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"Hainan, 30 de outubro - A norte-americana Alexandria Mills foi coroada Miss Mundo numa cerimónia que decorreu na noite de sábado em Hainan, na China. A jovem, de 18 anos, foi escolhida entre 115 mulheres dos quatro cantos do Planeta."
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Alguém teme por ela como eu por ti? Alguém a quer como eu a ti? Alguém a venera como eu a ti? Alguém a acaricia como eu a ti? Alguém daria a vida por ela como eu por ti? Tu és a Miss Mundo! Podes ser só do meu e do teu mundo, mas será que há outro?

Café...

Com música ao vivo!

Artigo Definido

A luz sumida.
O ambiente escurecido.
O corpo despido.
A lição de vida.
O riso cristalino.
O brilho no olhar.
A roupa no chão.
A cama pra explorar.
O amor conquistado.
O corpo despido.
O caminho encontrado.
O sexo oferecido.
O gesto meigo.
A carícia incendiada.
O som gemido.
A vida emanada.
A conversa cúmplice.
A harmonia desenhada.
A última festa.
A roupa enfiada.
O beijo na testa.
A pele banhada.
O olhar distante.
O beijo no ar.
A palavra de amante.
O desejo de voltar.

Informação gratuita


Por razões que não vêm agora ao caso, hoje precisei de uma imagem de uma gata. Nada mais fácil, fui ao Google, escolhi a opção "Imagens" escrevi "gata" e cliquei em "Procurar imagens".
Foi então que me apercebi de que, além da minha ingenuidade, a nossa língua é maravilhosamente polissémica... E o mais engraçado é que não conseguia a imagem da gata porque só me apareciam delas com duas patinhas e biquinis diminutos. Foi preciso especificar e escrever uma coisa do género "gata cinzenta"...

E venham-me lá falar em competências TIC... Aquilo era mais assim uma coisa do tipo gata escondida...

Tempo Psicológico

Há circunstâncias em que uma hora e meia pode parecer uma eternidade. Não tem é de ser sempre a mesma eternidade!

Café...

Com açúcares e tentações!

Toque de Silêncio

Porque as palavras, às vezes, são poucas, ficam aquém ou, sendo muitas, constituem ruído.
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(A intérprete tem 14 anos!)

Mind the Gap

Já tive mais certezas.
Por vezes são as falhas que nos unem. São os desencontros em determinados locais e tempos que conduzem a fantásticos encontros noutros locais e tempos. A perfeição, para além de monótona, não seria valorizada se não houvesse falhas. As falhas contêm vida e são geradoras de vida. Não evitem as falhas e os erros porque constituem processos de aprendizagem insubstituíveis. Não há sintonia sem dissintonia, não há sincronia sem diacronia, não há harmonia sem caos.

Agradecimento

Venho agradecer aos leitores de "Mails para a minha Irmã" a dedicação, as visitas, as leituras e as partilhas que vão fazendo, quase sempre por mail. No último ano, este mês de Outubro supera todos os outros em visitas. Pela primeira vez mais de mil. E em leituras, pela primeira vez mais de duas mil e seiscentas. Acresce ainda que, em breve, talvez ainda este mês, embora os fins-de-semana sejam de menor tráfego, atingiremos a bonita soma de dez mil visitas.

A todos o meu sincero agradecimento.
João Paulo

Terna desfolhada

Exala o ar
Um perfume de mulher
Como pétalas duma flor
Que bem me quer, bem me quer.

Da impunidade


Anda por aí uma expressão popular que vai dizendo "A justiça é cega mas a injustiça vê-se". A expressão percebe-se, embora esteja incorrectamente formulada. A mim, há algo que me preocupa e impressiona mais do que a injustiça e que também resulta nela: a impunidade.

Nos dias que vivemos, nem os gestos, nem as palavras têm o mesmo valor de outros tempos. Estão banalizados ambos. Um levantar de dedo podia despertar lágrimas e uma expressão como "senta-te" tinha efeito. Isto passava-se entre miúdos, entre adultos e miúdos e, claro, entre adultos. Se uma pessoa insultar outra, nos dias que correm, chamando-lhe, por exemplo, desonesta, covarde, estúpida, parva, ladra ou o que quer que seja que lhe venha à cabeça, o mais certo é não passar-se nada. Nem nada daí advir. E já não vai sendo raro que tenha o insultado de desculpar-se por ter provocado a reacção do insultador! O mais longe a que se chega, depois de consultados muitos intervenientes e várias instâncias jurídicas é a um pedido de desculpas que, claro está, pode desculpar o insultador mas já não apaga o gesto. E isto acontece nas famílias, entre amigos, entre colegas de profissão, entre desconhecidos, fundamentadamente justificando-se o injustificável: é que cedência a cedência, permissão a permissão, banaliza-se esta violência verbal entre pares, torna-se uma rotina nas rotinas e emerge o que de pior há no ser humano. A sua baixeza. A sua indignidade. O carácter ignóbil de actos que devia reprimir em abono da convivência com os seus semelhantes. E, está provado, isto cresce. E a impunidade é terreno fértil para o seu crescimento. Há uma frase interessante que diz "Basta que os homens de bem nada façam para que o mal triunfe". Pois acho que está na altura de os homens e as mulheres de bem fazerem alguma coisa.

Sem medo, não. Com coragem, sim.

Numa linha comportamental muito adolescente, estava a trocar fotos com a TR como quem troca cromos do Sandokan e vai daí diz-me ela "Gosto muito daquela em que estás com um ar muito teen, o pé no ar, olha até lhe pus um título..." Não fosse a curiosidade matar-me, adiantei logo "Então e qual foi?" A resposta veio rápida e, se não estivéssemos ao telefone, tinha-a visto sorrir: "As aventuras de João Sem-Medo".
Sem medo, não direi, embora quem me conheça saiba bem que, de facto, não costumo ter medo. Nem digo isto como uma forma de me gabar de ser temerário. Para mim, até pode ser uma doença. O facto é que não não costumo experienciar tal sentimento. Ainda assim, como todos nós, humanos, ele lá se manifesta uma ou outra vez e é nessas alturas que reparo que tenho sempre muita coragem na vida. Sei lá, pode ser a tal doença... E foi por isso que disse à TR "Sem medo, não. Com coragem, sim."
Estava aqui a pensar se não serão sentimentos irmandos. Para que se manifeste um, preciso será que tenha havido o outro.

Citação Sinal dos Tempos

"Levantam o braço e falam logo, não sei é porque é que levantam o braço"
FM

Caros leitores, eu tenho uma teoria sobre o porquê desta verdade inquestionável, mas não queria apresentá-la antes de vos ouvir. Há sugestões?

Falta de visão estratégica

A A. trazia hoje uma interessante mini-saia cor-de-laranja. E eu sentei-me atrás dela!

Citação

"O meu melhor neste momento é muito mau."
FM
Desculpa discordar, querida amiga, mas isso não é verdade. O teu melhor é sempre muito bom e até o teu pior tem dedicação e humanidade. É por isso que todos te respeitamos e gostamos de ti como uma verdadeira amiga e colega.
João Paulo

Plano Horizontal

Vem até mim
E desnuda-me,
Despe-me destas coisas
Do quotidiano.
Arranca-me as imagens
E as barreiras
E deita-me ao mundo
Puro e só.

Sê a minha divindade
De fazer bem.
Vem até mim
E não deixes que ninguém
Conspurque a tua obra,
O teu toque.
Lava-me a alma dos preconceitos,
Arranca-me os ódios,
O sofrimento e a dor,
E vem pousar em mim
Tua doce semente de amor.

Em que é que pode ser pecado,
Muito menos original,
Que nossos corpos se encontrem
Em plano horizontal?
Qual é o crime e a sanção
De juntar à tua, a minha mão?
De sentires o peso e o fulgor
De meu corpo entumescido
Desfazer-se no teu em amor?

Há tanto que nos conhecemos,
Há tantas águas,
Tantos sóis,
Tantas palavras
Incendiadas de desejo,
Que não vejo como pode vir a ser pecado
Que tudo isso
Se materialize num beijo!

Citação Sábia

"Se és homem para mim, atira a pedra fora!"
João Velhinho, meu saudoso avô.

Quadras de Amor


Não me tortures, meu amor.
Mata-me ou deixa-me morrer.
Que é uma tortura estar vivo
Se não for para te ver viver.

Vem a mim e dá-me essa alma errante,
Entrega-me esse corpo de desejo
Que não se nega a um amante perdido
A misericórdia de um beijo!

Perdido, sim, perdido sem saber o que sentir.
Perdido por ti, para a vida perdido.
Preso sem poder fugir
A esse beijo que me tens prometido!

Ofereceram-te tudo, disseste,
Ofereceram-te tudo e negaste!
E não sabes que essas palavras
Ardem no peito que inflamaste!

Ama-me, meu amor.
Ama-me com essa força escondida,
Pousa-me no peito com carinho
Essa carícia que trazes contida.

Esquece o mundo, esquece tudo,
Esquece os outros, e o preconceito.
Liberta esse grito de amor mudo
Que trazes trancado no peito!

Princípios básicos

Ei, tu aí!
Não é quem grita mais alto que tem razão.
Não é quem age mais agressivo que tem poder.
Não é quem mais humilha que conquista.

É quem for mais sereno.
É quem for mais trabalhador.
É quem for mais respeitador.

Popular


"Quando o sol nasce é para todos"
Popular

Dar o peito às balas

Só quem o faz, pode conhecer o seu valor, o seu poder fortalecedor. Dar o peito às balas é sempre uma dádiva de aprendizagem para o próprio e para quem o rodeia. É preciso fortalecer o pensamento e a capacidade de acção dos homens e isso só se consegue com sacrifício, com exposição, com partilha, com entrega, correndo riscos e assumindo os actos próprios e aquilo em que se acredita de forma aberta, transparente e com verticalidade. É desgastante, sim, mas é a melhor escola de vida.
Agradeço, com humildade, a todos quantos, ao longo da minha vida, me dirigiram as balas! É que só o meu peito não bastava.
João Paulo Videira

Citação triste

"Pese embora a liberdade que lhe assiste..."
Autoria não revelada por opção

A liberdade que assiste a cada ser humano não deve, não pode, pesar aos seus pares. Se lhe assiste, não pode ser questionada, se o for, estaremos perante uma lamentável tentativa de coarctação da mesma.

Não é.


Não é por não torcar-te
Que te não beijo apaixonadamente.

Não é por não ouvir-te
Que te não escuto atentamente.

Não é por não ver-te
Que te não contemplo demoradamente.

Não é por estares longe
Que te não tenho junto a mim.

Não é por nada
Que te não quero tudo.

Agradecimento

Olá meninas, muito obrigado pela vossa simpatia. Sabem, não há grandes professores se não houver extraordinários alunos e vocês são extraordinárias. Tudo de bom!
João Paulo

Não sou como tu, pai.


Tenho saudades tuas.

Mas não são saudades daquelas que um dia vamos saciar. São inexoráveis e definitivas saudades, pai. Por vezes converso contigo nesta conversa que é eu adivinhar, pressentir por aprendizagem o que me dirias. Mas não é o mesmo que falar-te e ouvir-te.

Sabes, não tem sido fácil a vida sem ti. Sem a tua palavra sábia, sem o teu conselho pleno de bom senso. Não tinhas as respostas todas mas percebias os melhores caminhos. Ultimamente tenho assumido decisões que precisavam de ti nelas. Viver contigo era como estar sempre amparado. Protegido. Não sou como tu. Ninguém é como tu. Tento honrar-te as passadas mas deixaste os pârametros demasiado elevados e sinto-me sempre aquém. A verdade, pai, é que estou cansado de viver sem ti. Estou exausto de sentir a tua falta. E sinto esta pesada e inultrapassável impotência. Não há foto, não há filme, não há memória que te substitua. Eu sei que sofrias para que o mundo fosse melhor para nós, mas, ao teu lado, tudo parecia sempre mais fácil.

Abraça-me, pai. Vem visitar-me. Não sei se queres vir em gota de chuva, em raio de sol, em som de trovão, em brisa marinha ou, com a tua simplicidade, apareceres, bateres à porta e perguntares como quem provoca, "O que é hoje o rancho?".

Sabes, eu sou feliz e estou bem. Não precisas preocupar-te. Este choro que agora ouves, estas lágrimas que agora vês, não são tristeza. São só a tua falta. E isso é tudo.

Gosto muito de ti, paizinho. Tentarei honrar-te em tudo o que puder. Mas não sou como tu.

O teu rapaz, João Paulo.

Silhueta de mulher com por-do-sol ao fundo


Hoje vi,
Com os olhos da imaginação,
Uma silhueta de mulher
com por do sol ao fundo.

Tinha um recorte elegante
E uma fina figura
Viam-se claramente
Os contornos da ternura.

Era uma sombra
Prenhe de vida e de voz.
Era um sorriso doce
e um toque suave.
E havia sensualidade naquela imagem,
Havia poderes emanados do coração.

Sem ti, mas contigo,
Senti-me capaz de mover o mundo,
Ao contemplar na minha imaginação
Uma silhueta de mulher com por-do-sol ao fundo.

Citação com resposta


"Não te esqueças que és professor, colega e amigo"Ana Paula Carmo
Minha amiga, não é possível esquermos a essência do que somos.
João Paulo Videira

O Dia da Saia

Um inquietante filme de produção francesa que pude ver ontem numa iniciativa do Cine Clube de Santarém. É mais do que um filme sobre educação, é uma reflexão sobre a complexidade étnica e religiosa que rodeia os ambientes educativos.

Post Azul


Estava aqui a pensar numa boa razão para postar esta imagem e não encontrei. A não ser o facto indesmentível e público que é eu adorar azul. Sobretudo se for intenso. Este azul é mesmo muito azul! Aceitam-se comentários com razões plausíveis para o post mais absurdo da história deste blogue!

Musa não és

Musa não és!
Perecíveis são as musas,
Envelhecem e perdem energia.
E tu,
Continuas a acordar-me o dia,
A preencher-me a alma,
A agitar-me o coração,
A empurrar-me a mão
Para o papel
E a desenhar através de mim
As palavras do génesis
E do fim.
Trago o teu olhar brilhando no meu,
Trago o teu sorriso no meu rosto,
Trago no meu peito teu gesto terno.
És meu calor de Agosto,
Minha chuva de Inverno,
Meu vento na vidraça,
Uvas entre os dedos,
Saudável epidemia que não passa,
Exorcista de meus medos.

Não sei se vivo em ti,
Não sei em que medida.
Sei que me invadiu o ser
Uma absurda vontade de vida.
Respira e viverei,
Caminha e andarei,
Mas não me toques
Que ao tocar-me
Abres um abismo fundo,
Um descontrolo total,
Um fim de mundo,
Um querer absurdo,
Uma voracidade
E uma posse.
Um delírio de desejo
Que se materializa
No próximo beijo
Por dar!
E toca-me,
Mostra-me a minha finitude,
Ensina-me que se chama completude
Ao esbater das fronteiras
Do meu corpo no teu.

Não sei o que és.
Sei que musa não és.
De ti não me vem só a inspiração.
Vem-me a vontade, a ilusão,
O desejo, a harmonia,
O começo
E o fim do dia.
E vivo suspenso de ti.
Adiado.
Até que o eco dos teus gestos
Acalme o palpitar deste peito
Docemente subjugado.

Passada


Há qualquer coisa de incerto
Nesta passada,
Uma névoa de futuro.
Mas quero acreditar
Que pode construir-se um rumo
Mesmo que o passo seja inseguro.
Não temo a desilusão
Nem o Fracasso
Temo só pela revelação
Deste meu incerto passo.

Quero ancorar-me nas convicções,
Quero dar o que tenho e posso,
Quero que o fundamento das minhas ilusões
Seja a humildade do meu passo.
E farei.
Farei bem feito e com defeito.
Mas que haja a certeza
No caminho que se trilhou
Que não vive em mim
O português que se negou.

Agradecimento


Durante o processo de produção de "De Negro Vestida" foi necessário fazer uma pequena investigação no terreno, nomeadamente, por razões que entenderão em capítulos futuros, saber como funciona uma agência funerária e como uma mulher encara esse tipo de trabalho.
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Aqui fica a expressão da minha gratidão a Conceição Conde, uma senhora de grande simplicidade mas também de grande coragem, sensibilidade eJustificar completamente capacidade de trabalho. É proprietária da Funerária Conde, no Entroncamento, e quando me viu entrar pela loja dentro a fazer perguntas sobre o seu negócio por causa de um romance, em vez de me chamar maluco e pôr na rua, recebeu-me com simpatia e conversou comigo sobre tudo o que lhe pedi, mesmo sobre alguns assuntos mais duros. Não só fiquei a conhecer um mundo que desconhecia, como me apercebi de algumas das suas adversidades, dos problemas que podem surgir e sobretudo, da importância deste trabalho e da coragem que exige.
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Estas são as pessoas que têm o ingrato mas importantíssimo trabalho de cuidar dos nossos entes queridos nas suas últimas horas connosco. A determinada altura, Conceição Conde disse a frase "Trato-os como se fossem vivos". Perante esta honestidade e esta dedicação, resta-me dizer-lhe: Obrigado São!
João Paulo Videira

Qualquer coisa está para acontecer

Não sei se acontecerá. Não sei quando acontecerá. Sei que este espectro da crise, de uma forte e severa crise, arrasta consigo outros cenários. Cenários de uma violência sem precedentes. Cenários de destruição, caos e morte, que são os ingredientes da "limpeza" que antecede o vôo da Fénix. Acredito que renasceremos mas temo. Temo por não saber o que nos espera entre o momento que vivemos e o dia de nos reerguermos.



Boa Semana de trabalho

Diz-se que a perfeição não existe, mas, por vezes, há momentos que abalam as convicções de qualquer um. A moça que está no vídeo aqui por baixo, com essa aceitável, enfim, sofrível figura, chama-se Myleene Klass e é a mesmíssima que aqui à nossa direita interpreta ao piano a Tocata e Fuga. O que será que o criador colocou nela a lembrá-la da sua humanidade? Ai, rapaz... até se me arrepiam os artelhos!

Boa semana de trabalho, caros leitores e amigos. Esta vai ser das duras!

De Negro Vestida - XLII


De Negro Vestida – VI
------José dos Santos Silva criou muitas regras durante a sua vida e alterou-as quando mais lhe conveio e voltou a alterá-las e alardeou que as tinha respeitado rigorosamente. Tão rigorosamente como a mentira ou o adornar da verdade que sempre fizeram parte de si. Justiça lhe seja feita, até porque não é mau homem, uma regra houve que nunca alterou. José não suportou desde pequenino que lhe chamassem Zé. Primeiro, porque não gostava, depois, quando as palavras vieram a bailar-lhe na boca como cerejas envenenadas, porque sentia que se perdia uma qualquer dignidade com a amputação do nome. Construiu então a regra com a seguinte fórmula:
------- Zé é a puta que te pariu, óvistes? Para ti, senhor José!
------Foi sempre um inquieto. Incapaz de sossegar, de assentar, de receber ordens ou viver dependências. E tinha uma dificuldade tremenda em não ter razão. 


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O Romance "De Negro Vestida" foi publicado, capítulo a capítulo, neste blogue, entre 26 de janeiro de 2010 e 22 de abril de 2011.

Agora que conhecerá outros voos, nomeadamente, a publicação em livro, deixamos aqui um excerto de cada capítulo e convidamos todos os amigos e leitores a adquirirem o livro.

Obrigado pela vossa dedicação.

Setembro de 2013

João Paulo Videira

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Bom Domingo

Os mais velhos talvez se lembrem da expressão "Porque hoje é Domingo" que passava em certo programa televisivo. Vem a isto a propósito deste post. Não há nenhuma razão objectiva para este post, a não ser pedir-vos que descansem do stress, da crise, dos problemas, das compras, que olhem os outros com mais tolerância, que estejam com a família, que aproveitem o glorioso sol que nos visita. Acho que são sentimentos e gestos adequados a um dia que, precisamos, seja de efectivo descanso.

A música que vos deixo consegue fazer-me sentir assim. Tem poderes e efeitos mágicos, a música.

Bom Domingo!

Angela Gheorghiu - Casta Diva

Os olhos da crise

Hoje enervaste-te de novo. Explodiste. E, como te disse, isso não te ajuda. E, depois, não deixa transparecer a tua verdadeira personalidade. A doçura. O sorriso. A simpatia que todos pressentimos que tens mas anda tão afastada. Quem te pode sensurar? A vida, por vezes, é muito dura. Sabes, a culpa é minha e da minha geração. Bem, talvez também um pouco das gerações anteriores. Mas, a verdade é que ainda devias estar a sair da adolescência, ainda devias andar a brincar aos namorados, e a vida já te exige que tomes conta de toda a família. Claro que um pai desempregado não ajuda, claro que uma mãe muito doente, tanto que não pode trabalhar, também não ajuda, claro que teres de sustentá-los mais ao teus, muitos, irmãos também não ajuda, claro que terem-te despedido por causa da crise também não ajuda, mas precisas acreditar, precisas sorrir, precisas deixar crescer em ti coisas boas. És tão nova ainda. Tanta vida te vai sorrir ainda!-
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Hoje fiquei triste com o teu sofrimento. Sofri contigo. Vi-te a crise nos olhos. Não a dos gráficos. A verdadeira. Quase me pareceu despropositado pedir-te que fosses menos agressiva com os teus companheiros, mas, acredita, tudo correrá melhor quando soltares e semeares as coisas boas que há em ti. Queria tanto ajudar-te e sinto-me tão impotente. Em nome do conforto e do conceito de ter, andamos a sacrificar jovens, famílias, padrões e depois as pessoas suaves e doces como tu ficam agressivas. Não é justo. Será que os senhores de fato que discutem percentagens e estratégias e cortes e planos sabem que a tua vida, a tua dor, o teu sofrimento, a doença da tua mãe, o teu desemprego, o facto de sustentares uma casa com a adolescência ainda na face, sabem que tu não podes ser um fragmento de uma percentagem? Será que sabem que és gente? Será que sabem que a crise se materializa em ti? E em todos os que possam estar como tu?
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Espero que me tenhas ouvido. Espero que encontres força e fé para acreditar. Desejo-te o melhor do mundo. Desejo-te que um dia o mundo seja teu. Desejo-te que preserves a tua família. Desejo-te que um dia vivas numa sociedade em que possas ser o que és e não o que reages.
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Não sabia bem como despedir-me de ti neste texto que provavelmente nunca vais ler, mas lembrei-me de uma expressão simples que as pessoas da tua idade usam muito e considerei-a a mais adequada. Por isso cá vai: "Fica bem!"

Oculto

É no gesto que escondes,
É nas palavras que não dizes,
Nos olhares que não trocas
Que se revelam
Os mais extraordinários matizes.
É na suspensão dos sentimentos,
No adivinhar dos pensamentos ocultos
Que oiço mais nitidamente
O que me sussurras.
E amo os beijos que me não dás
Mais do que os outros
Porque há coisas que um homem não faz
Que encerram mais coragem de viver.
E quando não fazes amor comigo,
Te não entregas doce e violenta,
Há nessa suspensão
O amor prenhe de quem tenta.

O oculto mora em nós
E tem força e tem pujança,
E nada do que acontece
Lhe rouba
Um só átomo de importância!

Não venhas, meu amor.
Não irei.
E completaremos nosso halo
Com esta incompletude.
Viveremos inquietos e insasiáveis
Na nossa tranquila quietude.

A menina do chapéu de palha

Entras nas pessoas
De mansinho,
Quase sem te anunciares,
Mas há um brilho e uma vida
Que transportas no olhar
E marcam com inquietação
A tua presença,
A tua intenção.
Baila em ti certa curiosidade
E uma insatisfação constante
Assim como se percebesses
Coisas ocultas,
pensamentos ausentes,
O que foi dito e o que ficou suspenso.

E vem contigo
Essa aura de contradição
Que é ver em ti a criança
E a mulher em tentação.
E a mais bela explicação de ti
É que não há palavras para explicar-te,
Saltitas pensamentos e versos,
Abalas crenças e convicções
Só porque uma vez sem exemplo,
Sem razão nem nada que o valha
Enfeitaste o mundo cinzento
Com a beleza de um chapéu de palha.

A não perder

Frei Fernando Ventura fala com serenidade e contundência dos tempos que vivemos. "A História dos jovens não se cruza com a memória dos mais velhos", diz. "Vivemos a cultura do penacho", acrescenta.
-
Obrigado, M, por teres mostrado.

Parte 1


Parte 2


Se não conseguir ver os vídeos, siga para aqui:
http://videos.sapo.pt/JoFz521LdtWURRpTF1YY

Púbis

Tens um mar encapelado e revolto
Nesse mundo em que me perco,
Nesse caminho donde não volto,
Nesse cume de profundezas.
Tens aí a tentação
De ir p'ra não voltar,
Suave colina
Que percorro com os lábios e com a mão
Em aventuras de encantar.
E tens aí teu tesouro,
Meu abismo voluntário.
Pagava por ele todo o ouro
Que custa comprar uma vida ao contrário.
E tens tango, e tens samba, e tens valsa,
E tens poesia de arrebatamento
E prosa espraiada e voluta.
Tens qualquer íman que me puxa
Com uma força mais que bruta.
E mora em ti
O centro do Universo,
Fonte de contas inimagináveis
Que não cabe num verso
O meneio das tuas coxas hábeis.
-
Dá-me esse centro,
Oferece-me teu vortex,
Chama-me para dentro,
Prende-me em teu calor.
E, depois, no halo do amor
Que acabámos de fazer,
Deixa-me acariciar sem pudor
A fonte do nosso prazer!

E o povo, pá?!

Sorria, está a ser lixado!
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Diva de parede

Há papel de parede, jornais de parede, paredes meias e paredes inteiras. Antigamente fazia-se parede. Hoje, eu encontrei uma diva de parede.
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Acho uma ternura certas figuras que os humanos fazem por causa do amor. Podemos dizer que o que nos move é o dinheiro, são os interesses, a ambição, mas nada nos arranca a expressão mais sã, mais íntima e mais profunda como o faz o amor.
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Riscam-se paredes por muitas razões: mensagens políticas, gritos de revolta, reclamações e outras que tais, mas esta que encontrei hoje em Torres Novas é uma pérola do sentimento amoroso na sua mais genuína e portentosa expressão. Houve um rapaz que cortou a noite e arriscou ser visto para que pudesse colocar o seu sentir numa parede torrejana e fê-lo de forma genial: ou seja, na constatação, para ele óbvia, de que tinha sido ela a sua DIVA desde o COMEÇO! Mai nada!
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Isto merecia ser divulgado. Rapei do telemóvel e fiz a boa acção do dia, tirei-lhe a fotografia!
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Ei-la!

Vá lá, pá!

Ó pá,
Chega-te para cá,
Aquece-me estes pés.
Não sejas má!
Traz-me esse corpo esguio
E aquece este tipo frio.

Ó pá,
Deixa-te de cenas
Traz o edredão de penas
E vem aquecer-me já.

Ó pá,
Mas afinal onde andas tu?
Na via digital ou na minha cama?
Vê lá se não termina a semana
Sem te acariciar o corpo nu.

És porreira, pá,
És mesmo à maneira!
Tão gentil e graciosa
Que me despertas a brincadeira
Em tarde, de Domingo, ociosa.
E enches-me de emoção
Na exacta proporção
De um sorriso...
Ou de teus seios
Bailando na minha mão!

Ó pá,
Veste uma tanguinha, pá,
Assim, a espicaçar-me a curiosidade
E a expor à luz do dia
A maravilha
Da tua sensual idade!
Vá lá, não sejas tímida
E faz-me um sorriso convidativo,
Como quem chama para
O baile dos corpos festivo.

E fechamos as cortinas,
Trancamos as portas,
Viramos ao contrário
O quadro de Jesus
E acendemos a luz!

Vá lá, pá!

Quadras qualquer coisa


Há qualquer coisa
Entre ti e mim
Que me cheira a princípio
E me sabe a fim.

Há entre nós
Um imenso azul
Que banha meu Norte
E ilumina teu Sul.

Qualquer coisa indescritível
Traçada no mundo real
Em chão verdadeiro
Na fronteira do impossível.

E há um pulsar e uma ânsia
Que percorre o silêncio e o ar
Que une em vez de separar.
Um amor percorrendo distância.

O Zorro

Se há uma coisa que pode esperar-se de mim, é que assumo frontal e tranquilamente aquilo que sou e penso. Vem isto a propósito de haver pessoas que têm determinados gostos mas não os assumem publicamente por via do que possam os outros pensar. Eu não sou assim. Se gosto do programa "Ídolos", digo-o, se gosto do Benfica, digo-o, se gosto de Saramago, digo-o, se gosto de Pachelbel, digo-o.
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Neste caso é preciso dizer que gosto de ver, quando posso, o programa "Ídolos". Gosto do formato, do progressivo caminho de descoberta e evolução dos supostos talentos. Digo supostos porque alguns, a maioria, depois de serem muito bons desaparecem da face da Terra mais rápido do que apareceram.
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Um dia destes estava a ver o programa e salta de lá um moço tranquilo e relaxado e canta uma canção que eu desconhecia e imediatamente adorei. Primeiro, pelos comentários, pareceu-me ser uma composição brasileira, mais tarde percebi que era portuguesa.
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O curioso é que encontrei diversas interpretações, sendo a mais conhecida do Luís Represas, mas nenhuma das versões profissionais me agradou tanto como a do miúdo, mesmo sem tratamentos de som. Gosto desta verdade e desta genuinidade.
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E gosto de partilhar. E é por isso que vos deixo a liberdade dos vossos próprios juízos. Aí fica a versão do mestre Represas e a do puto divertido que já teve o condão de me divertir!
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Letra: João Monge.
Música: João Gil.
Título: O Zorro.
Clip 1: interpretação de Luís Represas
Clip 2: interpretação de Gerson Batista

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O Mar a meus pés

O comandante na proa. O texto foi escrito exactamente ali. Sentadinho, claro.
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Aqui andei ao banho no dia seguinte. Como o mar estava encapelado, bastou sentar-me e esperar que as ondas rebentassem e fizessem cascata por cima do rochedo. Emoções fortes a custo zero!
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[No passado dia 3 de Outubro, a minha família resolveu oferecer-me como prenda de anos um fim-de-semana na praia. Assim para relaxar. Escrevi por lá umas coisitas incluindo o texto que transcrevo abaixo e que decidira não publicar porque me faltavam imagens apropriadas e porque gostava pouco dele... Sei lá, coisas de gente tonta. Acontece que os cunhadinhos, Luís e Sandra, acabaram de me oferecer um powerpoint do fim-de-semana onde estão algumas fotos que, a meu ver, caem que nem ginginhas no texto. Vai daí, enchi-me de coragem e passei-o do manuscrito para aqui... Pois então divirtam-se. PS: um obrigado sentido à Paula, ao Iago, à Sandra, ao Luís, ao rochedo, ao mar e à saladinha de polvo!]
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Zambujeira, 3 de Outubro de 2010
O Comandante na Proa

É inglório procurar emoções fortes e intensas de forma artificial. Não conheço nada que cause tantas e tão maravilhosas sensações como a Natureza. E sem contra-indicações. Esqueçam as montanhas russas, o cinema, os jogos de computador, o futebol ao vivo, as drogas, o álcool. Esqueçam a velocidade automóvel, esqueçam os aviões e as motos. Esqueçam tudo e contemplem.
Há uns meses, escrevi neste espaço um texto sobre a Serra D'Aire e Candeeiros que se chamava "O Céu a meus pés". Agora é a vez do mar. Numa das praias da Zambujeira há um rochedo enorme que começa na areia e entra pelo mar dentro. Com maré baixa acede-se facilmente. Com maré alta também, embora tenha de molhar-se os pés. Trepei o rochedo e caminhei mar adentro. O oceano está agitado e as ondas batem com vigor mas cá acima não chega nada a não ser uma suave brisa, alguns salpicos desfeitos em frescura e o som portentoso do mar. Aqui onde me sentei, mesmo no limite do rochedo, tenho as ondas rebentando-me por baixo dos pés, a luz do sol dota a imensa espuma do mar de um branco neve, tão intenso que até fere. E sinto-me senhor do Universo e, ao mesmo tempo, pequenino perante esta força e este poder. É uma sensação maravilhosa poder estar dentro do mar e observá-lo e acariciá-lo com o olhar sem nos molharmos nem recorrer a nenhum instrumento artificial.
O rochedo é afilado e faz-me lembrar algo que nunca vi: um imenso navio petrificado que agora é todo meu para comandar. Se eu morresse agora, aqui, por qualquer fantástico fenómeno, não precisavam levar-me para lado nenhum, pois não há lugar melhor para um comandante que a proa do seu navio de sentir.

Telegraph Road

Then came the churches, then came the schools,
Then came the lawyers, then came the rules...

O beijo mais doce


O beijo mais doce
Não foi dado ainda.

O beijo mais doce
Mora nos teus lábios.

O beijo mais doce
Tarda em acontecer.
Hás-de pousar-mo na boca
Com o dia a entardecer.

E ficará no ar
Um aroma de ternura,
Que subjugará a minha vontade
À tua doçura.

Vem a estes lábios fugazes
Que te querem beijar,
Vem contar-lhes histórias
Do beijo que tens para dar.

Lembrar

Lembrar é bom porque é reviver com perspectiva.
João Paulo Videira

10.10.10

É hoje.
E só acontecerá mais duas vezes este século. Depois será necessário esperar mais cem aninhos!
São giros, os números!

De Negro Vestida - XLI


De Negro Vestida – V
------- Estou sim?
------- Ah, querida, Maria José, finalmente atende o telemóvel. Estava a ficar preocupado. Sou eu, o Alberto.
------- Eu sei que é você, Alberto, conheço-o melhor do que ninguém, apesar da sua mãe reclamar para ela essa vantagem, mas, sabe, vinte e um anos de casamento dão-nos um conhecimento ímpar do outro… excepto no seu caso, que nunca quis conhecer-me.
------- Mas, Maria José, onde é que a menina está? Não vem para jantar?
------- Não Alberto, saí de casa.
------- Sim, eu sei, caso contrário não estava a ligar-lhe, que a menina saiu, sei eu, não está aqui! Eu preciso, quer dizer, nós precisamos de saber é quando volta.
------- Não volto!-----

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O Romance "De Negro Vestida" foi publicado, capítulo a capítulo, neste blogue, entre 26 de janeiro de 2010 e 22 de abril de 2011.

Agora que conhecerá outros voos, nomeadamente, a publicação em livro, deixamos aqui um excerto de cada capítulo e convidamos todos os amigos e leitores a adquirirem o livro.

Obrigado pela vossa dedicação.

Setembro de 2013

João Paulo Videira

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Esclarecimento

Alguns leitores têm perguntado se os textos que aqui coloco são de minha autoria, em particular os poemas. Devo informar-vos de quatro regras simples na publicação de textos neste blogue:

1) Todos os textos que não têm o autor indicado são de minha autoria.
2) Todos os textos que têm o meu nome indicado são de minha autoria.

3) Todos os textos que não são meus têm o nome do autor por baixo.

4) Os textos narrativos aqui publicados "Estórias ao Acaso: Noite Fria" e "De Negro Vestida" estão registados na IGAC (Inspecção-Geral das Actividades Culturais)

Ou seja, se foi outro que escreveu, eu coloco o nome. Tudo o resto é meu!

Abraço grande,
João Paulo.

Mudança

Mudança, sentimento que falta cá dentro
Pode mudar a minha vida toda num momento
Devia aproveitar para pensar em mim
Deixar de ser aquele puto, deixar de ser assim
Mas, eu não quero eu quero e continuar
Seguir o meu caminho do jeito que o quero levar
Tranquilo na minha terra sem me chatear
Poder estar com o amigos e andar a vadiar
Chegar a casa com aquele cheiro a mar
Não pensar em mais nada a não ser no jantar
Mas será que faço bem ser a escolha certa
Os meus pais só me dizem que um dia a vida aperta
Talvez sim, talvez não, conforme a situação
Situação, só aparece decisão, a decisão
Quem me dera não ter que me ralar
Mas no fundo eu sei que tenho que mudar
Mudança, à dias era criança
Mas a vida avança e as vezes isso cansa
Então descansa relaxa aproveita
Este som que te traz a confiança
São ventos de sorte são brisas de morte
Dias de bafo ou chuva forte
Tudo muda nesta vida irmão
As folhas caem no Outono o sol brilha sempre no verão
Na primavera tudo nasce no Inverno tudo morre
Enquanto o tempo corre uma lágrima se escorre
Ano a ano sinto que algo vai mudar
Tenho os braços abertos mas sempre medo de falhar
Será que assim será que medo e ilusão
Será que sigo os outros ou que sigo o coração
Será que canto em vão ou que ouves o que eu digo
Serás amigo, ou inimigo, perigo
Calma, pois tudo muda
Estarei por aqui sempre que quiseres ajuda
Tem calma, pois tudo muda
Estarei por aqui sempre que quiseres ajuda

Um dia tudo muda um dia tudo vai mudar
Há dias que não voltam mais mas que ficam pra guardar

Sento me no sofá depois de um dia atribulado
Encosto me para trás suspirando de cansaço
Numa folha escrevo versos sobre o dia que passou
E versos são riscados quando sou o que eu não sou
Esta na hora de mudar de mudar o que há de vir
Esta na hora de pensar e não pensar em desistir
Escrever para quem, falar para que
Perder tanto tempo se a mim ninguém me vê
As vezes so me apetecem e largar tudo isto
Voltar para a TV e simplesmente dizer-lhes isto
Mas será que vale a pena voltar para trás
Depois de tanto esforço não vale a pena rapaz
Eu continuo em frente porque eu sei o que eu quero
Eu quero isto contínuo em frente porque quero mudar
isto
Eu não desisto eu estou cá e a mudança então vira
Ainda me lembro quando jogava basket no parque
A bola girava de manha ate a tarde
E tínhamos sempre ocupações sem tomar decisões
Sem pensar numfuturo carregado de questões
As coisas mudaram e eu ainda mudo
O puto vai crescendo e tornando-se mais adulto
Quem me dera que o tempo parasse agora
Dava tudo para voltar a boa nova
Ao dia em que nasceu o meu mundo secreto
O nosso primeiro concerto ao vivo e em directo
O tempo passa depressa e depressa tudo muda
E tenho saudades de ter a gera toda junta
Hoje ainda vou ao mesmo parque para jogar
Sei que um dia destes também isso vai mudar
Hoje sou eu quem continua a lançar
Mas amanha vira alguém para ocupar o meu lugar
Mundo Secreto

[É importante divulgar bons textos. Também podem ouvir a canção à vossa direita]

A Espuma do Navegante


Nada me garante
Que a espuma cortada outrora
Por um navegante
Não seja a mesma
Que vem beijar-me agora
Os pés
E perguntar-me com violência
Quem és?

Fala comigo, o mar,
Abre-me as portas da consciência
E obriga-me a dizer-me
As coisas puras
Antes do filtro da inteligência.

Quebra as rochas
Com estrondo
E quebra-me os fingimentos,
Que um homem sente-se mais verdadeiro
Perante a imponência
Dos líquidos movimentos.

Há sal e há verdade
Em ti, ó mar,
E há humanidade
No gesto de te contemplar.

Res Púbica

Vive no jeito das tuas palavras
Um sentido de fecundação,
E emerge do traço
Dos teus seios
A forma que me preenche a mão.
E dizes a liberdade e o amor e a entrega e o sexo
Como quem comenta um poema
Ouve uma partitura
Respira o ar.

E guardas-me em ti em carne e semen
E fechas-me no teu casulo de amar
E habita em tudo isto
Um sentido extraordinário
de normalidade.

Tu és a vida, ó musa,
A vida amada
Que a vivida é pouca para ti!

Meu feriado nacional,
Meu estádio de futebol,
Meu filme,
Meu livro,
Meu mar,
Meu ar.
Minha festa de aniversário,
Meu doce e suave opiário.
Em ti me perco e contigo me ganho
E é por ti que acordo desta morte que vivo
E navego na ondulação dos amantes,
No azul do mar,
Nas palavras por encontrar.

Sobra-me a tua alma.
Falta-me o teu corpo
Que não vive um homem erecto
Sem esse suave sopro.
E arranhas-me o sentir
Mesmo antes de vir
Ao mundo a vida
De encontrar-te
Sob o meu peso.

Minha doce e suave comemoração,
Minha res púbica
De Amor ao vento
E peito desnudado,
Se soubesse que nascerias para mim,
Todos os dias seriam feriado!

Ode ao cais

"Sem dar por isso, num desejo intumescido, meu corpo tornou-se cais onde penetra o teu navio..."
Anónimo

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