar-se de comunhão. Visitarmos livremente os museus uns dos outros ao Domingo não é comunhão cultural, é turismo barato. Transitarmos livremente entre os países não é comunhão cultural, é livre circulação e termos países asiáticos no Euro Festival da Canção não é comunhão cultural, é só parvoíce sem sentido. A comunhão cultural pressupõe um pensamento identitário de base que não existe. Um francês é um francês, não é um europeu. Como é que eu sei? É simples. Nenhum francês se põe debaixo da Torre Eiffeil a dizer "Esta torre é da autoria de um europeu e está na Europa." Se bem conheço os franceses, a Torre Eiffel, o croissant, o Molière, os crêpes Suzette e o champagne são franceses e não têm nada a ver com a Europa.

Quanto à coesão financeira, a coisa ainda é mais grave e gritante. Senão vejamos: a principal bandeira, o principal sinal e o elemento mais estruturante da tal coesão financeira é a moeda única. Ora, a União Europeia deve ser dos poucos casos de moeda única em que a moeda única não é única, ou melhor, não é para todos! E o mais engraçado é a razão que levou os ingleses a não aderirem à moeda única. Defendam as teorias que quiserem, mas a verdade, a verdadeira verdade, é que Sua Majestade, a Rainha, não pode ser súbdita do... Parlamento Europeu! E pronto. Aí está a coesão financeira refém de um capricho. Mas há mais. Eu posso estar enganado, mas a coesão financeira era suposto fazer com que as pessoas vivessem melhor. Pois bem, exceptuando a malta dos fiordes e dos Mercedes, o resto dos irmãos europeus, que é a maioria, não está nada bem. A França ardeu em protestos sociais, a Grécia está famélica e desempregada, a Itália a um passo da bancarrota e no caos financeiro, a Bélgica arruinada, a Espanha na falência, A Irlanda falida e Portugal... bem, Portugal, ao que parece, vai cumprir. Eu, pelo menos, ando a fazer a minha parte todos os meses. O engraçado é que esta ideia da coesão financeira até funciona, mas só funciona para alguns. É o caso daquele país que teve a genial ideia de vender fragatas e submarinos e armamento à Grécia com base no pressuposto da ameaça dos cipriotas que não têm onde cair mortos. E vai daí, vendeu o armamento e emprestou o dinheiro para a compra a juros elevadíssimos. Esse mesmo país faz parte dos países que participaram na "ajuda externa" e agora exige milhares de despedimentos, caso contrário não segue a próxima tranche. Esse mesmo país deve à Grécia, desde a Segunda Guerra Mundial, uma soma superior à dívida da Grécia que agora tão rigorosamente está a ser cobrada! Sobre coesão financeira estamos conversados! De resto, no âmbito da coesão financeira, o conceito de "ajuda" é o que mais me tem fascinado. Eu não sei bem se é ajuda ou extorsão! Quando uma ajuda leva o ajudado à fome, ao desemprego, à crise social e à bancarrota, então, meus amigos, com franqueza vos digo, não se trata de ajuda. Ainda assim, e no nosso caso, como somos gente cumpridora e de palavra, espero que a ajuda nunca venha a ser mais do que isso mesmo!

E falta uma breve referência à segurança. Efectivamente, na Europa vive-se com assinalável segurança. Não há inimigos nem ameaças externos. O problema é que cresce internamente a insegurança. Não é a insegurança de quem vai ser invadido, mas é a insegurança decorrente dos preocupantes e crescentes níveis de marginalidade e criminalidade. A fome e a insuficiência levam os seres humanos, europeus neste caso, à prática dos mais condenáveis e sancionáveis actos. E aí temos dois problemas. As nossas polícias estão desautorizadas e têm pouca capacidade de acção neste combate e a causa do mal não está a ser atacada, pelo contrário, está a ser agravada e nos próximos tempos tudo indica se irá agravar ainda mais por essa União Europeia dentro.

Chegado aqui, só falta explicar a escolha do título desta crónica. Todos nós conhecemos e nos deparamos frequentemente com chavões. Frases feitas que ficam sempre bem num discurso ou numa conversa de café, que não querem dizer grande coisa, mas que toda a gente aceita sem questionar, talvez porque, afinal, queiram dizer alguma coisa. Alguma coisa universal. Uma delas é "A História repete-se."

Sobre a repetição da História o raciocínio é simples. A História ensina-nos que o advento destes factores conjugados em clima de insatisfação e crispação social rapidamente se estende à esfera política e com facilidade desemboca em conflitos bélicos. Ou seja, as pessoas aguentam, mas não aguentam tudo. A destruição dessa tecitura social a que chamamos Classe Média é catastrófica. O aumento de impostos, a redução do poder de compra, a ausência de crescimento económico, o desemprego, a fome, a marginalidade acabam por estoirar na mão de quem pede sacrifícios quando os sacrifícios são incomportáveis. O interessante, ensina também a História, é que os momentos de pós-guerra são momentos de grande renascimento económico, de grandes forças laborais, de reestruturação política e de resiliência social. No fundo, em raciocínio arriscado, aquilo de que estamos a precisar é de uma guerra. Ora, aqui temos outro problema. A Europa está farta de guerras e Portugal está povoado de gente pacata e pouco dada a guerras. Já nos chegam as do passado. E isto, sendo bom, é muito mau porque funciona como bloqueio à tão ansiada resiliência social. Precisamos unir-nos em torno de uma motivação colectiva forte, em torno de um calamitoso motivo de união e regeneração social. Algo que nos faça reequacionar as prioridades e nos permita reerguer. Claro que, para tão ambicioso propósito, um campeonato europeu de futebol, mesmo com bandeirinhas nas janelas, já não é suficiente. Resta-nos, assim, outro grande impulsionador de regeneração político-financeiro-social: uma grande catástrofe natural. E quem pensa em Portugal e em catástrofe natural, pensa em quê? Pensa no terremoto que em 1755 assolou e devastou Lisboa e que, de resto, os cientistas prometeram se iria repetir...

Isto pode parecer-vos insensível, mas não é. E contra mim falo que trabalho ali à beirinha do Tejo e seria dos primeiros a ser engolido pelas águas furiosas do mar e do rio galgando cidade dentro. Como nos filmes de ficção, a ponte sobre o Tejo colapsaria, a água inundaria a cidade até ao Marquês de Pombal arrastando tudo consigo, o tremor derrubaria edifícios, ficaríamos sem transportes, sem luz eléctrica e sem abastecimento de água. Adeus computadores e redes sociais, adeus títulos e importâncias, adeus tudo. Olá vida nova! Três terríveis minutos depois, Portugal seria um país novo, uma nação em franca regeneração. Choravam-se as vítimas, "Coitado do Videira, era bom homem, isto é uma desgraça, uma grande desgraça!", e depois seria precisa mão-de-obra, materiais, apoios civis e militares e... desde a indústria da habitação à banca, passando pelos serviços e pela organização política, teríamos de reinventar um país que é exactamente o que estamos a precisar de fazer agora.

É por isso, meus amigos, que Portugal vive uma encruzilhada, um duplo e ciclópico desafio: pagar ao FMI ou enfrentar a resiliência do terremoto. O único problema é que nenhum dos dois parece depender da nossa vontade!
jpv

Estranha (3)

Estranha (3)

Olá estranha!
Adivinha-se
Nesse sorriso matinal
A forma dos teus gestos,
Uma sensatez sempre igual.
E percebe-se
No teu bom-dia sussurrado
O desenho da companhia
No tempo partilhado.

Passam os dias
Na estranheza das manhãs,
E cresce este nada
E vive esta esperança
De não sei quê,
Um adiar constante,
Um eterno logo se vê.

Olá estranha!
Dou-te quase nada
E é como se me desses tanto
Que, mesmo sem saber quanto,
Me empolga
E satisfaz.
Podes tão pouco, estranha,
E, no entanto,
Se soubesses
Do quanto és capaz,
Talvez viesses
Inundar-me com a tua paz
Desenhada nesse breve aceno,
Nesse gesto efémero
E sereno
Que me acorda o dia.
jpv

Chiclete

Chiclete

Sabes,
Quando te ofereci
A chiclete,
Não foi
Como quem se mete
E tenta arrancar um sorriso.
O teu sorriso é livre
E voa com facilidade.
Nasce nos teus olhos
De amêndoa
E desenha-se
Com sensualidade
E natural alegria.
Os teus cabelos
Contam-me histórias distantes
De mares revoltos
E cavaleiros andantes.

Vês?
És uma pessoa que promete,
E continuo a jurar
Que, quando te ofereci
A chiclete,
Não foi
Como quem se mete!
jpv

Um Passo Por Dar

Um Passo Por Dar

Uma passada por dar,
Meia passada vencida.
Tenho um pé no ar
E trago suspensa a vida.
E vagueio pela mente arrebatada,
Procuro o sentido
Da caminhada
E ando sozinho
Procurando
No além
Tudo e nada,
Todos e ninguém.

E há em mim este mistério
Indecifrável,
Esta linha da vida
Que a cigana perdeu
Que é querer viver todas vidas
Menos a que o Destino me deu.
Há em mim esta errância,
Este sentir do certo e do errado,
E saber que nada disso influi
No passo a dar,
No passo dado.

Andarei.
Andarei sempre à procura.
E já não quero saber
Do que acharei
E do que deixarei por achar.
A única vida possível
Habita neste procurar,
Neste passo por dar.

O Clã do Comboio - Citações Imperdíveis

Citações Imperdíveis

Eu podia limitar-me a fazer as citações, mas não seria suficiente. É preciso dizer que o Clã do Comboio nos fins de tarde de sexta-feira vem muito mais agitado. E cansado! Ora, seja pelo cansaço, seja pela antecipação de fim-de-semana, a conversa é trepidante, consecutiva, contínua e a viagem transforma-se num interminável desfiar de saudáveis disparates.

Os membros do Clã não se calam, falam uns com os outros e interpelam inocentes e incautos estranhos que começam por abrir os computadores e os livros, mas depressa desistem de tais intenções. São tardes memoráveis de companheirismo espirituoso. Fala-se de tudo. Das compras que se fizeram no intervalo do almoço ou ao fim da tarde, de política, dos problemas do trabalho, dos hábitos de cada um no comboio, da vida, dos homens e das mulheres e, claro, há disputas discursivas e desafios com tentativas de simulação de discórdias, desdém ou simples gozo com o carácter uns dos outros. Os finais de tarde de sexta-feira são electrizantes no Clã do Comboio e hoje não foi excepção. Para que os amigos leitores tenham uma ideia do que por lá se diz, hoje fiz uma colecção de citações a percorrer quase todos os elementos do Clã. Qual delas a melhor. Deixemo-nos de rodeios e vamos ao que interessa:

(1)
"Cuidado com a minha carne!"
Rapariga do Riso Fácil

(2)
"A tua carne nunca me estorva!"
Escritor

(3)
"Um país onde é tradicional NÃO cumprir prazos."
Mulher Vampiro

(4)
"Fazer falcatruas é comigo!"
Mulher Vampiro

(5)
"Até eu ia a ouvir e sou surda."
PL

(6)
O objectivo da vida dela é manter os 44 quartos."
RB

(7)
"Eu hoje até me pus a jeito."
RB

(8)
"Houve ali um desfibrilhar qualquer."
RB

(9)
"9, só falta uma para 7!"
Escritor

(10)
"Acho que a carne dela não apodrece."
JJ

(11)
"Os homens não fazem falta, só mesmo naquelas alturas cruciais em que não há hipótese nem substituição possível!"
Mulher Vampiro

SMS

SMS

Sempre Muita Simpatia
Sabes, Mesmo Sinceramente,
Seria Magnífico Seguires
Sendo Mulher Sorridente.


Sei Muito Seguramente
Sobre Mesma Sedução,
Sinto, Mulher Sorridente,
Seres Maravilhosa Sensação


jpv
(Dedicado à Rapariga do Riso Fácil do
Clã do Comboio que passa as viagens
nas SMS com o namorado!)

O Clã do Comboio - O RB trouxe Celestes

O RB trouxe Celestes
Este Clã está a ficar mágico. O RB trouxe Celestes. Ele tinha prometido e fez questão de cumprir logo na primeira oportunidade.

O Celeste é um doce pequenino, mas muitíssimo saboroso. É feito de ovos, amêndoa e, claro, açúcar. O RB trouxe uma caixa. A Mulher Vampiro, cuja rabugice matinal não passa nem a poder de Celestes, recusou e fez um ar muito enjoado. Não era nada com o RB nem com os Celestes dele. O problema é mesmo dela que, antes do primeiro café, tem esta peculiar má disposição. Deixa lá, Mulher Vampiro, nós gostamos de ti na mesma. O Ceguinho ia a dormir, logo, não comeu. O Aluno do Escritor morfou o dele, tal como o Escritor, o VM e a Rapariga do Riso Fácil. A Rapariga com Brinco de Pérola também não quis. Ia a ler, claro. Agora anda a ler um livro do Salman Rushdie que diz que é uma fábula. Sim querida, espera lá que já acredito em ti!

A malta ficou bem disposta com a generosidade do RB e com o pretexto para se conversar até Lisboa. Oferecemos à Stôra, mas ela não quis porque ia dormir e a malta não insistiu porque ela tem lá as razões dela e um Celeste a mais não é um Celeste a menos.

O curioso, hoje, foi a afirmação de dois novos elementos no Clã. A primeira é a Mamã das Duas Crianças que já tem vindo com a malta. Tem andado dividida entre a vontade de andar connosco e o desejo de nos apertar o pescoço. Um dia, perguntou-nos, como quem intimida:
- Vocês não têm vida própria?!
A resposta foi pronta e em coro:
- Não!
E pronto. Se estava iludida, desiludiu-se. Mas fomos mais longe. Começámos a integrá-la nas nossas brincadeiras. De resto, ela dá-nos motivos. Eu, pelo menos, acho que adormecer no ombro do Aluno do Escritor é motivo para a integrar. O que é certo é que abriu um sorriso e agora quem quer vê-la é a viajar com o Clã. E tem uma vantagem, é desinibida o que sempre proporciona uns momentos interessantes. Hoje, por exemplo, disse a frase "Umas voltinhas de bicicleta durante o dia e à noite dormem melhor!" e julgou que passava despercebida. Não passou! Estou a referir-me a ela porque gostei de ver a naturalidade com que morfou vários Celestes do RB. Todos esperamos que a Mamã das Duas Crianças continue a resistir à nossa presença. Assim seja que sejamos mais difíceis de aturar do que duas crianças com mau dormir!

A outra personagem que anda a namorar o Clã e já está em avançado grau de integração é a PL. A PL é uma mulher baixinha com o ouvido muito atento e o olhar muito vivo como se quisesse ver a vida toda num instante. Sorri com simpatia ao dia que começa e percebeu-se imediatamente que não ia deixar-se intimidar pelo Clã e as suas piadas matinais. No primeiro dia que veio, atirou-se à caixa dos Celestes do RB como se não houvesse amanhã e aguentou umas histórias de violência física, agressões e coisas do género, que o VM ia a contar. Como voltou no dia seguinte, pensámos que tinha tido o seu baptismo de fogo.

Não sei se repararam, mas há aqui um ritual de iniciação que é novo no Clã. De facto, parece que quem quiser entrar para esta maravilhosa e espontânea família tudo o que tem a fazer é comer Celestes ao RB.

Isto até acabou por ser engraçado. Foi como se o RB tivesse duas festas de anos. Uma que nós lhe fizemos de surpresa e outra que ele patrocinou com Celestes. É o Clã no seu melhor!

Pediste-me Versos

Pediste-me Versos

Pediste-me versos
E versos te dei
Sangrando meus excessos
No peito que rasguei.
E houve palavras soltas
A cantar sentimentos,
Notas esvoaçando
baloiçadas pelos ventos.
São de mudança,
Diz o profeta,
Mas no profeta vive a criança
E morre o poeta.
Pediste-me versos
E versos te dei
E neles foram impressos
Os hinos que te cantei.
Ah... musa minha!
Musa de minha solidão,
Vagueias pelo mundo sozinha
Sem castigo nem perdão.
E tens-me preso neste pulsar
E tens-me amarrado a este sentir,
Sem ti não sei amar,
Contigo não consigo fugir.
jpv

Versos de Insuficiência

Versos de Insuficiência
Para
Um copo meio vazio
E outro meio cheio
Não chega uma noite de frio
Com afagos de permeio.
Para
um problema de simples contorno
E outro bem complexo
Não chega um corpo morno
E meia noite de sexo.
Para
Uma alma inteira
E uma mulher dentro dela
Não chega a forma ligeira
De um quadro sem tela.
Para
Ti que és a meta
Deste meu universo
Não chega um poeta
Armado de meio verso.
E para tudo isto
Que agarro e me escapa
Parece haver um misto
De vida que mata.
jpv

Quadra ao Amarelo

Por entre o casario
Simples e singelo
Desliza, estridente,
O eléctrico amarelo.
jpv

"Com Amor," - Documento 29


Meu Homem Rui,
Será que nos vemos na próxima semana? Inscreveste-te?Será que posso sonhar com o vigor da tua doce masculinidade fazendo de mim mulher inteira?Será que vou ver-te, cheirar-te, tocar-te?Será que és mesmo diferente?Será que posso olhar de novo os homens e pensá-los na minha vida?Será que há para nós mais do que e-mails e encontros furtivos e espaçados no tempo de desejar-te?Será que há vida melhor do que esta?
Não sei, meu homem Rui, é já tão bom, tão delicioso, tudo o que temos e contudo vai-me parecendo pouco...
Vivemos tempos difíceis, Rui, de gentes cinzentas e acabrunhadas com a vida toda nos ombros e é como se ficasse mais difícil respirar o ar da felicidade. É como se houvesse em mim um desejo irreprimível de aceitar as coisas boas da vida e incluir nelas os homens e acreditar que tudo pode mudar entre as pessoas e, ao mesmo tempo, não sentir esta culpa...
Há culpa em mim, Rui. Por ser feliz.Será que é mesmo possível olhar o horizonte e ter esperança?
Temo, Rui, temo acreditar na Humanidade e mais uma vez desiludir-me.
Tenta vir até mim, meu homem Rui. Preciso dos teus braços à minha volta.
Com Amor,Verónica.

O Clã do Comboio - O Comentário do RB

O Comentário do RB
Caros leitores, acompanhantes das mirabolantes histórias que aqui se vão escrevendo, hoje, a história não será uma história mas um comentário. O comentário do RB ao post que aqui se publicou intitulado "O Clã do Comboio - O RB Fez Anos" e que narrava a celebração que improvisámos em pleno interregional das 7:18 no dia do seu aniversário. Já uma vez fiz isso com as "Curtas do Metro". Efectivamente, este blogue tem poucos comentários, mas quando os tem, normalmente vêm de pessoas que realmente se interessam. A verdade é que, assumindo eu o papel do Escritor ou Escrevedor como alguns me chamam, há momentos em que os meus companheiros do Clã do Comboio produzem autênticas pérolas de escrita e de sensibilidade. O comentário do RB está tão interessante, tão sentido e tão belo que seria uma pena ficar escondido nos comentários, por isso mesmo aqui se publica na íntegra.

E nem vou comentá-lo, muito menos explicá-lo (ouviste VM?!), vou só deixá-lo aqui para memória futura. Obrigado RB! Como sabes, podia haver Clã sem ti, mas não era a mesma coisa.
O Escritor

-----------------------------------------------
"Meus caros

Fui efetivamente surpreendido pela festa no meu aniversário. Não sabia nem esperava nada no género. Vocês transcenderam-se e pelo facto fiquei e estou muito grato. Nada como sermos colocados perante situações destas para se ver como uma sã amizade nasce e frutifica...
No dia em questão, em que cheguei aos 47 e não 48, a MV julgou ou pensou que eu estava «esquisito». Cansado, sim, estupefacto, também, contente e muito agradecido com a lembrança muito mais.
A todos estou muito agradecido.

E é claro, caro «escrevedor», que me irei redimir com uma caixinha de celestes. Naquele dia, não era para nenhuma chefia, como foi aventado, até porque eu não sou nem nunca fui de dobrar as costas. «Antes quebrar que torcer...»
O que no dia 9 levei foi a quantidade necessária para entre os pares e entre todo o pessoal que trabalha na mesma Direção pudessem comemorar comigo esse particular momento.
Assim sendo, a promessa que vos fiz no comboio foi a de que iria levar, num outro momento, uns celestes. E eu faço e cumpro o que digo. Assim sendo, numa próxima viagem lá iremos trincar uns docinhos...

Aos meus amigos do clã do comboio aquele especial e saudoso cumprimento. Aos restantes, que nos aturam, um apelar à vossa paciência e a que se envolvam, para assim minimizarem o efeito do passar do tempo e da perda que é o se poder começar o dia a rir, em vez de continuar com aquele ar sorumbático e sonâmbulo pelo qual tantos ficam caraterizados.

Um bem hajam

RB"

Não é por falta de opções!

Hoje fui visitar uns tios e uns primos de que gosto muito, gente muito boa, ali para os lados de Penacova. Em determinado cruzamento deparo-me com esta maravilha das estradas de todo o Portugal: uma placa de sinalização com 13 (!!!) localidades assinaladas TODAS no mesmo sentido... Era caso para perguntar se não seria mais fácil fazer uma só placa a apontar na outra direcção com a inscrição "Para ali não há nada".

Crise? Mas qual Crise?!

Ontem colocaram no vidro do meu carro, preso com o limpa pára-brisas, este simpático cartaz. E, caros leitores, até pode haver crise, mas não é para todos. Ora vejamos: o Sr. Paulo para já, para já, é Senhor. Depois, compra todo o tipo de carro, nem interessa nada que esteja avariado. Depois ainda, desloca-se a expensas próprias ao local e, a cereja em cima do bolo, PAGA NO ACTO.

Eu não sei se o Sr. Paulo sabe, mas é bem provável que tenha uma avalanche de ofertas...

Mas nada disto teria muita piada não fosse o mesmo cartaz ter sido colocado no vidro do carro do meu cunhado que é... vendedor de automóveis! É a chamada concorrência desleal!

Aleixo

Aleixo
Gosto de ver-te assim,
Entregue a nada
Abandonada a mim.
Fica desenhado
Nesse teu desleixo
O ar apaixonado
Duma quadra do Aleixo.
És mulher e menina
E tens nessa figura fina
Tudo o que me encanta.
Tudo o que me surpreende
E espanta!

Pormenores

Pormenores
Não é em ti que penso
Mas nos teus gestos,
Não é a tua figura fina
Que rememoro,
Mas as posições que te apanho
Na distracção dos dias.
Aquele olhar que fazes quando pensas,
A forma como franzes a testa
Quando procuras
O que não encontras.
As meias que vestes
Nas pernas nuas,
O corpo abandonado ao sono
Após as carícias.
E são estas as delícias
Que levo da vida.
Outras não quero.
É aquela ponta de cabelo
Por apanhar.
Aquele teu ar
Desentendido
Que transpira um amor sentido.
Não é o quadro geral
Da tua formosa figura
Que ando à procura.
São os detalhes,
Aquelas expressões
Que não preparas.
Aquelas imagens raras
De ti
Que vivem em mim
E me alimentam...
Este amor sozinho e louco
Que sendo já tanto
Me sabe sempre
A tão pouco.
Não é a pessoa
Partilhada e pública
Que recordo.
É a amante exclusiva e privada
De dar-me a vida a conhecer,
Um amor inteiro a amar.

E vive nestes pormenores
À sombra de coisas maiores
O que realmente interessa nesta passagem.
A vida vivida,
E sentida,
A única que faz parecer eterna
A efémera viagem.
jpv

Curioso Exercício

Eu nem sequer sou um tipo muito céptico, mas por vezes não consigo deixar de achar piada às coincidências da vida. Se é que são coincidências!

Ora vamos lá a um pequeno exercício:

1) Abra o word.
2) Escreva a palavra Casado com maiúscula, claro.
3) Clique com o botão direito do rato.
4) Passe com o cursor na opção Sinónimos.

Qual é o último sinónimo da lista?
Pois... eu não dizia que não há coincidências?!

O Clã do Comboio - O RB Fez Anos

O RB Fez Anos
Nas primeiras histórias do Clã do Comboio nasceu essa múltipla personagem, absolutamente fantástica, que são os Três Amigos que Querem Salvar o Mundo. A pouco e pouco, com o desenrolar das histórias, fomos conhecendo alguns pormenores de cada um deles. O JJ, O RB e o VM.

Já aqui se escreveu como é curioso o facto de um conhecimento informal e espontâneo ter vindo a transformar-se numa amizade bem disposta e cúmplice. Efectivamente, todos sabemos que estes laços são precários, mas todos sentimos a vontade de nos reencontrarmos, de conversarmos e brincarmos uns com os outros como que tentando que cada dia de trabalho comece bem para poder correr bem. Não constitui um problema quando um de nós falta, mas é muito melhor quando estamos todos. E esta união, precisamente porque é espontânea e natural, acaba por ser mobilizadora.

Ontem o VM teve uma ideia. Sabíamos que o RB fazia anos hoje, mas não combinámos nada. O VM pediu-me o número de telefone e a meio do dia ligou-me:
- Olha lá, o que é que combinámos para amanhã?
- Nada. Mas podemos combinar.
- E se a malta levasse um bolito?
- Quem leva um bolito, leva uma garrafita...
- Mas eu entro em Santarém com ele. Dá nas vistas.
- Não te preocupes. Traz os pratos, os copos e uns guardanapos que o resto arranja-se. Falo com a Rapariga do Riso Fácil.

E assim foi. O VM trouxe o hardware, a Rapariga do Riso Fácil cozinhou um esplêndido bolo do Lidl e o Escritor levou uma garrafinha de espumante italiano. Como Deus nosso Senhor protege os audazes, o Senhor da Mala Térmica, que é uma presença habitual, mas nada regular, nunca sabemos quando vem, hoje apareceu e trazia com ele a mala térmica! Ora, quando os Três Amigos que Querem Salvar o Mundo entraram em Santarém no interregional das 7:18, já lá ia a Senhora da Provecta Idade, a Rapariga com Brinco de Pérola, o Senhor da Mala Térmica, a Rapariga do Riso Fácil, o Escritor, o Ceguinho, o Aluno do Escritor e a Mulher Vampiro. A Stôra também ia, mas, como sempre, a dormir. Pelo menos, enquanto a malta deixa! E, um grupo de gente que há seis meses nem sequer se conhecia, entoou o Parabéns a Você em pleno comboio, houve palmas, o Escritor abriu a garrafa com estrondo e o VM confiscou a mala térmica ao Senhor da Mala Térmica para fazer de mesa. Ele não só não se aborreceu nada, como se voluntariou para cortar o bolo às fatias o que não foi difícil porque, de repente, vindas não sei de onde, apareceram diversas armas brancas com assinaláveis e proibidos tamanhos. Todos comemos um bocadinho e, em abono da verdade, ainda não eram oito da manhã e o Clã estava a beberricar espumante italiano. Deve ter sido um dia produtivo nos diversos locais de trabalho! Como sobrou um bocadinho, o Senhor da Mala Térmica levou a garrafa aos queixos e desfez-se do resto. Estragar é que não!

O ambiente ficou fantástico, disseram-se piadas várias e parvoíces diversas. A Mulher Vampiro e o VM tentaram, mais uma vez, denegrir a imagem do Escritor, mas sem sucesso. Virou-se o feitiço contra o feiticeiro. Porquê? O Escritor é um tipo superiormente culto! Por exemplo, o VM estava a tentar gozar com o Escritor e vai daí, no meio do discurso, diz "almentolia" em vez de almotolia. Vergonha. Muita vergonha! A Mulher Vampiro tenta dizer piadas a gozar com o Escritor, mas quando se ri, ronca! Vergonha. Muita vergonha! Hoje, a Mulher Vampiro não dormiu e, mesmo sendo de manhã, deu um arzinho da sua graça vespertina. A Rapariga do Riso Fácil falou pelos cotovelos, o Aluno do Escritor não só não dormiu, como bebeu um copinho e, espanto dos espantos, a Rapariga com Brinco de Pérola falou alto, riu-se e, claro, corou! A careca do JJ rebrilhou mais e a veia humorística do VM esteve particularmente apurada. O RB estava espantado. Ele sabia que nós éramos capazes disto, mas não tinha a certeza de que o faríamos. O rapaz estava sem palavras! Claro que todos gostámos de o ver feliz e claro que todos reclamámos com ele. Porquê? É simples. Então não é que o tipo, dizem as más línguas, levava uns celestes (deliciosa doçaria regional) para oferecer lá no trabalho aos chefes e, em vez de deixar a malta atirar-se aos celestes, escondeu-os nas profundezas da mochila e levou-os mesmo às chefias! Claro que o VM, que não tem vergonhita nenhuma, denunciou-o. Mas o tipo é resistente. Fomos toda a viagem a chateá-lo para morfarmos os celestes ali mesmo e ele nada! É mesmo de ideias fixas!

Enfim, a algazarra atingiu níveis inimagináveis e a camaradagem sentia-se nas vozes e nos olhares do Clã.

Resta dizer, Parabéns RB! Que contes muitos. Tens uma bonita idade: 48 anos! O quê? Não era para dizer? Ops! Tivesses partilhado os celestes!

O Clã está a crescer. Não em número de elementos. Isso também, mas em abono da verdade qualquer passageiro pode pertencer, já pertence, ao Clã. Está a crescer nas partihas, nas cumplicidades, nas entre-ajudas, na afabilidade. O melhor e mais significativo sinal é que gradualmente as viagens constituem um sacrifício menor, um peso mais fácil de suportar. Há até um certo prazer e um certo gosto em viajarmos juntos. Eu não sei quanto tempo vou andar neste vai-e-vem diário de comboio, mas sei que já sinto as saudades que terei no primeiro dia que os deixar.

O RB fez anos. E o Clã não foi indiferente num tempo em que a indiferença e a solidão são autênticas pragas a alastrar na Humanidade.

O RB fez anos. E o Clã não foi indiferente a isso. Eu gosto deste informal e extraordinário Clã do Comboio. Faz-me sentir menos anónimo num universo de anónimos. Menos só num mundo de solidão. Faz-me sentir entre amigos que é onde devíamos estar sempre.

O Escritor.

O Mundo das Palavras

O Mundo das Palavras
Não sou desta vida.
Não conheço estas palavras.
Não tenho estes juízos.
Não são minhas
Estas determinações.
Não vivo nestas ideias
Nem navego estas ilusões.
Há na minha vida
Uma vida que não é minha.
E sei que vive algures
Uma vida que não sabia que tinha.
Não cresce em mim
Esse mundo que construíste,
Não chega a ter fim
Porque não conheço o que sentiste.

Minha vida é um terreno árido,
Seco, estéril e abandonado.
E tudo o que falta neste deserto
Vive em verdejante e longínquo prado.
Queria tanto,
Queria mesmo tanto
Que não sofresses.
Queria que percebesses
Que não és tu.
São as palavras,
As que digo e te não tocam,
As que dizes e me não importam.
São só as palavras
E as palavras são um mundo
Onde se esconde este sentir profundo
Que vive adormecido.
Faltam-lhe só as palavras
Para acordar e ser vivido.
jpv

Correcção

Caro senhor, sou humildemente a informá-lo de que se diz ALMOTOLIA e não como V. Exa, por lapsus linguae, estou certo, referiu: ALMENTOLIA!

- Óvistes, pá?!


O Explicador da Classe Operária

Histórias do Autocarro 28 - 'Tá Bué da Cheio

'Tá Bué da Cheio
8:50h. Espero o 28 no Cais do Sodré. Demora-se. Entretanto, chega o eléctrico 15. Duas moças com menos de 20 anos esperam que ele pare. Depois, quando está imóvel, pressionam o botão para abrir as portas que deslizam para os lados e vê-se que vem cheio. Lá dentro há pessoas até ao limiar da porta. Uma das moças, desistindo de entrar, diz para a outra:
- 'Tá bué da cheio.
Ambas se afastam um pouco. Nesse preciso momento chegam duas pessoas a correr, sobem para o eléctrico e empurram quem lá está dentro. Há quem reclame, mas elas não querem saber. As raparigas hesitam. Não entram. Chegam mais duas pessoas, fazem exactamente o mesmo, saltam e empurram. Elas olham uma para a outra. Hesitam. Ficam onde estão. Chegam mais duas pessoas, saltam lá para dentro e empurram. Elas olham uma para a outra e sorriem. Depois de terem desistido, ainda entraram 6 pessoas ali mesmo à frente delas. As portas fecham-se com custo, o eléctrico 15 arranca. Elas voltam a olhar-se e a que tinha estado calada remata como quem se conforma:
- 'Tava bué da cheio!

Dreamer

Dreamer


Tears running over my chin
No voice left in my throat:
For you have guessed how I have been
And hit the spot of my thought!

You have guessed : I am a dreamer!
One of those not really living
Often caught and made thinner
By the odds of her own being

Not really here, not really gone
I leave in my dreams, and so what?
Be sure, I know, I'm the only one
But I sometimes let you see that!

Thoughts and dreams live in me
As ambition or sorrow live in others
I'm proud of it, why shouldn't I be?
Why hide it, who really bothers?
Rose Harris

Reincidência

Reincidência

Há um toque de doçura
No teu jeito
Desajeitado.
Assim, como quem procura
Domar o cabelo despenteado.
E há uma irreverência
Em certas coisas que dizes,
Emana do teu olhar a ciência
Que nos impede de ser felizes.
É um traço preocupado
Que nasce no teu sentir fundo
E nem o sorriso iluminado
Esconde esse peso do mundo.

Vieste e voltaste
Como quem não quer, mas vi
Que temos nas órbitas de nós
O que te faz falta a ti.
jpv

Olhar

Olhar

Fixo na paisagem que passa
O teu olhar pensativo e distante
Reflecte a alma na vidraça
Do comboio deslizante.
E é por isso,
Sei agora,
Que vive cá dentro
O olhar que vai lá fora.
Há um ponto no horizonte
Para onde olhas sem ver,
E é nesse ponto que está a ponte
Entre o que és
E o que queres ser.
Vivem figurinhas saltitantes
Em cada metro percorrido,
Vagueiam flutuantes
Pelo tempo perdido.
E és tu que vais aí,
Ou somente a imagem de ti?
És o que julguei ver,
Ou és mesmo o que vi?
Transportas nesse olhar
Todas as aventuras e toda a vida,
Que para a tua chegada
Não houve ainda partida.

Parte, menina, parte!
E faz da finita viagem
A tua forma de arte.

jpv

"Com Amor," - Documento 28


Minha Menina Verónica,
A aspereza que experimentaste nos homens é natural. Eu tenho uma tese. Eu acho que os homens separam mais facilmente do que as mulheres o sexo do amor. E a consequência é simples. Conseguem praticar sexo sem que haja, forçosamente, amor envolvido. Esta é a parte vulgar e pública da tese. A outra parte tem a ver com a aspereza e a suavidade de que falavas. É que eu acredito que, quando amamos alguém, há minúsculas e invisíveis partículas do nosso corpo que se movimentam e amaciam tornando-nos mais suaves, mais preparados para o contacto com a pessoa amada. Os homens que fizeram sexo contigo não te amavam. Ou amavam, mas era esse amor insuficiente para que os seus corpos se suavizassem para ti. Isto, minha menina Verónica, dá-te a dimensão do meu amor por ti.
Por vezes, o sexo, por via do prazer que provoca, pode tornar-se muito egocêntrico. Eu tento fugir a isso. E tento fazer com que tudo seja uma festa, acho que prefiro a palavra festim, para os dois envolvidos. E quando digo envolvidos, digo-o na plena acepção da palavra. Dedicação e entrega total ao outro nos gestos de dar que, como percebes, enformam os de receber. Para mim, o segredo de receber reside em dar. Dar sem medida. E receber o que houver para receber. Se ambos fizerem isso, dá para perceber que a configuração pode ser fantástica como foi, de facto, entre nós.
Deste tanto, Verónica. Deste desmesuradamente. E foi por isso que desmesuradamente recebeste.
--------------------------
Também duvido, mas hoje não quero escrever sobre isso. Só amar-te. Só despir-te com as palavras e ter-te sob o meu desejo por elas desenhado.
Teu homem Rui.

"Com Amor," - Documento 27


Meu Homem Rui,
Fiquei com um pormenor a saltitar-me na cabeça. Uma comichão mental. Um dia destes estava a passar os canais de televisão e detive-me num porque alguém desenvolvia uma teoria interessante. Era uma daquelas entrevistas em que o entrevistado está de costas, na penumbra, para não ser identificado e a sua voz surge distorcida. Quando por lá passei, defendia que as mulheres gostam de fazer amor com outras mulheres por razões diversas sendo uma delas a suavidade calorosa da pele. E fez uma comparação. Disse que nos homens havia aspereza. Nas mulheres, suavidade.
E eu pensei em ti. Não é que isto constitua surpresa. Hoje em dia penso em ti a propósito de quase tudo e por quase nada. Pensei em ti porque, efectivamente, meu homem Rui, houve nos homens com que me cruzei até hoje essa aspereza no toque que, em certa altura, confundi com masculinidade, mas que é só mesmo aspereza. E houve também uma avidez devoradora muito centrada neles. Nunca cheguei a perceber se faziam amor comigo, ou se eu era só o instrumento de fazerem amor com eles próprios! Dá para perceber?
Tu foste diferente. Os teus movimentos, as tuas carícias, os teus sons, eram, antes de mais, para nós e nunca me esqueceram. Quase se pode dizer que estavas fazendo amor e sendo atencioso ao mesmo tempo. E o toque, meu homem Rui, não sei como fazes, fizeste, mas não senti essa aspereza de outros companheiros. O vigor e a energia, sim, mas o toque, Rui... foste suave como sedas orientais. Deslizaste sem impor. Dançaste comigo a dança de fazer amor. Um tango perfeito.
--------------------------------
Duvido, Rui. Duvido sempre. Mas quero-te de novo em mim. Quero de novo a seda do teu toque no meu corpo.
Com Amor,Verónica.

Publicidade - Engrossa onde?

Eu bem sei que por aqui se vão mostrando exemplos de boa publicidade ou, pelo menos, de publicidade interessante. Este pode não ser uma coisa nem outra, mas lá que chama a atenção, chama! A velhinha Maizena resolveu inovar e ENGROSSAR... Eu desafiava-vos a descobrir quantas vezes é que esse verbo aparece no cartaz...

Publicidade - Com que cara é que acordas?

Por vezes publicam-se aqui alguns anúncios publicitários, sobretudo cartazes de exterior, que se consideram interessantes. Lisboa está invadida de caras ensonadas que... chamam a atenção!

É a campanha "Com que cara é que acordas?"

O Clã do Comboio - Desnecessário Desfalecimento

Desnecessário Desfalecimento
Sexta-feira, 3 de Junho. Greve da CP.
Nos dias que precederam a greve, os passageiros foram sendo informados, com dados imprecisos e pelos mais diversos meios, de que o último comboio de regresso, a partir de Santa Apolónia, sai às 12:48h. Depois deste, só no dia seguinte.
O que acontece é que nesse comboio viajarão todas as pessoas que vão de fim-de-semana e todas as pessoas que foram para Lisboa nos diversos comboios da manhã e costumam regressar nos diversos comboios de fim de tarde e princípio de noite. A razão é simples. Muita gente, a maioria, decidiu trabalhar meio dia e regressar no último comboio do dia, o das 12:48h.

Chego à estação de Santa Apolónia às 12:40h. O comboio, que é regional e como tal vai meter gente em todas as paragens e apeadeiros, já está quase cheio. Consigo um lugar. Depois de duas paragens, Braço de Prata e Lisboa Oriente, o comboio está sobre-lotado. Todos os bancos estão ocupados, muitas pessoas vão em pé acotovelando-se junto às portas e ao longo dos corredores. Por uma inexplicável razão, a CP não aumentou o número de carruagens! As mesmas três de um dia normal e um dia normal tem cerca de 10 comboios de regresso com 3 a 6 carruagens cada, circulam atafulhadas de gente. Bastava adicionar uma tripla. Não foi feito. Por outra inexplicável razão, o ar condicionado não foi ligado. Com o calor de um dia primaveril de sol intenso e a respiração de tanta gente numa carruagem hermeticamente fechada, o ar torna-se irrespirável e escasso.

Um pouco antes de Santarém, o tom das queixas cresce, as pessoas abanam revistas e jornais, desapertam-se alguns botões de camisa e acontece um desnecessário desfalecer. Ali mesmo ao pé de mim, um homem cai com estrondo no chão! Está inanimado. As pessoas precipitam-se, depois recuam para não o sufocar ainda mais, alguém oferece uma garrafa de água, Não lhe dêem de beber, avisa alguém. É só para o molhar, respondem. Há quem lhe levante um pouco a cabeça, outro levanta-lhe as pernas. Minutos depois vem a si. Oferecem-lhe um lugar sentado. O homem está lívido e suado. Queixa-se de um braço. Aleijou-se na queda.

Não posso deixar de pensar que tudo isto era desnecessário. Isto não tem nada a ver com lutas e greves e direitos e contra-direitos. Isto tem a ver com uma lamentável falta de cuidado, uma indesculpável falta de atenção para com pessoas que, no início de cada mês, confiam na empresa e compram, adiantadamente, bilhete para todo o mês!

Não foi só o passageiro que desfaleceu. A CP, se continua por este caminho, envereda, também, por um desnecessário desfalecer!

Dois anos de Mails para a minha Irmã

Caros leitores,
a numerologia estatística de "Mails para a minha Irmã" volta a surpreender. O mês de Maio quebrou, de novo, a barreira do mês mais visitado. Em Abril ultrapassámos as cinco mil visualizações tendo atingido as 5300, em Maio, o número de visitas subiu para 5906.

E assinalamos também o facto de, no início de Junho, termos ultrapassado as 25000 (vinte e cinco mil) visitas. Poucos dias depois de termos feito 2 anos de existência.

Esse é outro pormenor interessante: no dia 12 de Maio, "Mails para a minha Irmã" fez dois anos de vida. Dois anos de publicações. 67 Mails para a minha Irmã; 2 romances concluídos e um 3º em curso, 12 Histórias do Autocarro 28; 23 Curtas do Metro; 65 histórias do Clã do Comboio e mais de 80 poemas. Além de tudo isto, fizeram-se centenas de outras publicações num total de 954 posts até ao momento. É um acervo de escrita significativo que só existe porque vocês, os meus leitores, que começaram por ser cerca de 20 por dia e agora são mais ou menos 200, têm lido, acompanhado, comentado.

E de onde são os leitores de Mails para a minha Irmã? Eis a estatística global e a do mês de Maio de 2011.

Origem dos leitores desde sempre
Portugal
33 055
Brasil
3 819
França
1 265
Estados Unidos
778
Alemanha
226
Índia
109
Reino Unido
93
Rússia
87
Canadá
84
Holanda
76

Origem dos leitores em Maio de 2011
Portugal
4 624
Brasil
490
França
229
Estados Unidos
83
Alemanha
56
Canadá
14
Rússia
12
Suíça
10
Espanha
9
Reino Unido
9

Muito Obrigado a todos e até... ao próximo post!

NetWorkedBlogs