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Crónicas de Maledicência - No Reino Animal


Crónicas de Maledicência - No Reino Animal

Amigos e leitores, isto hoje é assim uma crónica do tipo "National Geographic". Só com alimárias. E daí, não sei não, porque há um macaco que parece que não é bem macaco. Quer dizer, ele nasceu macaco, mas parece que para sair do cativeiro não pode ser macaco. E onde é que isto se passa? Nos Estados Unidos, claro. Se Darwin não conseguiu, os americanos dão um jeito. A coisa foi assim: ao que parece há um chimpanzé que está em cativeiro. Preso, portanto. Houve uma ONG que quis libertar o macaco e por isso pediu o seu Habeas Corpus ao tribunal. Acontece que o Habeas Corpus, segundo a lei, serve para libertar uma pessoa detida ilegalmente. Ora, que o macaco esteja detido ilegalmente, ninguém duvida. Já que ele seja uma pessoa... Ao que parece, a ideia é o macaco ser pessoa por um dia e depois voltar a ser macaco. Mas isso, a mim, desculpem-me o conservadorismo e a falta de sensibilidade, parece-me um passo maior do que a perna. Parece-me, mesmo, uma daquelas coisas absurdas saídas de Hollywood. Eu tinha cá uma ideia mas deve ser muito simples para as complicações dos homens. Então e se libertassem o macaco como macaco e pronto não se fala mais nisso sem ser preciso ele ser por um dia o que nunca será por tempo nenhum? Eh pá, amigos, andamos a complicar um poucochinho acima da conta.

 
Por falar em animais, mas desta vez mais pertinho do que nos EUA, ali mesmo em Lisboa de Portugal, aconteceu uma daquelas coisas que, se o ridículo matasse, os envolvidos já estavam a prestar contas ao Criador. Quem me conhece, sabe que sou um tipo ordeiro e respeitador da lei, da ordem e das autoridades que a garantem, mas... às vezes, até eu duvido! Vejamos, os senhores da Guarda Nacional Republicana, como isto aqui não é a balbúrdia que vai nos States, apreenderam, apreenderam é o termo, nove, não um, nem dois, nem três, mas nove(!) leões a um circo. E foi para proteger os animais? Nada! Foi porque não tinham papéis de identificação. O GNR passou por ali, pediu o Cartão de Cidadão ao leão, ele não tinha, passaporte muito menos, e vá de o apreender. Até aqui tudo bem. Os meus amigos sportinguistas que me desculpem, mas leão que é leão ou anda identificado ou apreende-se! Ora, tendo apreendido os felinos, o que lhe fez a GNR? Entregou-os ao dono! Pois, chegámos, no nosso país, a este estado de coisas. A GNR já nem tem jaulas nem tratadores para tomar conta dos leões que vai apreendendo no quotidiano da Capital. Eu até considero a medida muito adequada. Por exemplo, se me apreendessem o meu carro por falta de documentos, eu não me importava nada que mo entregassem à minha guarda. 

As notícias que deram origem a esta crónica encontrei-as aqui e aqui e parecem-me fidedignas. Mas lá que são estranhas... e a malta com tanta dívida pública para pagar!

jpv

Crónicas de Maledicência - Ponto da Situação


Crónicas de Maledicência - Ponto da Situação

Não pode um homem virar costas durante uns dias, uma mísera semana no cósmico devir dos tempos, e Portugal desata a acontecer. Final de ano letivo, uma viagem, mais umas consultas, comprar uns medicamentos que o corpo começa a fazer perguntas ao tempo e resultou tudo numa semana de um pouco menos de atenção aos média. Menos net, menos telefone e menos televisão. E assim que um tipo acorda para o mundo lusitano, ele mudou-se de lugar. Foi tanta coisa em tão pouco tempo que, sabendo nós que temos muitos leitores em fase de veraneio, vimos aqui fazer um breve, se for possível tanto Rossio para tão pouca Betesga, ponto de situação.

Ao que parece o Senhor Ministro dos Negócios Estrangeiros demitiu-se com caráter irrevogável. Fosse porque o caráter não era irrevogável, fosse porque não era caráter, foi readmitido como Vice-Primeiro Ministro. Ele justificou-se, e bem, dizendo que primeiro estava o país. Só não disse onde é que estava o país quando da demissão que foi irrevogável mas mudou de teor.

Ao que parece, a nova Ministra das Finanças tomou posse e ao que parece nem toda a gente concordou e ao que parece esteve de saída e ao que parece não saiu. Chama-se Maria, a Senhora Ministra, nome muito apropriado, porquanto ainda agora conheceu o menino e já tem percorrido longo calvário.

O Povo, que é ingrato e néscio, andava acusando o Senhor Presidente da República de não fazer nada. Houve mesmo quem buscasse metáforas circenses de mau gosto rapidamente perdoadas. Ora, um fim de tarde cálido, estava o Senhor Presidente da República a fazer nada e acordou de sua entorpecida letargia. E fez. Fez tudo duma assentada. Com a particular e difícil virtude de ter feito a vontade a todos. Sim, já nasceu o homem que agradou a gregos e a troianos. Havia os que queriam que ele mantivesse o Governo. Ele manteve o Governo. Havia os que queriam um Governo de Salvação Nacional multicolor. Ele decretou a constituição de uma coisa dessas. E havia os que queriam eleições antecipadas. E ele marcou-as. Claro que a salvação nacional não pode durar mais de onze meses, mas compreende-se, se é para salvar, então que seja rápido.

E, assim sendo, já tínhamos em perspetiva três Governos possíveis, acontece que o próprio Governo propôs um outro Governo! Eu até pensei que devia ser engano do jornalista, mas estavam todos a dizer o mesmo. Enfim, não se compreende, mas aceita-se.

Por sua vez, a oposição diz que vai a jogo, à conversa de diálogo chamada. Mas avança que não aceita. E talvez por isso há por aí muito ignorante, grupo em que me incluo, que não percebe porque é que vai conversar se a conversa já terminou.

Por sua vez, inquietada com tanta agitação enquanto ela estava para ali a fazer nada e a ver os outros a divertirem-se, a Senhora Presidente da Assembleia da República, aquela jeitosa do biquini branco que tem um corpo interessante e adequado para anúncios de fraldas para a icontinência, mas, de certo, tem demasiado corpo para o cargo que ocupa pois todos sabemos que o Presidente da Assembleia da República tem de ser velho e reformado e ela só é reformada, resolveu dar um arzinho da sua graça. Ora, errou na força do arzinho e saiu-lhe um ciclone. Na mesma tarde, citou Simone Bôvuare (ela pronuncia assim), correu com uma cambada de manifestantes da Assembleia da República porque isto é à vontade, mas não é à vontadinha, a democracia tem limites, fez uma metáfora e prestou declarações à imprensa. A senhora devia estar derreada. Eu que tenho a impressão que sou escritor é que sei o trabalho que dá fazer metáforas. E nem sempre saem bem.

Estava o país entretidíssimo com tanta ação e tanta novidade, a pontos de ninguém se interessar pelas imagens discursivas contundentes dos deputados do Bloco, não digo de Esquerda porque da maneira que isto vai, ainda muda de mão, e aparece aquela senhora que foi Ministra das Finanças e não acerta com as concordâncias de género e número, a Doutora Manuela Ferreira Leite, e diz do ex-futuro-ministro-Doutor-Paulo-Portas que ele era um menino que fez birra porque lhe tinham dado um brinquedo e depois lho tinham tirado porque o brinquedo não era dele. Às tantas, eu estava confuso porque já não sabia bem de quem era o brinquedo. E é claro que, com declarações deste teor e de tão ilustre personagem, seria de esperar que Portas se escondesse atrás das ditas enquanto a vergonhaça passava.

Qual quê! A tradição já não é o que era. O ex-futuro-ministro foi à Casa da Democracia, fez um acalorado discurso onde justificou a sua partida e explicou o seu regresso e foi aplaudido, nada mais, nada menos, do que de pé.

No final de uma sucessão trepidante de eventos deste teor só apetece perguntar, assim meio baralhado, Olha lá, como é que ficou o jogo? E a resposta é simples. Antes disto, os juros da dívida pública estavam a 6,10% e agora estão a mais de 7,5%. É verdade que pode ter saído caro, mas não é menos verdade que o entretenimento foi do melhor nível possível. A Teresa Guilherme que se cuide, se a Casa da Democracia continua a dar este espetáculo, ela vai ter de fechar a casa do irmão grande e fica no desemprego a engrossar o engano nas previsões daquele senhor benfiquista que já cá esteve mas foi embora. Aquele do Borda d'Água...

jpv

Crónicas de Maledicência - As Cartas Estão na Moda


Crónicas de Maledicência - As Cartas Estão na Moda

Pode um homem esforçar-se o que quiser, aplicar-se e trabalhar tudo o que quiser que, a verdade, verdadinha, é que quem pode, pode, quem não pode, arreia.

Tentamos motivar os alunos para o discurso epistolográfico de primeira pessoa, escolhemos cartas interessantes como exemplo, mostramos powerpoints, fazemos discursos entusiastas e... nada... nem um piscar de olhos... Dizemos aos pais para comunicarem connosco, que, ao menos, assinem a caderneta e mandem um recadinho por lá a dizer se receberam certa informação e... nada... nem um piscar de olhos. Ninguém quer saber de cartas para nada.

Até ao momento em que dois senhores, por motivos diferentes, em países diferentes, se põem a escrever uma carta, mais ou menos esperada e, até, em certos aspetos, mais ou menos óbvia, e o que é que acontece? Telejornais e comentadores até às duas da manhã, primeiras páginas, internet atulhada de referências. E eram estas cartas especiais? Quer dizer, ser, eram. Todas o são, caso contrário, quem as escreveu não se tinha dado ao trabalho. Mas também não é como se revelassem algo que já não soubéssemos todos!

A carta/comunicado que Snowden escreveu ao Presidente Obama é tão óbvia que o próprio nem reagiu. Então ele revela ao mundo e acusa o Presidente de andar a espiar a Europa? E o que é que isso tem de novo? Quem é que não sabia ainda? Se é por causa destas revelações que os americanos andam a ver se deitam a mão ao Snowden, então deixem-no em paz que o tipo é uma autêntica fraude, não tem mesmo nada de novo para revelar. Em todo o caso, a sua carta/comunicado teve uma virtude reveladora. Acabou de vez com a guerra fria! Ah pois é! Foi ontem que se enterrou o fantasma da guerra fria. Eu, que vivi o auge das ameaças nucleares e as tensões e as competições e as ameaças de boicotar Jogos Olímpicos, ouvi ontem, com estes dois que a terra há de comer, o Presidente da Rússia a chamar amigos ao americanos! Ele referia-se a Snowden e dizia, "Pode cá ficar se parar com estas brincadeiras e deixar de se armar em engraçadinho, caso contrário, procure outro país porque nós respeitaremos os nossos amigos americanos" Eh pá, iam-me vindo as lágrimas aos olhos...

Por falar em cartas, Vítor Gaspar, pouco dado a narrativas, homem mais dedicado aos gráficos e ao Excel, deixou-se de numerologias, mudou de software, atirou-se ao processador de texto e escreveu uma carta. Tal como a de Snowden, também ela tinha informação óbvia. Gaspar diz que se enganou. Pois, andam a dizer-lhe isso há muito tempo. Gaspar diz, por outras palavras, que não tinha o apoio do Governo. Pois, já o tínhamos visto muito sozinho, as bases dos partidos da coligação a desautorizá-lo, enfim, nada de novo. Gaspar diz a Passos Coelho que está na hora de investir. Anda tudo o que é analista, economista, politólogo e cidadão comum a dizer a mesma coisa há meses, anos, até. Então, porque é que a carta ocupou tanto tempo de antena? Básico, simples e justificadíssimo motivo: a carta de Vítor Gaspar faz emergir Maria Luís Albuquerque! O leitor não sabe quem é mas vai descobrir já na próxima declaração de IRS! É uma espécie de Vítor Gaspar, mas sem olheiras e de saias! Era o braço direito do próprio! E é isso que me intriga. Se o braço esquerdo não servia, porque serve o direito? Mas, enfim, nada de juízos precipitados. Dê-se, por agora, o benefício da dúvida, a ver se os tipos da Troika nos dão o benefício da dívida! E deixemos trabalhar a Senhora Ministra que a espera tarefa ciclópica.

Posto isto, esperemos ávidos pelas próximas cartas. É que pelo andar da carruagem, cheira-me a ter pegado moda.

Com a mais elevada estima e consideração,

Maputo, tantos do tantos

João Paulo Videira

Crónicas de Maledicência - Carta de Conveniência


Crónicas de Maledicência - Carta de Conveniência

Eu nem devia dizer isto porque sou homem, muito menos escrevê-lo, mas enfim, cá vai: então as mulheres ainda não aprenderam que, se disserem a um homem, "Utiliza-me como te convier.", há uma probabilidade elevadíssima de ele o fazer?!

A Senhora da Imagem é Christine Lagarde, a diretora do FMI. Sim, esses mesmos que nos andam a exigir sacrifícios e a errar nas contas e nas folhas dos excéis. Ora, a senhora escreveu uma cartinha ao então presidente de França, Nicolas Sarkozy, e, entre outros mimos, trata-o por "querido", diz-lhe que existe para o servir e acaba dizendo a lapidar frase "Utiliza-me como te convier." E ele utilizou. Não, caro leitor, não vá pelos caminhos sinuosos da libido porque o Sarkozy já tinha a Carla Bruni que lhe dava uma trabalheira. De cada vez que a excelsa modelo francesa pedia uma beijoca ao presidente, lá ia ele buscar o escadote e vai de subir e vai de beijar e vai de descer. Ou seja, Lagarde bem quis, mas ele não podia mais. Então, serviu-se dela para, alegadamente (escrevendo esta palavra livro-me de processos), se dirigir ao presidente jurando-lhe fidelidade. Acontece que a folha da senhora está tão limpa como um pano de mecânico, os mecânicos que me perdoem, e ela estava a ser investigada no escândalo Tapie quando a terna missiva foi encontrada.

Pergunta o leitor, com toda a razão, Ó JP e quando é que começas a fazer sentido? Vai já, caro leitor, vai já!

Acontece que o tribunal condenou o Estado Francês, representado por Sarkozy, a pagar a um empresário chamado Bernard Tapie a módica quantia de 403 milhões de euros sendo que, pasme, amigo leitor, pasme, Tapie é amigo de Sarkozy e Christine Lagarde é amiga dos dois e até se predispõe a ser usada por um deles como, a ele, lhe convier. Não censuremos a senhora! Se eu tivesse uma amiga com uma amiga com 403 milhões de euros eu não só escrevia à minha amiga para me usar como lhe conviesse, como escrevia às DUAS para me usarem como lhes conviesse.

Conclusões. A senhora da foto é amiga de um tipo que era chefe de estado quando o seu amigo, também amigo dela, o processou e ganhou e ela assistiu a tudo e calou-se. E o que é que isto tem a ver connosco? Simples. Está a ver a dificuldade em pagar a conta da luz, em fazer compras no supermercado, em comprar o gasóleo? Pois, ela não tem, mas o caro leitor tem. Por via de uma austeridade imposta por uma equipa que esta senhora dirige!

E pronto, traçada a teoria da conspiração, vou ali escrever uma carta e já venho:

"Querida Christine,
Utiliza-me como te convier..."

Tenho Dito!
jpv

Crónicas de Maledicência - O Mal Agradecido


Crónicas de Maledicência - O Mal Agradecido

A imagem que escolhemos para ilustrar esta crónica não bate muito certo com o título dela. E o efeito é propositado.

Efetivamente, vemos na imagem o Senhor Presidente da República agradecendo quando, na verdade, terá dado mostras de ser um tanto mal agradecido.

Eu explico e faço-o com brevidade. Numa altura em que o país é assolado pelo mais grave dos flagelos, o desemprego, fenómeno que destrói a economia, a capacidade de produção, o comércio e o tecido familiar, e, concomitantemente, numa altura em que se antevê que o homem que dá corpo ao Senhor Presidente da República, o cidadão Aníbal Cavaco Silva, pode engrossar as fileiras de desempregados, houve um cidadão que, em Elvas, terá mandado Aníbal trabalhar, com certeza oferecendo-lhe emprego, numa demonstração de preocupação com o seu futuro e simpática generosidade. E como foi recebida tal oferta? Com um célere julgamento que, logo no dia seguinte, condenava o simpático cidadão a uma multa de 1300€.

Ficámos perplexos. Logo à partida, não sabíamos que o trabalho constituía ofensa, depois, pensámos que, havendo tão pouco trabalho, assim que aparecesse algum, a oportunidade não seria desperdiçável e, por fim, pensávamos, até agora, que Aníbal era um adepto do trabalho. De tal forma que até acumulava funções e as respetivas regalias como sejam os vencimentos, as reformas, as viaturas, enfim, tudo a que tinha direito.

Ora, ironias à parte, importa perceber como é que num país em que é preciso dedicarmo-nos a tanta coisa de suma importância para sairmos da situação em que estamos, a justiça, conhecida por ser lenta, foi desta vez tão célere. Porque se gastam energias e a preciosa verba do erário público com coisas como seja um cidadão, num clima de crise, dizer ao Presidente da República para ir trabalhar.  Mesmo reconhecendo a falta de respeito, e condenando-a, parece-me que o Senhor Presidente da República deveria ter mais o que fazer do que a andar a apresentar queixa e a patrocinar processos desta (quase insignificante) importância! Imaginemos que era eu, ou o amável leitor, que me queixava à justiça por alguém me mandar trabalhar. Teríamos processo resolvido em 24 horas? Seria o culpado identificado, interrogado e intimado a pagar uma multa de 1300€ em tão curto espaço de tempo? Ficam as interrogações. E fica, para a história, esta sensação de que Aníbal Silva, ainda pode vir a arrepender-se de ter recusado a oferta...

Tenho Dito!
jpv
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A presente crónica fez fé em notícia publicada aqui e aqui.

Crónicas de Maledicência - Teoria da Relatividade


Teoria da Relatividade

A nação lusa vive hoje um dia de indecisão. Não sabe bem o que pensar nem o que comentar. Há esse assunto premente e urgente e que, por via das paixões, se sobrepõe a todos os outros: o jogo entre o Benfica e o Chelsea na final da Liga Europa. Os radiojornais, os telejornais, os sites e outros que mais dão um destaque total. Contudo, quase tão importante como este decisivo jogo para a nação lusa, é o esoterismo e o misticismo das declarações de Cavaco Silva, o Senhor Presidente da República, ontem à tarde... a mulher dele disse-lhe que a 7ª avaliação da Troika se tinha fechado por uma inspiração de Nossa Senhora de Fátima. Que Cavaco era místico, já todos sabíamos, afinal de contas, poucos são os que sabem o que vai naquela cabeça, às vezes desconfio que nem o próprio tem certezas... Agora, que a Primeira Dama o fosse também, já achei muito misticismo para uma família só. Ou é isso, ou é aquele fenómeno muito macho do tipo, coisas de religião é com a minha senhora que eu tenho o negócio para gerir, sou homem, trabalho, deixo as relações com a Divindade a cargo dela... Ora, não negando importância à Crise, o facto é que ninguém com o mínimo de bom senso quer saber da crise para nada no dia em que joga o Benfica logo a seguir ao dia em que a Senhora de Fátima fechou a 7ª avaliação da Troika e no-lo comunicou nada mais, nada menos, de que através de Maria... Cavaco Silva.

Mas tudo é relativo, amigos, tudo é muito relativo... aqui, neste belo país em que me encontro, rodeado de gente simpática, aqui mesmo no coração do Continente Encarnado, como lhe chamam, mais importante do que o Benfica, do que a inspiração da Senhora de Fátima e do que o misticismo da Primeira Dama era... tomar banho! Tomar um banhinho é que já dava jeito. Nada demais, disse ele, resolvo em meia hora de tempo... já lá vão 26 horas de tempo!
jpv

Crónicas de Maledicência - A Síndrome Juncker


A Síndrome Juncker

Quem é Jean-Paul Juncker?
É o Primeiro-Ministro do Luxemburgo!

Então qual é a autoridade que lhe assiste para afirmar que "Portugal não pode ter uma crise política"?
Nenhuma.

Mas fá-lo...
Claro! Governar Portugal a partir de fora tornou-se numa moda, pior, numa verdadeira síndrome!


A intervenção da Troika terá sido necessária do ponto de vista financeiro para salvar o sistema financeiro português. Em todo o caso, abriu um precedente perigosíssimo: haver quem, de fora de Portugal, sem qualquer legitimidade política, opine, faça ingerências e tente manipular a governação portuguesa.

Mais. Portugal é uma nação independente, com direito à autodeterminação que conquistou para si há muitos séculos e que tem ajudado a mobilizar para países que a não tinham. Acontece que, recentemente, qualquer artista de fato e gravata, de proveniência mais ou menos incerta, entende que pode governar Portugal. De facto, a subjugação da política ao pensamento financeiro aniquila as sociedades uma vez que aquilo que era um mero instrumento ao serviço das nações se transforma no objeto único, absorvente e assassino das próprias nações.

O mais grave é que se chegam a questionar instituições de soberania maior em Portugal como seja o Tribunal Constitucional. 

Portugal tem de respeitar os seus compromissos, sem dúvida. Mas essa gestão cabe-nos a nós fazê-la no respeito absoluto pela democracia. Se os portugueses quiserem uma crise política, têm o direito de a defender e a obrigação de assumir as responsabilidades por ela, quer os Junckers deste mundo queiram, quer não.

Querem governar? Tudo bem. Governem a casa deles. É que, olhando aqui em volta, não vejo nenhum país que possa gabar-se de não ter problemas. O melhor seria que Juncker e os outros se deixassem de tiques de arrogância e arrumassem a sua própria casa.

Portugal é livre. Sê-lo-á sempre.

Tenho dito.
jpv

Crónicas de Maledicência - A Bela e o Monstro


Crónicas de Maledicência - A Bela e o Monstro

Há uns meses atrás, um presidente de câmara italiano conseguiu fazer aprovar uma lei, reparem bem, aprovar uma lei que proibe as mulheres feias de andarem em biquíni pelas ruas da sua cidade. O ridículo da situação assenta, não só na discriminação que a lei envolve, mas, sobretudo, nos critérios! Como é que o tipo diferencia as bonitas das feias? Quem são as belas e quem são os monstros? E haverá polícias da fealdade a dizerem:
- Minha senhora, vista-se, por favor.
- Então porquê, senhor guarda, eu estou de biquíni.
- Pois, mas a senhora não pode!
- Não posso? Porque?
- É que a senhora é feia!
Enfim, a lei passou e, ao que parece, quem for feia, seja lá isso o que for, não pode circular pelas ruas em biquíni.

Nem de propósito, esta semana, na Arábia Saudita, três jovens foram detidos, presos e deportados por serem demasiado bonitos! É impossível não imaginar o ato de detenção:
- Alto! Mãos ao ar! O senhor está detido!
- Mas, senhor guarda, o que é que eu fiz?
- O que é que o senhor fez? Então não se está mesmo a ver? O senhor embelezou demasiado!

Enfim. É o mundo que temos. É a cultura que temos. Com preciosidades e maravilhas. Com atropelos e preconceitos. Fiquei a pensar qual será a linha que separa uma pessoa bonita de uma demasiado bonita?

Daqui, deste cantinho luso-moçambicano, não consigo evitar um conselho: e que tal se os jovens sauditas fossem para Itália e as matrafonas italianas, classificadas como feias, fossem para a Arábia saudita?

É normal que, quando o nosso mundo se entrega desta maneira à forma, o conteúdo se degrade. E quando o conteúdo se degrada, a Humanidade segue caminhos perigosos, afasta-se da fraternidade e da justiça, valores maiores da nossa convivência social.

Tenho dito!
jpv

Crónicas de Maledicência - A Ponta do Iceberg


Crónicas de Maledicência - A Ponta do Iceberg

Depois do chumbo das quatro alíneas do Orçamento Geral do Estado por parte do Tribunal Constitucional, o Governo tinha duas hipóteses. Ou se demitia, ou começava a trabalhar em medidas para recuperar a verba perdida partindo do princípio, claro está, de que não alteraria a linha política seguida até agora.

O tal chumbo preocupou-me. Não me manifestei na altura, mas acreditei sempre que a atitude do TC pudesse funcionar como justificação para espoletar um conjunto de medidas abslolutamente violentas. Tão violentas que não tinha havido coragem para se pensar nelas.

O que li esta manhã no portal "Notícias ao Minuto" parece-me ser a ponta do iceberg dessa violência. Efetivamente, a notícia, que aparentemente é sobre os professores com mais tempo de carreira, logo, os mais velhos, retirando-lhes a redução da compenete letiva por compensação da idade e do desgate, a ser levada a cabo, terá desastrosas consequências nos mais novos. E a razão é simples. Muitos ficarão sem trabalho. A medida é aplicada no topo, mas as consequências recairão em professores a meio de carreira ou com poucos anos nos quadros. O mais curioso é que, desta forma, o executivo de Pedro Passos Coelho, com Nuno Crato à cabeça da Educação, nem precisa de falar em mobilidade especial, nem precisa de falar em despedimentos. Disso falará mais tarde, quando já for inexorável e não houver qualquer hipótese de recuar. São momentos muito difíceis os que vivemos e, se não temos cuidado, as medidas que tomarmos podem liquidar os serviços públicos e, liquidando-os, assassinam o tecido consumidor. O momento seguinte é a agonia do comércio e da indústria. Numa economia saudável, os consumidores têm de poder consumir.

Este é um iceberg com muitas pontas, mas, a ser verdade, poucos dias depois da decisão do TC, esta medida é o prenúncio de um despedimento massivo de docentes. A questão, agora, são duas! Uma, é saber se os docentes a dispensar são necessários ou não, ou seja, se fazem falta à sustentabilidade do sistema educativo ou se é um corte cego e puramente financeiro. A outra, é saber se o seu despedimento constitui efetivamente uma poupança ou se representa, a curto prazo, uma tremenda despesa... sim... não estou maluquinho, nem me falta a coerência, ora pensem lá bem...

jpv

Crónicas de Maledicência - É P'rá Amanhã!


Crónicas de Maledicência - É P'rá Manhã!

Independentemente de se concordar, ou não, uma moção de censura apresentada pelo maior partido da oposição é um facto político inegável e, tendo sido debatida na Assembleia da República ontem, hoje é um assunto importante na vida política portuguesa.

Independentemente de se gostar da sua ação ou não, Miguel Relvas não é um político qualquer. Foi, até hoje, o Ministro dos Assuntos Parlamentares. A sua demissão não é coisa de somenos. É um facto político inegável e importante na vida social e política do país.

Independentemente do que possa pensar-se, se o Senhor Ministro da Educação tem em sua posse um relatório da Universidade Lusófona sobre a legitimidade da formação superior do, até agora, Ministro dos Assuntos Parlamentares, isso é um facto político inegável.

Independentemente da opinião de cada um, o Tribunal Constitucional está prestes a pronunciar-se sobre o Orçamento de Estado e isto constitui um facto político inegável com consequências nas vidas dos portugueses e até eventuais consequências ao nível do Governo como admitiu o Senhor Primeiro Ministro.

E é por isso que eu não percebo como é que, instado a comentar estas matérias, nomeadamente, a moção de censura e a demissão de Miguel Relvas, o Senhor Presidente da República diz, e cito, "Hoje não há política". Ó Senhor Presidente, olhe que é precisamente hoje que há política. Eu bem sei que cai melhor fazer uma degustação de produtos gastronómicos portugueses, mas há matérias e momentos a que um Presidente da República não pode esquivar-se! Enfim, fica p'rá amanhã.

jpv

Crónicas de Maledicência - Uma Questão de Oportunidade


Crónicas de Maledicência - Uma Questão de Oportunidade

A Coreia do Norte não podia ter escolhido pior semana para iniciar a terceira guerra mundial. É que ninguém lhes vai ligar nenhuma. Os militares norte coreanos informaram o mundo que iam atacar postos norte americanos uma vez que haviam obtido autorização, ontem, para o fazer.

O assunto parece grave e até parece, em última análise, dizer-nos respeito a todos. Mas, quem lê os jornais portugueses, ouve e vê os noticiários portugueses e consulta a imprensa portuguesa na web, apercebe-se de que os coreanos não percebem nada de política, nem de guerra. Para haver uma guerra mundial, é preciso que o resto do mundo nos preste atenção. Ora, senhores coreanos, fiquem sabendo que hoje à tarde se demitiu o Senhor Ministro, Miguel Relvas, hoje à noite joga o Benfica, amanhã à noite fala o Nuno Morais Sarmento na RTP e, no domingo à noite, à mesma hora, na TVI e na RTP1, falam Marcelo Rebelo de Sousa e José Sócrates. Ou seja, vocês até podem querer essa coisa lá da guerra mundial, mas haja decência, falamos nisso lá para segunda feira. Daqui até lá, fazem favor de aguardar que a nação lusitana está em suspenso por via de motivos primeiros. Fachavor não incomodar com coisitas de somenos... lá agora guerra... um par de estalos é o que é!

jpv

Crónicas de Maledicência - O Regresso de Sócrates


Crónicas de Maledicência - O Regresso de Sócrates

Amor, Ódio e Indiferença
Pode gostar-se de José Sócrates, pode não se gostar de José Sócrates, pode amar-se Sócrates, pode odiar-se Sócrates, pode achar-se que foi um bom primeiro ministro ou pode achar-se que arruinou o país. O que não se pode, é ficar indiferente a Sócrates.

Ontem, a RTP arrasou a concorrência. Toda a gente, mesmo os que diziam que não iam ver, estive a ver e/ou a ouvir a entrevista do ex-Primeiro-Ministro.  O programa até ultrapassou, em audiências, as transmissões dos jogos de futebol do Benfica. Ou seja, independentemente do que os portugueses pensam dele, ontem quiseram ouvi-lo. Já hoje, a imprensa nacional e internacional, o parlamento e até o Senhor Primeiro-Ministro, na defesa que fez do Senhor Presidente da República, demonstraram não ter ficado indiferentes à reaparição pública de Sócrates.

Também não fiquei indiferente. Ouvi com atenção e tentarei comentar brevemente a sua entrevista naquilo que penso foram os seus pontos fortes e os seus pontos fracos. Não vou analisar a governação de Sócrates nem a do atual executivo. Vou cingir-me à entrevista de ontem. Só isso. E, claro, fá-lo-ei de forma racional e isenta.

Tomar a Palavra
Não percebo porque é que Sócrates não haveria de falar. Manifestar a opinião é algo normal em democracia. E não percebo como é que o mesmo povo que votou em António Oliveira Salazar para melhor português de sempre, fez uma petição para que José Sócrates não falasse na televisão. Aliás, mesmo aqueles que são contra Sócrates podem ter aqui uma oportunidade de pegar nas palavras dele e no facto de estar a expor-se para o contrapor, rebater e desautorizar. Já acho sintomático que o astuto engenheiro tenha usado a expressão "tomar a palavra" e não, por exemplo, "usar a palavra"... acaso? Não me parece!

Passado e Presente
O que menos gostei na entrevista foi o facto de ser tão centrada no passado e tão pouco projetada para o futuro. Percebo a ideia do ajuste de contas com as acusações de que foi alvo, mas penso que, se a intenção é participar, então que o engenheiro se centre no futuro e nas soluções que são precisas.

Pontos Fracos
Fundamentalmente, a visceral incapacidade de assumir erros. Sócrates não mudou muito em dois anos. É um político completo. Goste-se ou não, concorde-se ou não, é dos poucos políticos com um discurso claro, assertivo e intrinsecamente convicto. É um orador como há poucos em Portugal. Contudo, tem uma tendência quase instintiva para afastar de si a possibilidade de ter errado e centrar tudo nos outros. Mesmo sendo verdade que não será culpado de tudo o que o acusam, o seu segundo mandato está ligado a uma subida vertiginosa da dívida pública e a crise internacional explica algumas coisas, mas não justifica tudo. Por outro lado, foi pouco convincente em relação às PPP. Mesmo só tendo criado oito das vinte e duas, fê-lo quando todos os indicadores o desaconselhavam e apontavam no sentido contrário: extinguir as que se considerassem não ser absolutamente indispensáveis. Ou seja, é um comunicador muito bom, excelente registo discursivo, mas não consegue disfarçar alguns números e alguns erros que poderia e deveria ter assumido.

Pontos Fortes
Sócrates voltou em boa forma. Foi corajoso na forma como enfrentou as questões mais difíceis. Foi claro na forma como arrasou a ação do Presidente da República. Foi contundente na forma como se anunciou de regresso ao mundo político. Fez uma ponte lógica entre o chumbo do PEC 4, o pedido de resgate financeiro à Troika e a voracidade política do PSD. Foi generoso na forma como tratou a atitude do seu partido em relação a si próprio. Foi muito inteligente, e até leal, ao falar criticamente de ação governativa sem nunca pessoalizar em nenhum ministro, nem mesmo no Primeiro. E foi inteligente ao defender o que a sua governação teve de mais interessante, como, por exemplo, a mudança do panorama nacional no que respeita a energias renováveis e investimento estrangeiro.

Saldo
Se convenceu? Em alguns aspetos, naqueles de pendor mais político, admito que sim. Sabemos que sim. Nas questões técnico-financeiras foi demasiado generalista para ter convencido. Foi demasiado fugidio numa fase em que os portugueses, e bem, querem ver rolar cabeças. Uma coisa é certa, a cena política portuguesa ganhou mais um ator. Um comentador que aqueceu o ambiente político. Um homem gerador de polémicas e contradições. E mentiu. Disse que não voltaria à política ativa. Sócrates que me desculpe, mas o que eu vi ontem foi política do mais ativo que há... até já mexeu com meio mundo hoje. E o país a precisar de atenção em tantas outras coisas...

jpv 

Crónicas de Maledicência - Francisco e os Outros


Crónicas de Maledicência - Francisco e os Outros

O Papa Francisco não poderia ter começado de melhor forma o seu pontificado.

É verdade que, assim que foi eleito, mesmo antes de dizer as primeiras palavras, dar a primeira missa, fazer os primeiros gestos, já havia uns senhores, mais ou menos anónimos, a anunciar desgraça e a tentar denegrir a figura do Santo Padre. Mas o Papa, de forma genial, calou-os a todos e hoje já quase não se ouvem. A receita foi simples. Francisco concentrou-se na sua missão, concentrou-se na Igreja e em quem ela deve servir e deixou os outros senhores a falarem sozinhos ou uns com os outros que é quase a mesma coisa. E o que era suposto ter sido um bruá universal, transformou-se numa pífia, envergonhada e rapidamente auto-silenciada tentativa gratuita de denegrir uma pessoa só porque sim.

Num segundo movimento, também ele muito perspicaz, o Papa decidiu, e bem, mostrar ao mundo ao qe vinha e decidiu fazê-lo de forma célere e inequívoca. Quebrou protocolos e arrasou formalidades. Viajou no autocarro comunitário em vez de usar o PapaMobile (este nme sempre me fez lembrar o Batman...), olhou os fiéis nos olhos e desejou-lhes um bom Domingo e um bom almoço, assumindo claramente que estas coisas do espírito não se separam das do corpo, anunciou uma igreja pobre para os pobres, em coerência assumiu o nome de Francisco e esclareceu porque era o de Assis e não o Xavier, foi bem humorado com cardeais e fiéis, dispensou os seus seguranças para abraçar pessoas que entravam para a missa e cumprimentou-as, todas, à saída. Consciente do sofrimento dos carenciados e, porque não assumi-lo, do poder de uma imagem, prostrou-se diante de uma criança com deficiência e beijou-lhe os pés.

O Papa Francisco é um homem, mas não é um homem qualquer. É um homem igual aos outros todos!

Assumiu a humildade como orientadora da sua ação e conduz a Igreja, para já, de forma pragmática e simples na direção do seu povo. É um comunicador nato. E tudo muda quando à frente de uma instituição está alguém que, além de saber comunicar, percebe o valor primordial e a importância da comunicação.

Resta-nos desejar que seja coerente, que mantenha esta linha de ação, e que continue a mostrar a todos quantos lhe chamaram velho que é muito mais jovem do que eles. Ainda sorri. Ainda Crê. Ainda quer. Oxalá possa!

jpv

Crónicas de Maledicência - O Salário Mínimo


Crónicas de Maledicência - O Salário Mínimo

António Borges, consultor do Governo, disse e defendeu que "o ideal era que os salários descessem".

É claro que não se referia ao seu, que é de milhares, é claro que não se referia aos dos gestores das empresas, dos Bancos, das PPP, dos institutos, dos tipos que, como ele, não têm quaisquer problemas financeiros nem estão a pagar a crise que não criaram. Borges referia-se ao salário mínimo que é um dos mais baixos da Europa.

Ora, eu nem vou pela argumentação fácil, ainda que verdadeira e pungente, de dizer que as pessoas já estão em dificuldades, algumas em rutura, outras em miséria, milhares a fugir do país, sim, porque o que está a acontecer não é imigração, nos dias que correm, os portugueses fogem de Portugal e não o fazem porque queiram, fazem-no porque são perseguidos dentro do seu próprio país. Eu nem vou dizer que é uma imoralidade e de uma total falta de ética baixar os vencimentos dos que ganham menos. Eu nem vou perder tempo a demonstrar que há outros caminhos para combater o desemprego, isso é tudo fácil.

O que venho trazer-vos, a propósito das declarações do senhor conselheiro, é um raciocínio sobre os efeitos diretos de uma tal medida. E o raciocínio é este. Nós, humanos, somos defensivos por natureza, autoprotegemo-nos e somos umbilicais porque é esse o segredo de termos sobrevivido num Universo agressivo e com diversas outras espécies concorrentes. Nessa medida, só uma pessoa muito ignorante, muito ingénua ou muito mal intencionada é que se atreve a acreditar que baixar o salário mínimo aumentará o emprego. Efetivamente, os empresários, quando puderem pagar menos pelo salário mínimo, tendo em conta a crise em que o país vive, não vão contratar mais pessoas, vão é reduzir os vencimentos dos empregados que já tenham e, assim, a medida transforma-se em mais um mecanismo de defesa e poupança daqueles que já têm muito e transforma-se em mais uma atitude de violência e agressividade para com um povo que está já desgastado não obstante a forma cívica e estóica como tem aceitado a austeridade. Isto é básico. E Borges só não vê isto, ou não quer ver, porque se está a defender. Afinal de contas, todos sabemos de que lado da barricada é que ele está!
jpv

Crónicas de Maledicência - Tudo ao Contrário


Crónicas de Maledicência - Tudo ao Contrário

Serei breve. Não há razão para ser longo. Nem matéria.
Não admira que o nosso país esteja em crise. Está tudo ao contrário!

Barack Obama anunciou hoje ao mundo o seu novo Secretário de Estado da Energia, o homem, nas palavras do presidente de uma das maiores economias do mundo, que irá relançar a economia dos Estados Unidos da América. Até aqui, nada de novo. Nos EUA fabricam-se heróis a uma velocidade estonteante. Mas, já repararam no apelido do novo secretário de estado? Isso mesmo. Ernie Moniz é português! OK, está bem, sejamos rigorosos, neto de portugueses. Isso não interessa nada. O que interessa é que os genes, o sangue, o ADN do homem que vai salvar a economia dos EUA são portugueses. Como é que o nosso país não há de estar na mó de baixo? Nós produzimos os genes do tipo que vai tirar a maior economia do mundo da lama, mas depois não conseguimos que o tipo salve a nossa própria economia que, ainda por cima, deve ser mais fácil de salvar. O tio Gaspar, quando ouviu esta notícia, deve ter pensado, Que jeito me dava o Ernie aqui em Portugal. Pensou ele e pensei eu...

Claro que houve logo umas más línguas a dizer que o Ernie era conservador e não servia para o lugar. Tudo inveja. A mim, deixa-me orgulhoso ver tanta qualificação portuguesa a ter sucesso lá fora. Por exemplo, na Casa Branca há quase mais portugueses do que americanos. Ele é o Secretário de Estado da Energia, ele é o Diretor de Marketing, ele é o motorista não sei de quem, ele é o cão. Sim, o cão. De resto, se um cão português pode trabalhar na Casa Branca porque é que não pode um secretário de estado?

Eu cá, se mandasse alguma coisa, repatriava o cão e o Secretário de Estado da Energia e obrigava-os a salvar Portugal primeiro. Em troca, devolvia aos americanos esse tipo que matou por lá umas pessoas, refugiou-se no Algarve e nunca mais quis saber do tio Sam para nada. Eu não digo que está tudo ao contrário? Os criminosos vêm para cá. Os salvadores de economias vão para lá. Eles, e os cães!

jpv

Crónicas de Maledicência - Aprendizes e Profissionais da Ditadura


Crónicas de Maledicência - Aprendizes e Profissionais da Ditadura

Os Factos

2) Eu sou contra todo o tipo de violência e falta de civilidade. Sou contra agressões gratuitas como aquela de que foi alvo o Ministro José Relvas à porta do ISCTE. Sou contra agressões subliminares e profissionalmente fascistas como a que Henrique Raposo leva a cabo no seu texto.

Dos Aprendizes de Fascista

Raposo classifica quem canta a "Grândola Vila Morena" de fascista porque, ao cantar, não deixa os outros expressarem-se. E eu pergunto a Raposo como é que ele classifica os políticos que estiveram no poder nos últimos trinta anos e delapidaram o erário público e as poupanças dos portugueses? E pergunto-lhe também como é que ele classifica os proprietários e administradores dos bancos que "deram prejuízo", que praticaram fraudes e que agora estão a ser pagos com o suor dos trabalhadores portugueses mesmo continuando a anunciar publicamente lucros de milhões? E como classifica aqueles que aos 40 anos têm várias pensões de reforma milionárias? E como é que ele classifica as pessoas que por terem poder, por terem influência política, por terem dinheiro, roubaram a Nação? Esses, caro senhor, esses sim, são os fascistas. Os jovens não podem ter atos de violência e falta de civilidade, mas podem e devem manifestar a sua indignação e, se o fizerem ao som de "Grândola Vila Morena", só mostram bom gosto, sentido patriótico e memória coletiva. Esses jovens a que se refere como aprendizes de fascista, senhor Raposo, estão condenados a aprendizes de mendigo pelos verdadeiros fascistas e, por isso mesmo, não só lhes assiste o direito à indignação, como a manifestá-la.

Do Profissional do Fascismo

Henrique Raposo é um verdadeiro profissional do fascismo. Porquê? É simples.  Todos os profissionais do fascismo se disseram sempre adeptos da democracia. É o que faz Raposo. Todos os profissionais do fascismo tentaram sempre, em nome da democracia, calar os oprimidos e os insatisfeitos. É o que faz Raposo. A sua crónica não é mais do que um "Chiuuu, meninos, vamos lá a calar e a fazer poucas ondas, não perturbem a democracia que está tão bem assim, adormecida!" Raposo faz lembrar o tipo da PIDE que dizia aos jovens que era melhor estarem caladinhos se não... E depois faz esta coisa fantástica que é invocar para si o conhecimento do que é a democracia, armar-se em vítima e acusar os jovens que cantam o "Grândola Vila Morena" de serem praticantes do ódio, da intolerância e da violência! A ver se as pessoas se sentem culpadas e se calam por si. Temo, caro cronista, que esteja com pouca sorte. A intolerância dos fascistas profissionais está a fazer faltar o pão em cima da mesa dos aprendizes de fascista e, reza a história, quando falta o pão, a malta põe-se a cantar cantigas de intervenção...

Do Governo

Eu penso que o Governo de Portugal não agradece estes arrufos literários aos henriques deste mundo. E percebe-se. O Governo tinha pela frente uma tarefa difícil, uma tarefa cuja solução iria exigir uma governação pouco simpática e facilmente alvo de críticas e contestações. Ora, como Governo, cabe-lhe ouvir as críticas e as contestações e governar tendo em conta uma grande variedade de vetores, incluindo as ditas críticas e contestações. O que não lhe cabe é não ouvir as pessoas e, muito menos, calá-las! Ora, Henrique atreveu-se a fazer o que nenhum governante fizera antes, disse aos meninos para estarem caladinhos. Isto só mostra que onde os governantes têm tido consciência democrática, a Henrique, tem-lhe faltado!

Por Fim...

Ó Ruiquito, só para chatear:

Crónicas de Maledicência - A Renúncia de Bento XVI


Crónicas de Maledicência - A Renúncia de Bento XVI

Nascem e crescem em profusão as reações ao anúncio de renúncia de Bento XVI no passado dia 10 de fevereiro. Também reagiremos. Temos esse direito. Talvez no sentido menos óbvio da reação.

É fácil agora levantar nuvens de fumo e entrincheirar argumentação envolta em mistério e suspeita. Como Cristão Católico, entristece-me a renúncia e entristecem-me tais alinhamentos de raciocínio.

A Herança
Em primeiro lugar importa relembrar que Bento XVI herda um exercício exemplar e até um pouco anormal de João Paulo II. Qualquer que fosse o Papa que lhe sucedesse teria de viver com as inexoráveis comparações com um dos mais reconhecidos Papas de sempre. Ainda assim, Bento XVI abraçou com humildade o ministério e, se esteve longe do trabalho de João Paulo II, também não ficou conhecido por nada de extremamente negativo no seu exercício. Adotou uma atitude serena e com ela esteve à frente dos destinos da Igreja Católica nos últimos oito anos. E a verdade é esta. Já passaram oito anos e não se pode dizer que os piores prognósticos se tenham confirmado. Pelo contrário. O Papa passou este tempo de forma discreta, como se impunha.

O Ofício de um Homem, a Fé de Biliões.
Em relação à renúncia, importa notar que um homem, mesmo sendo o Papa, não substitui a fé de biliões... Assim, o que importa é mesmo a forma como cada um de nós, mais ou menos praticante, reacende a sua Fé em cada dia que passa, se entrega àquilo que acredita pelos meios que considera mais adequados. O Papa será importante enquanto líder da Igreja, mas o que faz a Igreja é a Fé dos seus seguidores e essa ainda não renunciou.

As Razões e o Gesto
As razões invocadas são percetíveis. Bento XVI fez um discurso simples, claro e muito objetivo. As razões compreendem-se e respeitam-se. E o gesto louva-se. Acredito mesmo que, sempre que um líder de uma igreja, que um diretor de uma empresa, de uma instituição, que o detentor de um cargo político, não tivesse condições para exercer, assumisse esse facto com naturalidade e renunciasse, eventualmente, não viveríamos a crise que estamos a viver. É que a nossa história recente está povoada de gente que não tinha condições nem capacidadse e persistiu... no erro de tentar governar aquilo que, visivelmente, já não era capaz de governar.
jpv

Crónicas de Maledicência - Quem Aguenta o Quê?


Crónicas de Maledicência - Quem Aguenta o Quê?

Fernando Ulrich, originário "de uma família ligada ao comércio bancário", ou seja, com a experiência do dinheiro no sangue, disse ontem que "Se os sem-abrigo aguentam por que é que nós não aguentamos?"

Acrescente-se que Fernando Ulrich pertence à Administração do BPI, um desses bancos que têm o rótulo de privados, mas que os portugueses andam a sustentar com o seu sacrifício e à custa de "aguentar" cada vez mais.

O senhor Ulrich, como todos nós, tem direito às suas opiniões e tem direito a expressá-las. Até aí, nada de novo. E tem um estigma a que eu chamo de "Carreirista". Carreirista porque, à semelhança do senhor Medina Carreira, o senhor Fernando Ulrich, por vezes, gosta de dizer umas coisas para agitar as águas e provocar as pessoas. E resulta. Este texto é disso prova. Não sei é se o Senhor Ulrich sabe que pode bem acabar como o Senhor Carreira que, num momento, era o paladino da moral, dos bons costumes e da austeridade e no momento seguinte estava a ser investigado por causa de uma coisa chamada de "Favorecimentos". Veja lá onde põe as palavras hoje, não vão elas escapar-lhe amanhã...

Ora, eu também tenho direito às minhas opiniões e às minhas dúvidas e às perguntas que surgem delas. E algumas das perguntas que me andam aqui a bailar na mente desde que li as declarações do douto administrador do BPI são as seguintes:

1) O senhor estava mesmo a falar a sério ou estava a gozar com o povo português?

2) O senhor sabe que nós sabemos que está tecnicamente falido e só não foi viver debaixo da ponte porque há portugueses que estão a ir por si?

3) Acaso passa-lhe pela cabeça, ou pela cabeça de qualquer responsável pela Nação, que a forma de nivelar os portugueses é convertê-los todos em sem-abrigo?

4) Por fim, mas não menos importante, admitindo que sim, que aguentávamos todos tudo, até mesmo sermos uma Nação de sem-abrigo, gostava de perguntar-lhe diretamente porque é que esse raciocínio serve para os portugueses mas não serve para o seu banco? Não acha, no plano ético e moral, que o BPI devia aguentar-se sem o auxílio dos sem-abrigo?

E pronto, não pergunto mais nada. Vou-me embora para o trabalho sem almoçar. A ver se aguento. E o senhor Ulrich? Já almoçou hoje?
jpv

Crónicas de Maledicência - Notícias do Fim do Mundo


Crónicas de Maledicência - Notícias do Fim do Mundo

Estou chateadíssimo com os americanos. Em particular com o governo estaduniense! Tem uma pessoa a vida organizada, surge um boato sobre o fim do mundo a 21 de dezembro e o que faz o cidadão responsável e cumpridor como eu? Atafulha a despensa de latas de atum, despede-se dos amigos e da família, vai à igreja encomendar a alma ao Criador e espera tranquilamente que venha o fim. Foram assim os meus últimos dias. Ora, acontece que hoje o site do governo americano anunciou ao mundo essa surpreendente, fantástica e dura realidade, só ao alcance dos mais iluminados: "o boato sobre o fim do mundo é só um boato"!

Já de si, é difícil conceber que um boato seja um boato. Um boato normalmente é outra coisa qualquer. Ora, mais difícil ainda é enxergar que quem anunciou que o mundo acabaria no próximo dia 21 de dezembro estava a gozar com a malta e a mentir ou que batia mal da carola. Normalmente, as pessoas que preveem o fim do mundo é tudo gente muito ajuizada e adoradora do rigor científico e professa da ciência, a mãe de todas as coisas, inclusive dos boatos.

Por outro lado, ainda que tenha de viver mais uns tempos, a verdade é que fico com uma carrada de latas de atum que são bem capazes de durar mais do que o meu tempo de vida.

Se eu estou a brincar? Nada disso. Pode ler-se aqui o anúncio do respeitável governo das terras do Tio Sam.

Eu não percebo muito de política nem gosto de me dedicar a essa arte. Não é por nada em especial, é só porque passei a infância e a juventude a ouvir dizer que era porca e eu sou um tipo asseado, contudo, era capaz de adivinhar que a situação política, social e económica estaduniense não é a mais agradável. E a razão é simples: quando o governo de um país gasta dinheiro, esforços e a pouca massa cinzenta que lhe resta a desmentir boatos sobre o fim do mundo, está tudo dito.

Mas, cá para mim, tudo não passa da mania das grandezas. Senão vejamos. Nos filmes americanos, onde é que aparecem os extra-terrestres? Nos Estados Unidos, claro! E que língua falam? Americano, claro! E Deus, onde é que aparece Deus e a quem se mostra? Aparece no quintal de uma casa americana e mostra-se a um americano comum que, por coincidência, vive dificuldades tremendas, até a namorada lhe deu com os pés! E que língua fala Deus? Exato! E o maior vulcão alguma vez visto, onde é que ele entra em erupção? No sistema de esgotos de uma cidade americana! E as pragas de gafanhotos? É lá! E os dinossauros, onde é que vão parar? À Quinta Avenida em Nova Iorque! E o vírus mortal? É lá! E os mísseis para onde vão? Para lá! E a maior onda marinha alguma vez vista? É lá! E os milagres todos? É lá! E o King Kong? É lá! E as explosões e os gangsters e as aventuras e os tesouros da Humanidade e os faraós e o mapa do tesouro e os piratas e os bandidos e as pessoas boas e os génios e, e, e... Estão todos lá, vão todos para lá e são todos encontrados lá. Não admira, pois, que os americanos se sintam no direito de achar que sabem ou não sabem quando vai ser o fim do mundo. De resto, eu acho de uma generosidade e de uma amabilidade tremendas que nos tenham dito para estarmos descansados. Em inglês, mas disseram.

Eu só fiquei chateado porque não sei mesmo o que fazer às latas de atum!
jpv

Crónicas de Maledicência - Vá para fora cá dentro... ao contrário!


Crónicas de Maledicência - Vá para fora cá dentro... ao contrário!

Este slogan, "Vá para fora cá dentro", gravado na memória de todos nós, tinha, na altura, o saudável intuito de promover o produto português. Há pouco, andava pela net numa voltinha de final de dia e apercebi-me de que o produto português era realmente muito bom, mas... não estava em Portugal!

O vídeo que coloco abaixo, é um excerto de 46 segundos de um jogo de futebol na Turquia e mostra um golo que é uma obra prima, um momento de qualidade que messis e ronaldos gostariam de ter protagonizado, mas não protagonizaram. Foram jogadores medianos, com salários inferiores ao que ganham alguns futebolistas estrangeiros em Portugal para produzirem coisa nenhuma.

Eu, que gosto da bola pela bola, do espetáculo pelo espetáculo, pergunto-me onde é que andam os olheiros do FCP, do SLB e do SCP que não "importam" estes portugueses de volta?!

Manuel Fernandes, de seu nome, faz um passe absolutamente genial e mata uma defesa inteira e Hugo Almeida fatura à ponta de lança.

O que é nacional é bom, mas está na Turquia!

jpv

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