The FlightLi algures que "Tudo é autobiográfico". Os factos aqui descritos são verdade. Quase verdade. Contêm alguma verdade. Bem, afinal para que é que interessa a verdade? Verdade, só existe a de cada um! As pessoas de que aqui se fala existem, de facto. Quer dizer, mais ou menos. Pensando bem, existem para mim. Cada um que decida por si. ---- João Paulo Videira ----
Motorcycle Chronicles - The Flight
The FlightO Clã do Comboio - Operação Coirato Feliz

Operação Coirato Feliz
A ideia, justiça lhe seja feita, foi do VM. Um belo dia, entra no comboio pela manhã e diz com aquela natural lata que o caracteriza, Um dia destes podíamos sair em Vila Franca e ir aos coiratos. Àquela hora pareceu indigesto mas não impossível. Para o Clã não há impossíveis. Acertou-se logo ali o dia. Traçou-se um plano. A ideia era apanhar o interregional das 18:18 de regresso a casa, sair em Vila Franca de Xira, ir aos coiratos e apanhar o regional seguinte, o que sai de Lisboa às 18:48. Meu dito, meu feito.
Quando chegámos a Vila Franca, saímos do comboio e fomos ao encontro do VM que já tinha ido desbravar terreno com o JJ para a Taberna dos Coiratos. Ia o Escritor, o Rapaz do Fato Cinzento, a Rapariga do Riso Fácil e a PL. O Rapaz do Fato Cinzento não largava o telemóvel. Soubemos mais tarde porquê. Quando encontrámos o VM, ele estava esquisito, tinha um sorriso engraçado, os olhos muito pequeninos e vermelhinhos e o passo a cinco e três oito. Veio-nos buscar à estação e lá explicou que já tinha estado nos coiratos e nos tintinhos com o JJ. Não parava de dizer, Vocês vão detestar aquilo, mas é típico. Quando lá chegámos, o Rapaz do Fato Cinzento saiu a correr. Achámos que ele estava a ficar tontinho, mas percebemos tudo quando ele regressou trazendo consigo a Senhora da Revista de Culinária. Foi uma surpresa fantástica. Ela tinha perdido o interregional, mas apanhou o intercidades e foi aos coiratos connosco.
A Taberna é surreal e muito típica. Uma porta velha, um corredor muito comprido e escuro que vai dar para o que em tempos foi um pátio e que agora está coberto. Um balcão ao fundo de frente a toda a largura da casa onde só se servem copos de vinho e cervejas. Nada que envolva máquinas, nem imperiais, nem cafés. Há cartazes de touradas antigas, mesas diversas, dois frascos de piri-piri. Ou melhor, um frasco e uma galheta como lhe chamou o senhor que estava a servir copos. Um ambiente rural e ribatejano, com velhotes e gente nova de volta dos coiratos. A um canto, um pequeno fogão separado de nós por um vidro com um buraco para se fazer o pedido. Fazer o pedido é simples. Lá não se serve mais nada. Só coiratos. Então uma pessoa aproxima-se do vidro e diz um número: 3, 4, 5. O número que disser é o número de sandes que leva. O homem que cozinha os coiratos, muito bons, de resto, sua abundantemente para cima deles, mas acho que eles nem sabiam tão bem se não fosse assim. Uma sandes e um copo de vinho custam 1,5€. O VM pagou as primeiras sandes com o copo de vinho. A PL quis pagar a rodada seguinte, mas o Escritor adiantou-se, depois a PL foi ao balcão e teimou que queria pagar uma rodada. É mulher danada, disse o homem atrás do balcão. E ela pagou. E depois foi a vez do Rapaz do Fato Cinzento e depois da Rapariga do Riso Fácil. Quando abandonámos o local, a nossa mesa estava cheia de guardanapos daqueles pequeninos e cheios de goma que, em vez de limparem, espalham a gordura pela cara, rodelas de vinho e copos vazios. Fizemos vários brindes e a PL surpreendeu-nos a todos com um penalti à moda antiga. O Escritor, de cada vez que bebia, batia com o copo na mesa e fazia, Ahhhh! O VM, à saída, virou-se para umas pessoas e falando de nós disse, Desculpem lá, há aí tanta mesa de camponês tão limpinha e logo estes intelectuais é que parecem uns animais! Noutra altura tínhamos-lhe dado uma coça, naquele dia limitámo-nos a rir.
Fomos apanhar o regional seguinte onde sabíamos que vinha a Rapariga com Brinco de Pérola. Quando o comboio chegou, o Rapaz do Fato Cinzento irrompeu por ele a dentro a gritar o nome da Rapariga com Brinco de Pérola muito alto. Logo atrás dele ia o Escritor a fazer o mesmo. Ela ficou mais do que corada. As pessoas estavam um tanto incrédulas. Tentámos correr com as pessoas dos bancos para nos sentarmos, mas não resultou. Então resolvemos ir todos em pé a conversar. E assim foi... e, no entretanto, fomos distribuindo cartões de visita do blogue enquanto o Rapaz do Fato Cinzento dizia, Hoje sinto-me tão desinibida. A Senhora da Revista de Culinária tirava fotos e chorava de riso. Acabámos por nos conseguir sentar. O VM ia encostado ao vidro, com um ar alucinado e o cabelo todo despenteado. Parecia o ALF. O VM e o Rapaz do Fato Cinzento começaram a gozar com a Rapariga com Brinco de Pérola por causa dela falar francês. Perguntaram se ela tinha trazido a valise de carton e se era sadomasô (com tentativa de pronúncia francesa) e foi nesta altura que ela aplicou uma das suas famosas caneladas no Rapaz do Fato Cinzento que ficou marcado para todo o sempre. A Rapariga do Riso Fácil resolveu desinibir-se e vai daí esticou as pernas e assentou os pés no colo do Rapaz do Fato Cinzento. Este por sua vez meteu-se com o Picas e o seu anel e perguntou-lhe se ele era motoqueiro. A resposta não se fez esperar: Motoqueiro não, Motard! Ao fundo ia a brigada da laca chefiada por uma velhinha que se partia toda a rir até que aconteceu um momento inesquecível de entre todas as inesquecíveis loucuras desse dia.
O Escritor e o Rapaz do Fato Cinzento repararam numa moça toda jeitosa que ia uns bancos mais à frente sentada ao comprido com as pernas esticadas por cima dos bancos. Como não conseguiam vê-la bem porque estavam sentados, começaram a fazer exercícios de ginástica do tipo levantar e sentar, 1, 2, 3, para cima. 1, 2, 3 para baixo. Claro que enquanto estavam em cima miravam alarvemente a rapariga que se ia rindo deles e das lindas figuras que estavam a fazer.
Saímos em loucura do comboio com a PL e o Escritor a contarem anedotas. O Rapaz do Fato Cinzento chamava por uma desconhecida, Vanessa! Raquel!... e ela nada. A Rapariga do Riso Fácil desinibiu-se de vez e disse-lhe, Olha lá, eu sou gira, não sou?
A Rapariga com Brinco de Pérola teve uma grande demonstração de carinho da nossa parte e, ao mesmo tempo, deve ter passado uma das maiores vergonhas da sua vida.
Eu acho que o VM teve uma excelente ideia e acho também que, depois de um dia de trabalho intenso, umas quantas graçolas e brincadeiras inofensivas fazem bem à alma e ajudam a aproximar as pessoas. E isso é bom porque nós, humanos, nascemos sozinhos, morremos sozinhos e passamos grande parte das nossas vidas sozinhos ou envolvidos em problemas. Esta solidariedade do Clã do Comboio, além de todas as outras vantagens é absoluta e miraculosamente libertadora e... como diziam os gregos, catártica!
O Clã do Comboio - Tristeza
TristezaAgenda

Fábula da Cigarra Enquanto a Formiga Dormia
Fábula da Cigarra Enquanto a Formiga DormiaMotorcycle Chronicles - Put Your Head On My Shoulder
Put Your Head On My ShoulderA Austeridade não é para todos!

Humor Negro (2)

Depois da descoberta do átomo, do neutrão, do protão e do electrão, acabou de ser descoberto o Pelintrão. E como se caracteriza o Pelintrão? O Pelintrão é um tuga sem massa e sem energia, mas que suporta qualquer carga!
C'était un rendez-vous
Humor Negro e Profecias

Momentos de Nostalgia...
Desculpem lá mas não dá mais...

"Com Amor," - Documento 55

Receita de Bacalhau

Ponha a mulher na cozinha com os ingredientes e feche a porta.
Beba cerveja durante duas horas e depois peça para o bacalhau lhe ser servido.
É uma delícia e quase não dá trabalho!
INEXISTANT
INEXISTANTL'avenir
C'est demain, c'est plus tard
L'avenir
C'est voir son enfant grandir
L'avenir
C'est sortir et s'amuser dans les bars
L'avenir
C'est voir le spectacle et applaudir
L'avenir
C'est demain, c'est plus tard
L'avenir
C'est ce que je n'ai plus maintenant
L'avenir
S'est achévé depuis que cette vie part
L'avenir
Etaient les promenades par la main te tenant
L'avenir
Ce fils que je ne verrai pas être homme
L'avenir
L'homme en blanc l'arrêté
L'avenir
Pas encore partie mais c'est tout comme
L'avenir
Après tout, la vie ne m'était que prêtée
L'avenir
C'est ne pas dormir pour ne rien manquer
L'avenir
De ce qui me reste à vivre, à voir
L'avenir
Je le sens s'enfuir, comme un navire tanguer
L'avenir
C'est voir le soleil quand il ne cesse de pleuvoir
L'avenir
C'est ne surtout pas dire Adieu
L'avenir
Pour ne pas clore le chapitre
L'avenir
C'est douter de tout, même de Dieu
L'avenir
C'est se referemer, se clore comme une huitre
L'avenir
C'est ce qui n'existe plus désormais
L'avenir
S'achève tôt ou tard pour tous
L'avenir
C'était ton souffle doux quand tu dormais
L'avenir
C'est de la vie jeter la gousse
L'avenir
C'est renoncer à appeler à l'aide
L'avenir
S'en est allé trop tôt mais sûrement
L'avenir
C'est le tien; tu es le remède
L'avenir
Même si tu le ressens durement
L'avenir
C'est toi, c'est eux dorénavant
L'avenir
T'appartient à toi seul, mon enfant
L'avenir
S'en est allé mais reste cependant
L'avenir
Est en face de toi, sans moi, droit devant.
Curtas do Metro - Elegância Monocromática
Elegância MonocromáticaDinamarca 2 - 1 Portugal
"Com Amor," - Documento 54

"Com Amor," - Documento 53

"Com Amor," - Documento 52

Qual Memória?

A Diferença
ContraLuz
Sem Surpresa

Agradável Surpresa

O Clã do Comboio - Chocolates de Liège e Tripas à Moda do Porto
Chocolates de Liège e Tripas à Moda do PortoUm dia destes, na sequência de uma conversa seriíssima e muito circunspecta, como são todas as do Clã, a Senhora da Revista de Culinária disse, e passo a citar para me desresponsabilizar, referindo-se ao VM, Ele pode escolher aquilo que ele quiser! Nós bem a aconselhámos a não lhe dar tanta liberdade, mas o certo é que estava dito o que dito foi. Nada havia a fazer. Ele replicou com aquela malandrice mal disfarçada de marialva ribatejano, Ela é o melhor chocolate que eu já degluti! Esta frase despertou um universo de questões que não aprofundámos por puro pudor. Eu, contudo, que gosto de ser o centro das atenções, reclamei que a Senhora da Revista de Culinária estava a ter muita atenção por parte do VM, ao que ele respondeu, Não te preocupes, eu sou um homem de uma careca só. Medo... muito medo. Nem a Senhora da Revista de Culinária é careca, nem a minha careca pertence, em qualquer sentido ou universo, ao VM...
E foi então que o VM prometeu trazer da Bélgica, onde, segundo o próprio, ia em trabalho, os maravilhosos chocolates de Liège. E, assim que se falou em chocolates, a Rapariga com Brinco de Pérola começou a babar-se e a corar. Ora, se corar é normal nela, já babar-se é menos comum. Confessou que era viciada em chocolates e explicou que tinha sempre o frigorífico cheio deles. Anda a desabrochar esta Rapariga com Brinco de Pérola. Hoje, por exemplo, quando em meio de uma conversa muito séria e científica, o Escritor usou a expressão strap on, que é usada em inglês de Inglaterra para nos referirmos a objetos em cabedal usados em práticas sexuais ousadas, ela corou imenso e largou-se a rir. Até às lágrimas! Todos concordámos em dois aspetos. Que aquele riso cheirava a confissão e que queríamos ver uma foto do interior da gaveta da mesa de cabeceira dela.
Quando chegou o Picas, estávamos a recordar o dia em que os homens do Clã deram os seus passes para as mãos das mulheres e vice-versa. Nesse dia, o Picas viu-nos a todos com o sexo trocado... no passe! Hoje, oferecemos-lhe chocolates de Liège. Ele não quis. A Rapariga do Riso Fácil e a Senhora da Revista de Culinária ficaram contes: mais sobra!
Foi um gesto muito simpático do VM, ter trazido os chocolates. Mas não foi o único do dia. Viajou connosco, pela primeira vez no interregional das 7:18, a Menina-Senhora. É uma moça jovem, de sorriso largo e luminoso, dentição alva e alinhada, roliça, muito simpática e... apreciadora de chocolates de Liège! Vive em Santarém, mas, ao que parece, é do Porto. Talvez por isso, o VM foi sentar-se de frente para ela a catrapiscar o decote e a contar anedotas dos tipos do Porto. Não percebi porquê, mas ela adorou-nos. Costuma vir num comboio mais cedo, mas admitiu que ficou de tal forma fascinada connosco que vai passar a vir à nossa hora. Não sei se alguém lhe disse que o VM não traz chocolates todos os dias, mas devia ter dito... O que sei é que ela se comprometeu a trazer uma marmita com tripas à moda do Porto para nós provarmos. Eu não sei se a Menina-Senhora sabe onde é que se meteu, mas dei-lhe o endereço do blogue. Assim, se voltar, não vem enganada. O certo é que ficamos todos à espera das tripas! Das tripas e da Menina-Senhora que promete...
Daí em diante todos serenámos um bocadinho. Todos, menos a Rapariga com Brinco de Pérola que fixou o olhar num ponto indefinido, com um ar semi-saciado e nunca mais descorou. Foi vermelhinha até ao fim. Vá-se lá saber em que é que ia a pensar...
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PS: Quando li o rascunho deste texto ao Clã, às vezes faço isso, a Rapariga com Brinco de Pérola apressou-se a dizer que não encontraríamos nada na gaveta da mesa de cabeceira dela porque "aquilo é muito grande para lá caber". E corou outra vez.... Mais medo... muito medo...
Legado

O Clã do Comboio - Elegia para um Aniversário
Elegia para um Aniversário





