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Vermelho Direto - Jesus Morreu


Vermelho Direto - Jesus Morreu

Depois da exibição do Benfica, hoje, contra o PSG, fica explícito, mesmo para os mais tolerantes e adeptos da estabilidade, como é o meu caso, que Jorge Jesus morreu para o Benfica. Não há mais espaço para ele à frente daquela não-equipa.

As exibições não vinham sendo brilhantes, oscilavam entre o mau e o satisfatório. Acontece que hoje o Benfica sofreu uma derrota pesada e humilhante porque nunca teve uma ideia, nunca ofereceu qualquer esperança aos adeptos e nunca foi digna. A equipa esteve apática, esteve lenta, sem chama nem vontade e, pior do que tudo, esteve muito desorganizada. Os setores não se entendem, não há mecanismos, tudo é lento, fraco e previsível.

Na minha opinião, o PSG nem se esforçou muito. Jogou a meio gás. Se tivesse feito um jogo intenso tinha massacrado e goleado de forma histórica.

Há algo a que nós, benfiquistas, nos habituámos, foi a ver a nossa equipa a esforçar-se e, mesmo quando enfrentava adversários superiores, como foi hoje o caso, batia-se de forma organizada e empenhada. Hoje não houve nada disso.

Espero que tenha sido um aviso sério para os dirigentes uma vez que se contrataram jogadores, mantiveram-se jogadores caros no plantel e, contudo, o rendimento é muito fraco. Muito aquém da dignidade que o clube merece e exige. Eu fui dos que defendeu, e ainda hoje penso isso, que a época passada foi excelente. O SLB esteve em todas as competições até ao fim. Em mais de quarenta jogos só perdeu seis. Ora, esta equipa não está nem perto da qualidade técnica e do rigor tático da do ano passado. É preciso assumir isto e tomar uma atitude. Uma atitude que se quer rápida, uma vez que a época está no início e os nossos adversários internos estão com problemas. O Sporting muito bem liderado, mas sem qualidade, ainda, no plantel, nem extensão para aguentar uma época e o Porto liderado por um treinador bom para o... Paços de Ferreira, que não tem visão nem estatura futebolística para a exigência da eficaz máquina portista.

É evidente que o PSG é muito superior na qualidade técnica e tática. Tem jogadores melhores. Ponto final. Mas nada justifica a falta de orientação, os jogadores perdidos em campo, sem serem capazes de algo mais do que passes para trás. E nada justifica a falta de ritmo e ambição.

Não sei quanto tempo vão demorar a aperceber-se disso, mas Jorge Jesus já não é o líder que foi, já não transmite a ambição e a disciplina tática que trouxe para o SLB. Não sei quanto tempo vão demorar a passar-lhe o óbito, mas, como treinador do SLB, Jesus morreu!

Tenho dito!
jpv

Tento na TV - É o Chamado Dentro e Fora


É o Chamado Dentro e Fora

"Esta vitória deve-se a todos os jogadores que estiveram dentro do campo incluindo os que estavam de fora."


Bruno Alves
Jogador da Seleção Nacional
à RTP1 após o jogo com a Irlanda do Norte

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Ó amigo Bruno, vai uma bússola?!
Em bem sei que, apesar da estrondosa vitória e do fantástico jogo do CR7, as coisas estiveram, por momentos, muito feias, mas também não é preciso perder o Norte!
Então e aos que estavam na bancada não se deve nada?
E aos milhões de telespetadores?
jpv

Vermelho Direto - Dérbi Intenso


Vermelho Direto - Dérbi Intenso

Jogou-se, hoje, mais um dérbi, Sporting-Benfica, que só terminou empatado a uma bola porque o árbitro influenciou diretamente o resultado do jogo ao validar o golo do Sporting que foi precedido de fora-de-jogo nítido. Por acaso, penso que o resultado é o mais adequado tendo em conta as incidências do jogo, mas gostava de ver os sportinguistas que o ano passado se queixaram de terem sido prejudicados pela arbitragem porque não foram assinalados 27 penaltis contra o Benfica, terem agora a hombridade de assumir que empataram o jogo com um golo falso. De facto, o único tento limpinho foi a obra de arte que Lazar Markovic construiu ao fintar quatro adversários para depois passar a bola entre as pernas do impotente guarda-redes do Sporting.

Na primeira meia hora o Sporting jogou muito melhor do que o Benfica, foi mais dominador e mostrou um futebol bonito e envolvente. Foi pena não ter conseguido marcar um golo limpo. Nos últimos quinze minutos da primeira parte, o Benfica equilibrou e Deus fez o que Jesus não foi capaz. O treinador do Benfica não estava a mexer na equipa e assistia sereno à sua própria derrota quando Deus se lembrou de lesionar dois jogadores do Benfica e obrigar Jesus a fazer as duas substituições que viriam a alterar a face do jogo.

Na primeira meia hora da segunda parte o Benfica foi melhor. Foi mais pressionante, encostou a rapaziada do Sporting às cordas e foi nesse momento que Markovic se lembrou de levar meia equipa adversária atrás e a fazer, eventualmente, o melhor golo do campeonato. Nos últimos quinze minutos de jogo o Sporting equilibrou por via de melhor forma física.

Pelo meio, o senhor árbitro, que fez uma arbitragem sofrível, cometeu dois erros graves, na minha opinião. Não expulsou Maxi Pereira do SLB e devia tê-lo feito por entrada violenta sobre um adversário, e não marcou um pénalti claro contra o Sporting por falta infantil sobre Cardozo dentro da área sportinguista.

Um dérbi emocionante, com golos, casos e um elevadíssimo ritmo de jogo a mostrar um Benfica menos bom que o ano passado e um Sporting muito melhor que o ano passado o que também não era difícil. Convém não esquecer que, feitas as contas, quem ganha com isto é o FCP! Ah pois é, à terceira jornada, o Porto vai isolar-se na tabela classificativa porque amanhã derrotará, sem margem para dúvida, um clube amigo que não vai dificultar a vida, até porque, como aqui se mostrou em tempo útil, ainda recentemente o fez. Ou seja, o FCP vai previsivelmente à frente e já o é, mesmo antes de o ter sido!

jpv

Vermelho Direto - O Minuto 93, Outra Vez!


Vermelho Direto - O Minuto 93, Outra Vez!

A coisa parece digna de um filme do Fellini. O ano passado, quando jogava bem, o Benfica perdeu jogos, e com eles competições importantes, no minuto 93. Este ano, que a equipa está desconjuntada, a produzir ao nível de uma equipa mediana, com problemas de organização, com fraco poder de concretização e a augurar uma má época, resolve ganhar um jogo com dois golos num único minuto sendo que o segundo desses golos, o da vitória, foi obtido no tal mítico minuto: o 93! Fosse isto presságio de uma época a jogar mal e a marcar golos da vitória no minuto 93 e a paixão benfiquista dormia mais descansada. O problema é que os criminosos do costume estão atentos e preparados. Os do costume e os outros também.

A máquina portista parece muito bem oleada. Como sempre. O treinador, há dois meses no FCP, já fala como se lá tivesse passado toda a sua vida e até já se queixa dos treinadores menores dos clubes menores, onde nunca treinou, por certo (!!!), nomeadamente, de serem uns queixinhas com a arbitragem. O certo é que foi contratar uns putos que, além de jogarem à bola, são anti-benfiquistas e isso ajuda muito à moral das tropas. Em abono da verdade, o treinador tanto podia ser o que lá está como a defunta Madre Teresa de Calcutá que a coisa corria sempre mais ou menos na mesma: bem.

E, a avaliar pela entrada de leão, a menos que haja uma saída de cordeiro, o Sporting apresenta-se, outra vez, como um grande. Nove golos em duas jornadas, contra equipas fraquinhas, é certo, mas, em todo o caso, cheios de garra e energia. Esta equipa está muito mais organizada e vai aguentar-se muito mais tempo do que é costume até porque não terá o desgaste das competições europeias. Em todo o caso, vai claudicar porque tanta juventude e tão pouca experiência juntamente com um plantel curto para uma competição tão longa como o campeonato vão ter um preço. O preço da insustentabilidade.

Ora, é neste interessante estado de coisas que as duas equipas, águias e leõezinhos, se vão encontrar. Aparentemente, com vantagem para os de Alvalade, mas sem esquecer que ontem Jesus abraçou Cardozo que, normalmente, enfia umas secas aos lagartos. 

Eu só espero que o jogo chegue empatado ao minuto noventa e que o árbitro dê, pelo menos, 3 de descontos... Ah pois é, eu não acredito em bruxas, mas, pelo andar da carruagem, mais vale  não correr riscos...

jpv

Vermelho Direto - O Pinto da Costa é que Sabe


[Será que já apontava para o Dragão?!]

Vermelho Direto - O Pinto da Costa é que Sabe

Deixemo-nos de rodeios. O Pinto da Costa é que sabe. A nós, benfiquistas, pode custar a assumir, mas a verdade é que, em esquemas, em jogadas ardilosas, em gestão de emoções, em matreirice, em habilidades múltiplas, em defender os seus fins sem olhar a meios, Pinto da Costa ultrapassou-nos a todos por muitos quilómetros, por muita experiência e está muitos anos à frente.

Em breve análise, até um cego vê. O Paços de Ferreira fez uma campanha louvável, um campeonato fabuloso, acabou em terceiro e vai, nada mais, nada menos, do que entrar numa competição que se chama "Champions League", a Liga dos Campeões. Parabéns. Inteiramente merecido.

E como é que isso foi conseguido? Através de uma disciplina tática fabulosa, de capacidade técnica e, sobretudo, através da garra dos seus jogadores. Ora, todos estranhámos um pouco quando, no último jogo, que o Paços de Ferreira tinha de disputar com o Futebol Clube do Porto e decidia o título, houvesse menos disciplina tática. De tal forma, que um jogador do Paços cometeu um erro grosseiro e ofereceu a jogada do primeiro golo do FCP. Estranhámos ainda mais quando o golo foi obtido através de um penalti inexistente e ninguém do Paços reclamou, ninguém se descabelou, ninguém insultou o árbitro por via da injustiça que acabara de ser cometida! Estranhámos também que a tão afamada garra do Paços tivesse ido a banhos nesse dia e não tivesse comparecido em campo. Estranhámos e aceitámos. Mas há pior. A coisa pode ficar ainda mais... refinada. No final do jogo, ainda antes do árbitro o dar por terminado (!!!), estranhámos que o então treinador do Porto tivesse abraçado de forma emocionada e cúmplice o então treinador adversário tendo ficado a sussurrar-lhe meiguices ao ouvido. Esse treinador adversário chama-se Paulo Fonseca e foi hoje anunciado como o novo treinador do Futebol Clube do Porto.

Não se esforcem. Não resistam. Nisto, Pinto da Costa é imbatível. Reconheço.

Tenho dito!
jpv

Vermelho Direto - Uma Questão de Requisito


Vermelho Direto - Uma Questão de Requisito

Já está! A mais recente aquisição do Futebol Clube do Porto, de seu nome Josué, disse as primeiras palavras como jogador daquela coletividade: "Não gosto do Benfica."

Amigo Josué, para que saiba, se gostasse, não o contratavam. É já uma longa tradição do FCP não jogar a favor de si mesmo, mas contra os outros, o Benfica em particular. É uma forma de estar na vida e no futebol que não aprecio mas que, reconheço, tem dado frutos. E frutas. Quando se passa a fazer parte dos quadros do FCP deve lá haver uma espécie de juramento de bandeira, só que, em fez de se jurar fidelidade ao Porto, jura-se infidelidade ao Benfica. Houve, mesmo, quadros daquela coletividade que, ao longo dos tempos, foram contratados só para dar cacetada e fazer afirmações de bairrismo exacerbado em nome da coletividade e exclusivamente contra o SLB. Por aí se percebe a grandeza de quem a tem como já aqui foi explicitado em escrito anterior. Se o meu amigo dissesse "Gosto do Porto" ou "Amo incondicionalmente o Porto" ou "Sou capaz de morrer em campo pelo Porto" ninguém ia reparar que tinha sido contratado, o meu amigo nem sairia do seu anonimato. Lá está, é como eu digo, a senhora da limpeza do Estádio da Luz tem mais projeção do que certas coletividades no seu todo.

Agora, se o meu amigo é contratado pelo FCP, mas faz uma declaração com o nome de um clube que tenha grandeza intrínseca, como é o caso do SLB, aí, já os holofotes da fama se fixam em si. E de que maneira! Muito bem jogado da sua parte. Além do que, convenhamos, é uma frase repleta de ética, de civismo, de fair play, é uma afirmação bonita que deve orgulhar o próprio e quem o contratou. Começa bem, isto. Mas nada que surpreenda. A mesma receita de há vinte anos para cá! Ou serão quarenta? Já é uma questão de requisito.
jpv

Vermelho Direto - De Sujinho a Espetacular a Sujinho de Novo


Vermelho Direto - De Sujinho a Espetacular a Sujinho de Novo

Antes de mais, felicitar os meus amigos portistas pela vitória no campeonato.

Em segundo lugar, dizer que o FCP é um clube idóneo e não deve a sua reputação ser manchada pelas atitudes irresponsáveis de alguns dos seus trabalhadores. Infelizmente, acontece em todo o lado.

Por fim, lembrar que o treinador do FCP disse, há duas semanas, que o Estoril não pontuaria no Estádio da Luz, aludindo a eventuais favorecimentos da arbitragem e que este campeonato seria sujinho, sujinho.

Ele lá sabia o que estava a dizer e eu não sou ninguém para o desmentir. Nesse mesmo fim de semana, o FCP foi escandalosamente beneficiado na Madeira, o Estoril, afinal, pontuou na Luz, ou seja, não se verificou o favorecimento de que falava Vítor Pereira e o FCP, que precisava hoje de ganhar, viu ser marcada uma penalidade inexistente a seu favor com a agravante de o Paços de Ferreira ficar, aos 21 minutos de jogo (!!!), reduzido a dez jogadores! Pereira ficou refém das suas próprias palavras e acaba sendo o titular do campeonato que há duas semanas ele batizou de sujinho, ontem renomeou para espetacular e hoje se viu que voltou a ficar sujinho...

Por fim, é importante, também sem manchar a reputação do clube da Capital do Móvel, dizer que, para uma equipa tão aguerrida, tão lutadora, tão ganhadora, os jogadores do Paços, hoje, foram mesmo muito macios. Diria, até, que foi o Paços de Ferreira mais macio a que assisti este ano. Coincidência, por certo. 

Só esta tarde é que percebi do que falava Vítor Pereira quando disse que isto ia ser sujinho, sujinho... se calhar foi. Hoje, pelo menos, não me pareceu lá muito limpinho.

E agora vamos à vida que a crise está brava... isso é que é limpinho!

jpv

Vermelho Direto - Chelsia com um i


Vermelho Direto - Chelsia com um i

Eu pertenço ao grupo dos que pensam que, mesmo não vindo a ganhar nada, o Benfica já fez uma época muito boa. Temos perdido onde a maioria nem sequer tem chegado. E, mesmo assim, se os jogadores do Paços de Ferreira tiverem a dignidade que se impõe... mas não vamos por aí porque nessa mesa já não há lugares.

O que acontece é que é doloroso perder um jogo no minuto 93. Ora, perder DOIS jogos no minuto 93 é caso clínico! É preciso analisar e... esquecer, já!

No primeiro jogo, eu penso que o Benfica controlou, mas o Porto jogou mais. Em todo o caso, o empate era ajustado e só não aconteceu porque um miúdo acabado de chegar a este universo tirou um remate fantástico da cartola e deu a vitória ao FCP.

Já no caso da final da Liga Europa, contra o Chelsea, a história foi diferente. O Benfica foi espetacular, jogou muito bem, dominou e poderia e deveria ter ganho o jogo que acabou por sorrir ao futebol cínico dos ingleses. A vida é assim. Tem momentos difíceis e há que saber encará-los e enfrentá-los.

Tudo isto seria muito mau, mas, hoje de manhã, atingiu níveis de paradoxo ontológico, arrepio dos arrepios, e restou-me, somente, sorrir.

Tenho um apoio para dar às quintas feiras de manhã, pela fresquinha. Hoje, apareceu uma menina que se quis juntar ao grupo:
- Setôr, posso assistir ao apoio?
- Claro!
Eu cá, nestas coisas, sou assim, a quem quer aprender e melhorar nunca se fecha a porta, esteja inscrito ou não... Educação para todos e mai nada!
A menina sentou-se ao fundo, tirou um caderno e começou a fazer exercícios conforme indicado por mim. Quis perceber algumas das suas competências e resolvi fazer-lhe umas perguntas, mas não sabia o nome dela e eu faço questão de saber o nome de TODOS os meus alunos, vai daí perguntei:
- Olha, como é que te chamas?
- Chelsea!

Ia-me dando um fanico, uma coisinha má, apeteceu-me pedir uma faca para cortar os pulsos e atirar-me do segundo andar abaixo, mas estavam ali crianças e não pude fazê-lo... Há lá um ou dois que já me conhecem de gingeira e já descobriram "há que tempos" que o setôr é do Benfica e fizeram o favor de se rir e sussurrar à menina que o setôr era do Benfica. Ela, com carinha de anjo e perante o meu ar descoroçoado de "Ó, meu Deus, era mesmo preciso mandares-me a Chelsea no dia seguinte a termos perdido a final da Liga Europa com o Chelsea?", apressou-se a descansar-me o coração:
- Ó setôr, mas olhe que eu sou Chelsia com um i.
- Ah bem, pensei eu, isso muda tudo, se tu és Chelsia com um i, acabei de me esquecer que ontem perdemos outra vez ao minuto 93!


jpv

Crónicas de Maledicência - Teoria da Relatividade


Teoria da Relatividade

A nação lusa vive hoje um dia de indecisão. Não sabe bem o que pensar nem o que comentar. Há esse assunto premente e urgente e que, por via das paixões, se sobrepõe a todos os outros: o jogo entre o Benfica e o Chelsea na final da Liga Europa. Os radiojornais, os telejornais, os sites e outros que mais dão um destaque total. Contudo, quase tão importante como este decisivo jogo para a nação lusa, é o esoterismo e o misticismo das declarações de Cavaco Silva, o Senhor Presidente da República, ontem à tarde... a mulher dele disse-lhe que a 7ª avaliação da Troika se tinha fechado por uma inspiração de Nossa Senhora de Fátima. Que Cavaco era místico, já todos sabíamos, afinal de contas, poucos são os que sabem o que vai naquela cabeça, às vezes desconfio que nem o próprio tem certezas... Agora, que a Primeira Dama o fosse também, já achei muito misticismo para uma família só. Ou é isso, ou é aquele fenómeno muito macho do tipo, coisas de religião é com a minha senhora que eu tenho o negócio para gerir, sou homem, trabalho, deixo as relações com a Divindade a cargo dela... Ora, não negando importância à Crise, o facto é que ninguém com o mínimo de bom senso quer saber da crise para nada no dia em que joga o Benfica logo a seguir ao dia em que a Senhora de Fátima fechou a 7ª avaliação da Troika e no-lo comunicou nada mais, nada menos, de que através de Maria... Cavaco Silva.

Mas tudo é relativo, amigos, tudo é muito relativo... aqui, neste belo país em que me encontro, rodeado de gente simpática, aqui mesmo no coração do Continente Encarnado, como lhe chamam, mais importante do que o Benfica, do que a inspiração da Senhora de Fátima e do que o misticismo da Primeira Dama era... tomar banho! Tomar um banhinho é que já dava jeito. Nada demais, disse ele, resolvo em meia hora de tempo... já lá vão 26 horas de tempo!
jpv

Vermelho Direto - O Espírito do Jogo


Vermelho Direto - O Espírito do Jogo

Hoje joga-se um, por alguém apelidado, de decisivo Porto-Benfica. O resultado do jogo parece sempre o mais importante. Os adultos esquecem com frequência a tolerância e pensam no jogo exclusivamente em função do resultado. Os atores do espetáculo, sobretudo dirigentes e treinadores, envolvem-se em picardias, insultos, jogos mentais e outras formas de manipulação. Quando a bola começa a rolar, já ninguém lembra o espírito do jogo.

A verdade, é que o jogo não deveria ter sido, nunca, nada mais do que um pretexto para conviver e trocar um abraço. Nada mais do que um jogo. Os adultos conseguem estragar e contaminar tudo. As crianças, pelo contrário, sabem preservar o verdadeiro espírito do jogo. 

Uma saudação a todos os portistas e benfiquistas. Que ganhe o que jogar melhor. Uma saudação especial aos dois putos da foto. É esse o espírito. Nunca deveria ter deixado de ser.

jpv

Vermelho Direto - Apresentação


Caros Amigos e Leitores, 

Depois de muito pensar, de muito ponderar, decidi mesmo abrir a secção de crónicas intitulada "Vermelho Direto".

Foi preciso pensar muito porque MPMI já tem muitas secções. Contudo, nunca me comprometi com nenhuma periodicidade em relação às secções, exceto os romances que sempre começo e acabo. Se MPMI se vai transformar num blogue sobre futebol? Não! Nunca, jamais, em tempo  algum. MPMI será o que sempre foi até agora só que terá uma secção a mais que, por acaso, ou não, é sobre a redondinha.

Foi preciso pensar muito porque escrever sobre futebol é escrever sobre um desporto de paixões e não há como fazê-lo desapaixonadamente. Pensei como reagiriam os amigos que me pediram para nunca escrever sobre futebol... Acontece que não posso censurar-me a mim próprio. Acontece que o futebol é só um desporto, mesmo que seja de paixões, e se alguém deixar de ser meu amigo ou leitor por causa da bola, então, talvez nem merecesse ser meu amigo ou leitor.

O que é que vai ser o "Vermelho Direto"?

Vai ser direto, vai ser irónico, vai ser honesto, vai ser isento, não vai ser isento, vai ser imparcial, vai ser parcial, vai ser lúcido, vai ser apaixonado, vai ser claro e confuso, vai ser pragmático e realista, vai ser sonhador e poético. Mas uma coisa será, por certo: verdadeiro. Talvez vos venha a surpreender com a frieza apaixonada das minhas leituras... e vai ser sobre tudo o que diz respeito ao futebol, com e sem bola...

Até Já!
jpv

Por muitos a zero!

Querida mana,
lembro, por vezes, a eternidade das tardes domingueiras passadas a quatro, ou cinco, quando estava a Mimi, e lembro a sua simplicidade tanto como a fruição do tempo. Sermos uma família era mais, muito mais, do que termos laços de sangue. Era estarmos juntos.

O pai sentava-se na sua mesa, fazia contas, lia o jornal, escrevinhava papéis ou abatia-se sobre os braços e adormecia profundamente donde só acordava para comentar o que se estava a passar na tv como que anunciando "eu estou aqui, não estou a dormir". Mas estava e isso não tinha importância nenhuma. A mãe sentava-se costurando uma coisa qualquer, fazia um bolo, conversava ou escapava-se para o quarto, ali mesmo ao lado, donde emergia sonolenta para fazer algumas das coisas que ainda agora referi. Nós andávamos pela sala, no chão, debaixo das mesa, como se esse território nos pertencesse em exclusivo. Espreitávamos a televisão e sobretudo, brincávamos.
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Havia uma actividade que me entretinha imenso. Eu copiava um totobola para uma folha quadriculada e deixava um espaço grande entre o nomes da equipas para registar os golos. E no curso dessses dias distantes várias coisas não tinham acontecido ainda. Não havia transmissões televisivas do futebol e a riqueza do jogo dependia da arte dos senhores que gritavam "Gooooolo!". Da forma como narravam o jogo, das suas opiniões, dos juízos de valor sobre a partida, do colorido que emprestavam às minhas tardes de Domingo. É curioso que, sem tv, havia menos casos de jogo. As faltas eram faltas, os golos aconteciam quando a bola entrava na baliza e, mais do que tudo isto, valia a festa. A festa fazia-se, também, dessa singularidade que era os jogos serem todos ao mesmo tempo, nas imensas tardes de Domingo. Por vezes, o senhor gritava "Goooooolo", eu estava já aos pulos, radiante e festivo, quando ouvia "o árbitro anulou o golo". Era um descer à terra, uma desilusão e retomavam-se as expectativas. E lá ia, Domingo a dentro, registando os golos na minha folha quadriculada.
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Nessa altura, havia o hábito salutar de se investir muito no jogo e menos nas coisas à volta dele e, fosse por isso ou por outra qualquer e desconhecidda razão, havia sempre quem ganhasse por muitos a zero!
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Lembro-me, por esses estranhos e alienígenas tempos, de haver um treinador do Benfica que fazia gala em não fazer substituições e orgulhava-se de sofrer muitos golos porque, dizia, marcava sempre mais.
Os casos nunca se resolviam na tv, não se ganhavam os jogos antes de começarem nem depois de acabarem, e havia sempre muitos golos. Ser do Benfica era, na altura, o mesmo que ganhar por muitos a zero. E, na segunda-feira, todos discutíamos as jogadas que não víramos como se as tivessemos visto. E todos tínhamos certezas. Era o inefável poder da imaginação despertado pela rádio. Havia mesmo alguns de nós que conseguiam dizer "eu vi bem que foi falta!".
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Entretanto, a vida roubou-nos as tardes de Domingo, a rádio perdeu espaço, a televisão ocupou demasiado, os jogos passaram também a ser jogados antes e depois de começarem, o futebol esterilizou-se em tácticas suicidas, e deixou de se ganhar por muitos a zero! Passou a interessar mais o resultado do que o seu volume, deixou de haver vitórias morais, morreu o "fair play", 1-0 é um resultado comum e uma goleada é uma excepção, um motivo de festa. Tudo é esquadrinhado por câmaras, os árbitros são quase tantos como os jogadores e tudo isto estava sem graça nenhuma até ter chegado Jesus!
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O que eu gosto no Benfica de hoje, ou no de ontem à noite, é o despudor com que defende mal, até porque defender não interessa para nada, é a ingenuidade de estar a ganhar por 4 a 0 e os jogadores continuarem a correr como se não houvesse amanhã, loucos, esses loucos, que jogam à bola como cachopos entusiasmados mesmo quando o resultado já está feito. O que eu gosto no Benfica de ontem à noite é que joga dentro do campo para quem cá está fora. O que eu gosto é do renascer da ideia de espectáculo e do que eu gosto mesmo, acima de tudo, em nome da minha infância distante, é que me devolveu a alegria de ganhar por muitos a zero.
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Querida manucha, este mail era para ser sobre política, sobre a apresentação do novo governo do senhor engenheiro que nos vai conduzir nos próximos anos. Mas quem é que quer saber disso quando o Benfica está a ganhar por muitos a zero?!
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O nosso avô e o nosso pai, lá onde estão, seja isso onde for, estão a gozar à brava. À uma, porque eram Benfiquistas à moda antiga, sem "ses" nem "mas". À duas, porque têm lugar cativo e não pagam tv. Será que no Céu há cervejinha e tremoços?
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Beijo divertido,
mano.

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