Curtas do Metro - Solidariedade


Solidariedade


Ainda há gente boa.
O trabalho traz-me alguns dias mais comuns e, na generalidade, traz-me dias muito intensos. Todos os dias lido com diversas áreas de atuação, todos os dias lido com dezenas de pessoas e todos os dias uso diversas ferramentas de trabalho. Por vezes, não tão raro quanto gostaria, saio mesmo muito cansado do trabalho. E é por isso que esta história existe.

Arrastei-me até ao Metro. Era tarde e ainda tinha pela frente duas horas e meia de viagem. Sentei-me e quase de frente para mim, uma senhora de avançada idade seguia olhando o vazio. Baixei a cabeça e segurei-a entre as mãos. Antes de chegar ao comboio, onde queria dormir um pouco, decidi não ver luz, passar pelas brasas momentâneas do Metro. Alguns instantes depois, um segurança toca-me no ombro e quando levanto a cabeça, ele diz-me, Está-se a sentir bem? Estou sim, obrigado. Só um pouco cansado. A senhora não se conteve, Olhe que não, olhe que não, este senhor ia mesmo a sentir-se mal... se não ia, parecia...

Apercebi-me, depois, pela conversa do segurança, que a velhinha se levantara do seu lugar e fora cambaleando carruagem a fora até encontrar um segurança para me ajudar. Até queria que eu chamasse uma ambulância, veja lá! E eu perguntei, Mas estou assim tão mal encarado? Não! Há pessoas que gostam de ser solidárias...

Não disse mais nada. Antes de sair, agarrei as mãos da senhora e beijei-lhas. Muito Obrigado, disse. E depois fiquei a pensar naquela frase, Há pessoas que gostam de ser solidárias... O mundo ainda não está perdido. Pelo menos entre a Baixa/Chiado e Santa Apolónia!

Como é que diz que disse?





"Este país está impossível.
Um dia destes auto-suicido-me"









Ouvido na Rua

"Com Amor," - Documento 68


E AGORA, MIGA?
Duas vezes é mais do que uma?!E já é suficiente para ser oficial? Estou a stressar!
Não me apercebi de que ia acontecer de novo. Por um lado não queria que acontecesse, por outro, não fiz nada para o evitar porque não quis. Precisava de ir segunda vez ao pote! Mas não trouxe de lá certezas a não ser que... foi muiiito booom!!!
Já viste os meus a dizer, A minha mãe é gay?!...
Pensei que a conversa tinha sido conclusiva. Concordámos que tinha sido uma coisa esporádica e seríamos as mesmas amigas de sempre. Mas as amigas não fazem umas com as outras as coisas que fizemos ontem, pois não?!
Beijo.E, acima de tudo, gosto muito de ti!
Laura.

"Com Amor," - Documento 67


Oi miúda,
Eu percebo a tua preocupação com os filhos, mas eles estão uns homens, hão-de compreender que o amor e a atracção entre duas pessoas se podem manifestar de muitas formas diferentes. Ou é censurável porque passou a ser entre duas pessoas do mesmo género?... Pensa assim, quando ainda estavas com o Alberto e tinhas uma segunda vida com o Rui, vivias uma situação mais censurável e, no entanto, viveste-la em nome do Amor. E acho que fizeste muito bem. Era o teu caminho e a tua aprendizagem. Mas, se isto for alguma coisa, amor, por exemplo, porque razão há-de ser mais censurável?
Café na "Tendinha" logo à noite?Não posso antes das 21h.
Bj.Madalena.

Como é que diz que disse?




"Adorei o preto!"




Rapariga do Riso Fácil

Como é que diz que disse?







"Faça-me um que eu pago!"









Rapariga do Riso Fácil

Benfica - Sporting : Inadmissível

Ontem disputou-se mais um derby, Benfica - Sporting.
O jogo foi muito bom. O resultado foi o que foi. Poderia ter sido outro. Poderia ter havido mais golos. Mas foi assim que acabou e acabou muito bem. Tudo o que se passou dentro do campo foi futebol e foi muito interessante. Jogadores e treinadores de ambas as equipas estão de parabéns.

No fim do jogo, alguns seres menos humanos, resolveram estragar a festa e dar razão àqueles que entendem que as claques organizadas devem ser abolidas ou, em opção, tratadas como se de animais selvagens se se tratasse. E trata! O que aconteceu ontem foi aquilo a que eu chamo A Insustentável Estupidez do Ser. Uma claque organizada do Sporting queimou cadeiras e provocou um incêndio no estádio da Luz. É importante que se siga o exemplo inglês, que se acabe de uma vez por todas com todas as claques organizadas, que se identifiquem as pessoas, que sejam multadas, presas, impedidas de entrar de novo nos estádios. É o mínimo.

Todos sabem que sou do Benfica, mas no que respeita a claques organizadas não há inocentes. Ontem foi a estupidez e a selvajaria da claque do Sporting que reagiu sabem a quê? A umas redes que lhes colocaram à volta para impedir que arremessassem objetos para as pessoas nas bancadas abaixo deles. E alguém duvida, depois do que aconteceu ontem, que tais redes eram necessárias? Claro que iam arremessar objetos. Isqueiros, bolas de golfe, pedras, telemóveis e... as próprias cadeiras que selvaticamente arrancam a arremessam. ... tudo o que tivessem à mão. E sabem como nasceu a ideia? A partir da última visita da claque do Porto à Luz em que as pessoas tiveram de fugir para não serem feridas. E acham que, quando as claques organizadas do Benfica vão ao Dragão ou a Alvalade não há nada disto? Claro que sim! O fenómeno é transversal! E este país, cujos estádios e forças de segurança são pagos pelos nossos impostos tolera tudo. Mas não pode continuar-se a tolerar mais. Fim, imediato, às claques organizadas de futebol. Sim ao futebol, ao espetáculo para as famílias, para os pais levarem os miúdos à festa. E, já agora, senhores dirigentes do futebol, para vós duas notas. 1) Ouvi dizer que o bilhete mais barato para ir à bola é de 22€. É um roubo e uma palhaçada. O futebol não é um desporto de massas e popular? Pois popularizem-se os bilhetes baixando o seu preço. 2) Quando abrirem a boca sejam inteligentes e educados e não inflamem nem acicatem os ânimos. A responsabilidade do que aconteceu ontem é, a meu ver, e em grande parte, do comportamento deplorável de dirigentes que se insultaram, que abdicaram da sua condição de dirigentes e se comportaram como gentalha da pior espécie.

Eu gosto de futebol. Já não vou aos estádios há muito tempo. E, qualquer dia, nem pela televisão!
Basta!

20 Anos sem Freddie Mercury

Até parece que foi ontem, mas ontem foi o dia em que fez 2o anos que Freddie Mercury faleceu. Um ícone e uma inspiração para a minha geração, Freddie Mercury foi um exemplo de talento, criatividade, originalidade e pujança. Vinte anos depois, é como se sempre aqui tivesse estado. E esteve. Em música.

A sua última aparição pública oficial foi em 8 de outubro de 1988 com Monserrat Caballé na abertura dos Jogos Olímpicos de Barcelona.

A música que escolho para assinalar a data é uma das minhas preferidas e, parecendo fugir ao estilo de Mercury por ser mais tranquila, tem a marca da sua força, o timbre inconfundível da sua voz.

Freddie Mercury nasceu em Zanzibar, em 1946 e viria a falecer em 24 de novembro de 1991 depois de ter arrebatado o mundo com o seu talento.

Obrigado Freddie.


ANÚNCIO - ROUBO DE VEÍCULO

Caros Leitores,

No passado dia 16 de novembro, uma colega de trabalho e leitora deste cantinho foi vítima de um assalto em CARJACKING tendo sido furtada a viatura que consta da foto e cujos dados estão abaixo.

Caso alguém veja a viatura, por favor, contatar Manuela Antunes para o número 917913928 ou remeta e-mail urgente mailsparaaminhairma@gmail.com

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Dados da Viatura:

Audi A3, TDI 2.0, 3 portas, preto

Matrícula: 37-23-XL

"Com Amor," - Documento 66


Eh pá, tu lembras-te de MUITA coisa!!!
Ok. Quando disse preocupada e envergonhada, não era por mim, nem por ti, nem pelo que fizemos. Sei lá, acho que pensei nos meus filhos. Imagina que isto queria dizer alguma coisa, e sinceramente acho que não quer, foi uma bebedeira e um desabafo emocional, sei lá... mas se quisesse, já viste o que os meus filhos iam pensar da mãe?...
Quanto ao resto, concordo ctgo, textura da pele incluída. Acho que foi divertido. E, a sério, precisamos conversar.
Bjs.
Laura.

"Com Amor," - Documento 65


Oi Laura,
É giro que tenhas colocado "Rescaldo" no assunto. Rescaldo é o que fica depois de um fogo quente. Acho que foi isso o que aconteceu. Um fogo quente que não tinha por onde arder e de repente encontrou.
Fizeste bem em escrever. Se não o fizesses eu fá-lo-ia, por certo. Eu não sou muito de explicar e dissecar as coisas. Limito-me a vivê-las. Como tu pareces ter essa necessidade, cá vai a minha interpretação. Não estou zangada. Seria parva se estivesse. Espero que acredites que eu não planeei nada disto. Foste tu que me convidaste para os choquinhos fritos e quanto ao resto, fiquei tão surpreendida como tu. Mas não preocupada e muito menos envergonhada. Acho que somos adultas e responsáveis e isto terá o significado que quisermos dar-lhe. Todo ou nenhum. Num caso e noutro, a decisão é nossa, só nossa. E a nós cabe assumi-la ou resguardá-la se for caso disso.
Eu lembro-me dos choquinhos fritos e das garrafinhas de rosé, também me lembro das caipirinhas e lembro-me de uma noite divertida que acabou em minha casa a falarmos alto dos homens que são uns trastes, a beberricar vinho do Porto e a fumar uns cigarros. Lembro-me de me teres perguntado sobre aquela história das mulheres terem a pele mais suave e lembro-me de termos feito amor com quanto carinho conseguimos. Acho que começámos a tentar ensinar uma à outra como é que os homens deviam beijar e onde e como deviam pôr as mãos, etc...
Também me lembro de teres saído com um sorriso nos lábios. Não parecias nada preocupada nem envergonhada.
Aliás, até estavas muito bem-humorada. Antes de saíres, quando te despedias, disseste algo como, Deixa lá, ao menos não corremos o risco de engravidar!
Laura, isto, ou não foi nada, ou foi alguma coisa. Nós é que decidimos. Precisamos conversar sobre isso. Mais nada.
Beijo
Madalena.

"Com Amor," - Documento 64


Oi...
Pensei muito se havia de escrever-te ou dar um tempo. Somos amigas há tanto tempo que resolvi não deixar "azedar".
Fui eu que sonhei, ou o senhor Mário da "Toca"colocou alucinogénios nos choquinhos fritos?
A sério, não sei como chegámos a tanto, mas lembro-me de me sentir muito feliz e depois e depois preocupada e depois envergonhada.
Está tudo bem ctgo?
Estás zangada?
Diz coisas.
Laura.
PS: pensei ligar-te, mas pareceu-me que a escrita mantinha uma certa "distância"...

Humanizando as Tecnologias...

com um sorriso...

"Com Amor," - Documento 63


Laurita,
Choquinhos na "Toca"? Aprovado! Passas por aqui? Passo por aí?
Os homens são uns trastes. Devias ter feito como eu. Nunca me casei porque nunca confiei na espécie. Estás tu a ver aquela minha amostra de namorado... com mais de quarenta anos e ainda não tem a certeza de querer assumir um compromisso. Então vai assumi-lo quando? Em vésperas do seu próprio funeral? Vive lá no cabo do mundo, visita-me de três em três meses, declara-se apaixonado, fazemos amor - nisso ele é bom - e vai-se de novo. E eu aqui, à espera.
Um dia destes viro-me para as gajas! Dizem que a pele é mais suave. Li numa revista na sala de espera do dentista!!!
Na "Toca"!
Bjs.Madalena.

"Com Amor," - Documento 62


Miga,
Vamos jantar juntas esta semana?
Temos umas conversinhas para pôr em dia!
Eu estou como o nosso Sporting, quando não há vitórias para comemorar, comemoram-se as derrotas dos lampiões.
Pois, já não deves lembrar-te, mas faz dois anos que me divorciei do Alberto.
Ele está bem, pelo que me vão dizendo os miúdos. Tem uma namorada. Amiga, diz ele. Faz-lhe bem. Sabes, nunca lhe quis mal.
O outro lá continua entregue ao trabalho e ao casamento moribundo. Está moribundo desde que o conheço e nunca mais morre! Esquece. Isso não é importante. Está-me a apetecer vadiar e tu és a companhia ideal... hihihi...
Falas pouco, ouves muito... Gosto desta liberdade de estar entregue só a mim, à minha vontade e ao meu critério. Isto é viciante. Os homens servem para muito pouco. Só para aquela coisinha... De resto, a malta safa-se bem sem eles.
Que me dizes a uns choquinhos fritos na "Toca"? Que se lixe a linha!
Bj.Laura.

"Com Amor," - Documento 61


Caro Senhor,
Permita-me registar a forma digna e honesta como abordou um assunto tão delicado. Não obstante eu considerar que a maneira como chegou à informação não se inscreve em tal dignidade nem, sobretudo, em tal honestidade, devo referir, por justiça, que, uma vez de posse da informação, comportou-se com uma estatura moral que invejo.
Não presuma conhecer tudo, muito menos as motivações, mas no essencial tem razão. As famílias estão primeiro.
O seu pedido será atendido. Prontamente. E estas mensagens cuja destruição aconselho serão mantidas no mais estrito sigilo.
Cumprimentos,
Rui Daniel.

"Com Amor," - Documento 60


Caro Senhor,
Chamo-me Alberto Honorato e conheço-o vagamente do ambiente profissional onde já nos cruzámos algumas, poucas, vezes.
Tomo a liberdade de contactá-lo por haver entre nós um conflito de interesses. Não é um assunto de índole profissional mas sim pessoal e até familiar. Irei directo ao assunto pois não me parecem proveitosos quaisquer rodeios nesta matéria. Eu sou marido, como sabe, de Laura Duarte com quem o senhor mantém uma relação afectuosa há mais de dois anos. Por favor, nem se dê ao trabalho de contestar isto. O problema precisa ser resolvido e ignorá-lo não ajudará. A Laura tem, como eu tenho, um computador portátil. O meu precisou ser arranjado pelo que um dia destes pedi à Laura para consultar o meu e-mail no computador dela ao que ela acedeu, naturalmente. Acontece que a Laura deve ter fechado a janela do Gmail sem encerrar a sessão e quando eu abri a janela, a caixa de correio da minha mulher ficou na minha frente. Normalmente, eu fecharia a sessão dela e abriria a minha. Não sou, nunca fui, uma pessoa invasiva. Contudo, não pude deixar de reparar, nem de estranhar, que todas as mensagens na caixa de correio da minha mulher tivessem um único remetente: Rui Daniel Sousa. Depois de quase três horas de leitura furtiva, pela qual não posso deixar de sentir-me culpado, fiquei a saber que mantém há pouco mais de dois anos uma relação intensa e íntima com a minha mulher.
Senhor Rui,
O meu papel não é censurá-lo. Todos teremos as nossas responsabilidades no curso dos acontecimentos e eu próprio não me arrojo a hipocrisia do direito a proclamar-me um homem sem falhas. Mas é precisamente essa perspectiva, a individual e individualista, que, penso, urge evitar. Não pensemos em mim, em si, na minha mulher ou na sua. Pensemos no que representamos juntos: família. E pensemos que vale sempre a pena lutar pelas nossas famílias.
Peço-lhe que não revele este e-mail a ninguém. Além de desnecessário, obrigar-me-ia a revelar que li as mensagens a partir do e-mail dela e isso, como calcula, não ajudaria. Peço-lhe que se afaste reconhecendo-me o direito a lutar pela união da minha família. Só isso!
Espero seja possível. O resto, são aspectos acessórios e circunstanciais que não interessa debater.
Cumprimentos,
Alberto Honorato.

"Com Amor," - Documento 59


Digo-lhe que sim!
Pode almoçar comigo na próxima quinta-feira? Íamos ali à "Churrasqueira do Januário", o frango é bom e tem uma sala lá em cima que é confortável e menos concorrida.
Podíamos conversar.
Laura.

"Com Amor," - Documento 58


Olá Laura,
Este mail não é uma resposta... Pretende somente ser um bálsamo para a alma e um tranquilizante para o coração. Não farei juízos de valor. Não sou ninguém para os fazer. Apenas tentarei dar-lhe a minha visão da situação. Se puder ajudar, tanto melhor. Não seria capaz de ficar indiferente. Afinal de contas, vivemos situações muito semelhantes na sua essência ainda que com contornos forçosamente diferentes.
Acho curiosa a forma como se refere ao seu marido, com respeito e até amor, mas sem chama nem emoção. É curioso porque sou capaz de imaginar a minha mulher a acusar-me das mesmas falhas, das mesmas rotinas.
Eu encontrei na Verónica a mulher que dava sentido a uma outra existência do Rui Daniel. Acontece que para a despertar para mim, tive de a despertar para os homens, primeiro. Depois fui vítima da minha cobardia e do meu comodismo e o destino fez o resto. Por cobardia e comodismo, pensando sempre nos outros e nunca em mim, não me divorciei, não fui à procura de viver o sonho e a Verónica acabou por encontrar uma pessoa que a preenche. Trágico, no mínimo. O que posso dizer-lhe é que não há culpados nem inocentes. Não acredito que o seu marido não lhe queira bem ou à sua família, não acredito que a Laura não lhes queira bem, ou a minha mulher a nós, ou eu... o que acontece é que as pessoas crescem e mudam e, por vezes, mudam e crescem em direcções opostas e passam a querer coisas diferentes da vida. Nesse momento, ou se tem um grande sentido de família, ou não se vai conseguir preservá-la. Em todo o caso, terão de fazer-se cedências, seja qual for a opção.
Não se sinta mal consigo própria. Não há razão para isso. É normal as pessoas mudarem. Pense em tudo o que já deu e em tudo o que já lhe deram e pense em si. No que realmente quer.
Enfim, esta conversa, que começou por acaso, está a ficar interessante. Tão interessante que merecia uma conversa frente a frente com uma bebida pelo meio. Que me diz?
Rui.

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Uma Imagem...

Mil palavras:

Parabéns, Madalena!

Gosta de jogar à bola, gosta de carros e, em particular, do Faísca McQueen, põe umas joelheiras ou umas luvas e um carapuço com a mesma velocidade com que os tira, anda de trotineta, corre, salta e brinca com o irmão e os primos com uma tendência terrível para ser ela a mandar nas brincadeiras. A vida corre-lhe nas veias e não tem tempo para dormir, quer sempre ficar mais um bocadinho, mas de manhã levanta-se cedo e preparada para sorver cada minuto. Até a voz transparece reguilice, mas, ao mesmo tempo, é meiguinha e fofinha como só ela sabe ser. É a afilhada mais linda do seu padrinho. Uma inspiração. Um sopro de vida. Parabéns, Madalena! 5 anos já é muito!!!

jpv

Motorcycle Chronicles - If You Don't Ride My Bike...

If You Don’t Ride My Bike…

Antes de mais, é preciso conhecer Nathan. Sejamos precisos. Concisos. Breves.

Nathaniel Day, nome de nascença, tem um corpo onde habitam dois sopros. O sopro do quotidiano e sopro da trepidação da sua moto. O primeiro dá-lhe energia para as coisas comuns. Acordar, trabalhar, pagar contas, conhecer algumas pessoas, cumprir obrigações, usar transportes públicos, andar de carro pela cidade, almoçar, jantar, limpar a casa, conhecer uma mulher... O segundo é bem mais simples. É o sopro da libertação, do desvario, é ele que lhe permite ser igual a si próprio e... imagine-se, amar, naquilo a que chamaremos amor verdadeiro ou, mantendo o verbo, verdadeiramente amar!

Nathan é contabilista. Vive entre dossiês e tabelas do Excel. Aplica leis comerciais, faz contas intrincadas de deve e haver e gere uma carteira de clientes a noventa dias... enfim, deveria ser a noventa dias. Usa um fato simples e uma gravata de que se liberta à sexta-feira. Uma bênção, essa ideia da casual friday. Recebe os clientes, mostra-lhes a situação financeira das suas empresas, dá conselhos de gestão, indica-lhes onde têm de investir e como e onde têm de cortar. É, pode dizer-se, um homem de papéis. Nathan é um homem organizado e meticuloso e, por isso mesmo, chegou a uma boa posição na empresa e veio a ganhar bem. Muito bem. Tem sido um solitário por opção. Tem relações pontuais e breves. A única que tem durado é com a Harley que comprou há uns anos e trata com o mesmo desvelo e carinho com que trataria uma namorada. E porquê? Fácil de perceber. É o seu instrumento de libertação. É o seu segredo. O seu escape, a sua verdade, a sua essência. Diríamos que a moto é o seu sofá da vida. É ela que o faz sentir confortável consigo e com o Universo. É o valer a pena de todas as opções e das dificuldades todas. É a fonte de todos os regozijos.

Assim que chega sexta-feira à tarde e Nathan entra em casa, descalça os sapatos, tira o fato, veste-se de gangas e cabedais, calça as botas, enverga a personalidade condizente, sai para rolar e vai viver. Regressará quando a vida quiser. Por vezes, passa todo o fim-de-semana fora. Dorme pela rua, nas montanhas, à beira de um rio, junto ao mar, numa pensão de beira de estrada, num hotel de auto-estrada, num bar, num jardim. Outras vezes volta a casa mas perde-se em voltas e passeios com os amigos durante os dias que correm em libertação. Este homem gosta de si. Conhece os parâmetros da sua vida e sente-se confortável neles. Não precisa de outros. Nunca reparou que era solitário. Até hoje!

No fim-de-semana rolou com os companheiros e notou que, à medida que o tempo vai passando, eles começam a trazer mulheres encavalitadas nas motos, agarradas a eles. São as suas companheiras. Era dos poucos que não tinha pendura. Está tão acostumado consigo mesmo, tem estes rituais e estes ritmos de vida tão interiorizados que ainda se não havia lembrado de uma mulher que fosse mais do que uma relação casual. Fosse uma companheira. Um porto de abrigo. Um compromisso.

Hoje lembrou-se disto tudo e a culpa foi de Crystal!

É uma moça franzina, que usa sempre uma saia azul escura, travada por baixo do joelho, meias grossas de lã e uma camisinha verde-água encimada por um lenço com motivos equestres. Tem os olhos largos e redondos, verdes de intensidade e húmidos de curiosidade. Fala num tom de voz tímido e cuidadoso como se o que dissesse pudesse sempre magoar alguém e ela tentasse perceber isso enquanto falava. Crystal, todos os dias traz os processos novos a Nathaniel Day, todos os dias lhe leva os ofícios para despachar em correio e todos os dias lhe resolve problemas de expediente. Hoje, não fez mais do que o costume, entrou e disse, Bom Dia Dr. Nathaniel, aqui tem os processos que deram entrada ontem, algo para fazer sair?

Ele olhou-a e quase simultaneamente imaginou a sua figura franzina enfiada em gangas e cabedais, com botas e encavalitada numa moto com os braços à volta do seu tronco.

- Quer jantar comigo hoje?

Depois do jantar, um passeio pelo parque com um gelado a adoçar o olhar dos lábios, depois um cinema e a mão na mão, e outro jantar, uma saída com amigos e o fogo do sexo a arder na cama incendiada pelo desejo. Um dia ela disse-lhe, com os olhos assustados pelo impacto que poderia causar a afirmação, Gosto de jogos de submissão…

Ele olhou-a entre o curioso e o surpreendido e respondeu com a naturalidade que conseguiu, Também eu…

E o desejo cresceu e a intimidade das coisas que mais ninguém sabia foi criando laços… Nathan, contudo, optou por uma estratégia arriscada em relação à Harley. Não lhe contar. Esperar por perceber se ela seria, de facto, especial, conhecê-la bem e só então permitir-lhe a entrada nesse universo paralelo de roupas alternativas de ventos velozes a cortar a face, de noites ao relento do prazer. Seria um prémio para ela, a revelação da liberdade.

E continuaram a encontrar-se. Por vezes, à noite liam juntos, viam televisão e de quando vez um deles passava a noite em casa do outro. Começaram a oferecer-se fotos, pulseirinhas, pequenos presentes relacionados com o trabalho. Um caderno, uma caneta, um corta-papel, um marcador de páginas. E a Harley na garagem à espera da consumação…

Crystal vivia encantada com a ideia do seu rapaz de fatinho bege clarinho, camisa branca e uma gravata simples em tom verde-água como a blusa dela. Um dia perguntou a Nathan se gostaria de conhecer os pais dela. Ele foi. Sentiu-se bem recebido e confortável durante todo esse dia e foi esse o sinal de que precisava: apresentar-lhe-ia a Harley e fariam um fim-de-semana perfeito junto ao mar. Dormiriam numa pensãozinha barata e acolhedora que ele conhecia mas passariam grande parte da noite embrulhados em sacos-cama junto ao mar com o fogo crepitando e desenhando sombras no areal noturno.

Combinaram encontrar-se sexta-feira ao final da tarde, depois do trabalho, em casa dele. Nathan saiu mais cedo e foi preparar a Harley com todas as coisas que foi juntando ao longo dessa semana. Pasta dos dentes, repelente, fósforos, uma lanterna, guardanapos, os sacos-cama, uma faca de mato e outros utensílios que sempre fazem jeito nestas ocasiões. Quando Crystal chegou, ele abriu-lhe a porta, beijou-a longamente e disse-lhe, Tenho uma surpresa para ti. Vais conhecer hoje o verdadeiro Nathaniel Day. Não o conheço já? Respondeu ela. Sim conheces, mas falta-te esta última faceta, a última fronteira entre o contabilista e a essência do homem. Levou-a para a garagem, na cave, por uma escada interior, e quando chegaram ao pé da Harley, Nathan disse-lhe com carinho e, ao mesmo tempo, entusiasmo: Não te vou contar quem sou, vais vivê-lo comigo, vou libertar-te de tudo o que possa tolher-te o espírito e o corpo, não há nada mais fantástico do que rolar numa Harley, com o vento no cabelo, a imaginação na mente e a vida toda pela frente. Crystal ficou surpreendida, quase chocada, já estranhara as vestimentas dele quando chegou, pensou num qualquer jogo, mas não imaginara uma faceta tão diferente, não estava a conseguir processar a informação, Nathan quereria que ela fosse com ele naquilo? E aquela coisa podia com os dois? E, no meio deste turbilhão de dúvidas, articulou:

- Nathan, nós não vamos nessa coisa, pois não?

Os céus presentearam o Universo com uma noite clara, o fogo arde alto, aqui ao pé, um grupo de homens e mulheres faz um círculo imperfeito à roda da fogueira, mais ao longe, há vozes entusiasmadas de homens pelas dunas procurando madeira para alimentar o calor, as sombras bailam no areal que o mar castiga continuamente com estrondo e poder, alguns levam garrafas de cerveja à boca, há casais enroscados dentro dos seus sacos-cama, outros enrolam um cigarro demorado e paciente e depois inspiram a primeira passa como se fosse a última das suas vidas, há conversas sobre nada e sobre tudo, sobre as motos, os acessórios, os episódios de viagem, um livro que se leu, um filme que se viu. Entre eles, desenhando um círculo infinito na areia com um pequeno pau que ali estava, Nathan olha o chão, sozinho, e pensa, If you don’t ride my bike…

O Clã do Comboio - Une Valse a Deux Temps

Une Valse a Deux Temps

A Senhora da Revista de Culinária Fez anos. Naturalmente, o Clã não podia ignorar a data. Um de nós estava de parabéns. Tratava-se dessa figura simpática cujo olhar oscila entre a ternura e a malandrice e que faz já parte do nosso imaginário e do nosso conceito de amizade. Acresce, ainda, que a Senhora da Revista de Culinária transporta consigo uma pausa, uma tranquilidade e uma humanidade indisfarçáveis.

Umas sms, o traçar de um plano básico e pela manhã, quando entrámos no interregional das 7:18 havia bolo, velas e uma garrafa de Favaios. Enquanto não chegávamos a Santarém, que é onde ela entra, entretivemo-nos a espetar as velas e uns bonequinhos de enfeitar no bolo. Nem é preciso referir que dois dos bonequinhos teimavam tombar um para cima do outro. Entretanto o Escritor e o Rapaz do Fato Cinzento foram provocando a Rapariga com Brinco de Pérola que lá se foi defendendo das tentativas sucessivas para a fazer corar. Ela, como é generosa, distribuiu caneladas avulsas.

Quando chegámos a Santarém, nem esperámos que a Senhora da Revista de Culinária se sentasse. Fomos logo cantando os parabéns. Ela apagou a vela e recebeu um presente. Nada mais, nada menos do que... uma revista de culinária que exibiu com orgulho. Fizeram-se fotografias diversas, onde quase todos ficámos mal, exceto o VM na sua esbelta figura. Por falar em VM, ele foi o responsável pelo facto da festa de anos da Senhora da Revista de Culinária ter sido a dois tempos. O Escritor enviou-lhe uma sms aí a meio da manhã, eram 6:30, a pedir que levasse copos porque bolo e Favaios já havia. Vai o tipo não só não trouxe os copos como ainda se queixou da hora a que recebeu a sms... Como o Favaios podia estragar-se, estes vinhos finos são muto sensíveis, ficou logo agendada para o dia seguinte a parte dois da festa de anos. E assim foi. No segundo dia, o generoso VM lá trouxe os copos, a aniversariante trouxe uns biscoitinhos de ovo e o Clã foi-se divertindo e beberricando moscatel Favaios às... pois, pois, às 7:45 da manhã! Mas é que nem o corte nos subsídios nos abala a boa disposição. No primeiro dia de anos da Senhora da Revista de Culinária, a Rapariga do Riso Fácil, que está de férias, telefonou e falou com alguns de nós e claro com a aniversariante. Mas foi o Escritor quem recebeu as melhores prendas. No primeiro dia, a Senhora da Revista de Culinária, sempre muito querida, sentou-se no colo dele e no segundo deu-lhe um abracinho que parecia não ter fim. É claro que os outros disfarçaram mal a inveja, mas o que é que se há-de fazer, quem tem charme, tem charme...

Contaram-se anedotas diversas e dirimiram-se questões de língua inglesa que são irrepetíveis dado o seu teor muito naughty. Neste particular, o Rapaz do Fato Cinzento esteve muito ativo e conseguiu explicar a correta pronuncia de "can't" que deve soar a "quénte" e não a "cante". Não cheguei a perceber porquê, mas ele sabe tudo. Parece que gosta muito de línguas... coisas. Assim, de repente, entre os dois tempos desta valsa que foi o seu aniversário, a Senhora da Revista de Culinária teve a alegria e a companhia do Escritor, da Senhora da Provecta Idade, do Rapaz do Fato Cinzento, do VM, do JJ, do RB que está quase a acabar um livro que começou a ler há uns dez anos, da Rapariga com Brinco de Pérola e de uma personagem que já há muito tempo nos acompanha mas ainda não foi aqui referida por se tratar de alguém discreto: o careca!

O Clã começa a evidenciar uma característica interessante que é alguma constância que emerge da inconstância que resulta da diversidade da vida dos seus elementos. E essa constância anda provocando, cada vez mais, gestos de companheirismo. Desta vez, o único motivo que nos moveu foi fazer com que a Senhora da Revista de Culinária se sentisse bem e sentisse que o seu dia era especial também para nós. E a razão não é outra senão reconhecermos nela uma simpática companheira de ir para o trabalho todos os dias. O motivo pode parecer pequeno, mas para nós é o suficiente e o mais importante de todos. E, como alguém disse, "Parabéns, escorpioa meiguinha!"... Eu sei, VM, podia ser escorpiona, mas depois lá vinha outra vez a história das rimas e este Blogue pode não parecer, mas é um local decente!

Momento Musical... Perfeito

A prova de que Portugueses e Espanhóis juntos também fazem coisas bonitas... sublimes!

Se esta música não te fizer sentir nada... então, estás morto!

Rodrigo Leão/Daniel Melingo

Comentários Felizes

Como os leitores deste cantinho sabem, aqui não se fazem muitos comentários aos textos. Contudo, recebem-se imensos e-mails e as estatísticas mostram que cada vez somos mais visitados e lidos. Quando um texto tem três ou quatro comentários já é um facto assinalável.

O texto de que vos venho falar chama-se "Um Ano a Contar Histórias do Clã do Comboio" e a razão por que vos venho falar dele não é somente porque teve 4 comentários, mas antes de mais, pela sensibilidade e pela simpatia dos mesmos. Acho que são comentários felizes e por isso recomendo a sua leitura.

Podem aceder-se mais rapidamente clicando no título do texto ou aqui.

Bem hajam.
jpv


The Guy’s Name

The Guy’s Name

Right now I’m in the UK, more precisely in Nottingham. I came for a conference related to my work. When I arrived I didn’t know anyone so I couldn’t prepare myself for anything. They end up being very nice people that made a very touching approach.

Anyway, when I arrived, I prepared myself for a much more formal ambience. I was thinking of that when the taxi driver, entering the campus I went to, said:

- What’s your name?

- Videira.

- What?

- Videira.

He turned himself to some kind of microphone to reach the reception staff and shouted out loud:

- The guy’s name is Videda.

Ok. Suddenly I was the Guy! Quite a welcome reception!
So much for formality which is very nice for me, for as you all know, or are learning, I’m really not formal!

(Text in English, my poor English, in order my colleagues can understand this little episode)

25 Anos

25 anos

Os dias eram maiores. As coisas e os espaços também. E havia luz. E havia esperança. E tudo isto tinha uma pujança... criadora. Eu, sei, não te procurei. Tu, tenho a certeza, não me procuraste. Esbarrámos como disse o Tojal acerca da Patrícia e do miúdo que passeava com o avô e o bornal. Esbarrámos. Encontrámos as mãos nas mãos, os lábios nos lábios, o olhar no olhar e, mesmo antes de acordarmos do encanto, já tínhamos a vida na vida. E essa vida, essa entrega, esse dar e esse receber sempre renovados, sempre incertos que venho celebrar.
É preciso celebrar o amor.
É preciso celebrar a vida.

Sabes, não são todos os amores que resistem a 25 anos de desgaste. Sim, sejamos sinceros e honestos, a vida e a partilha desgastam os corpos e almas dos envolvidos, mas é precisamente por isso que se chamam vida e partilha. E o mais engraçado é que os 25 anos hoje celebrados, hoje, esta data interessante e esquisita - 11/11/11 - não são uma vida. São uma parte dela. Significativa. Intensa. Plena de alegrias e sorrisos e também com tristezas e lágrimas. Mas só uma parte da vida. Esta parte onde cabe o fazer de um filho, criá-lo e amá-lo para sempre... Sempre! É curioso que eu acho esta palavra - SEMPRE - uma mentira. Nada é para sempre, nem a própria ideia de sempre. Com uma exceção: o AMOR. E, sejamos claros, o amor que nos temos, assuma as formas que assumir, é para sempre, tantas e tão diversas e tão ricas foram e são as vivências. Mas há o amor por ele que, para além da sua intrínseca eternidade, será sempre nosso!

E é por isso que hoje te celebro, me celebro, celebro o nosso filho e, sobretudo, o amor que o trouxe ao mundo e por cá continua. Há 25 anos éramos só dois miúdos apaixonados. Hoje, desejo com todas as forças que possamos ser, sempre e só, isso.

jpv

O Clã do Comboio - 1º Jantar do Clã do Comboio

1º Jantar do Clã do Comboio

O fantástico Clã do Comboio continua as suas aventuras. Desta vez, organizou o seu primeiro jantar. Foi na Feira da Gastronomia de Santarém. Como o Escritor não pôde ir, encomendou o texto à Rapariga com Brinco de Pérola. Acontece que ela é portuguesa, mas francófona donde disse que fazia o texto mas depois tinha de ser traduzido. Ora eu acho que as coisas são como são e têm mais interesse se forem genuínas e é por isso mesmo que o interessante relato do 1º Jantar do Clã do Comboio é publicado em francês! Mai nada. E divirtam-se!

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GASTRONOMIE A LA CLAN DU TRAIN

Il était près de 21 heures lorsque la Dame au Magazine Culinaire et la Jeune Fille à la Perle ont rejoint leurs camarades et habituels compagnons de voyage à la Foire de la Gastronomie à Santarém, au Stand des Açores!

Il y avait là la Jeune Fille au Rire Facile, le Garçon au Costume Gris, VM et son épouse, PL et son époux, une amie de la JFRF, ainsi que RB et son épouse, accompagnés pour l'occasion par le petit Iago.

Commençons par parler de ce dernier qui, non seulement a fait preuve d'un comportement exemplaire pour son très jeune âge, mais qui nous a également enchantés de ses sourires, de sa bonne humeur et de sa capacité à s'endormir paisiblement au son de l'accordéon et des rires des convives!

Quant à nos amis et compagnons de voyage, ils étaient arrivés près de deux heures plus tôt et avaient déjà écumé les stands chargés des spécialités de nos belles régions. Le vin était sur la table, dans les verres ... et même dans la tête de certains ... comprenne qui pourra!

Pour passer, et en finir immédiatement, au menu, disons donc que nous avons dégusté des spécialités des Açores, allant de la "Lapa grelhada" au "Bife de Alcatra", en passant par le "Bife de Atum", "Bolo de coco", "Queijo da Ilha", "Pathé de pimentao", mais aussi et surtout du vin de "Terra de Lava" rouge et blanc, ce dernier ayant suffisamment embrumé nos esprits et égaillé nos humeurs pour nous permettre de passer la meilleure des soirées.

Cette joie renforcée par l'ambiance bon enfant et le son de l'accordéon, a fait danser tout le monde ! La DMC a dansé à peu près avec tous les convives y compris la JFP, et VM s'est emparé du bras ... du Garçon au Costume Gris pour quelques pas de danse! En cas de contestation de cette dernière information, il est signalé aux intéressés, que des photos existent!!

A um moment par nous tous apprécié, l'époux de PL s'est emparé de l'accordéon prêté par un des musiciens et a entonné une musique divine dont nous nous sommes tous réjouis! Tous? - Pas tout à fait! Il y avait là, à la table d'à côté, des convives qui s'essayaient au Fado et furent interrompus par le son de l'accordéon de l'ami époux de PL. Presque un scandale! Il ne fut évité que grâce à la bonne humeur de tous les présents et ... à la quantité de vin déjà avalé qui avait quelque peu voilé les esprits.

Arriva ensuite la bientôt traditionnelle leçon de français dispensée par la JFP qui s'est expliquée sur quelques pratiques physiques pas bien ragoûtantes provenant de l'autre côté des Alpes!

Nous avons tant dansé et ri que même les serveurs passaient parmi nous le sourire aux lèvres, le pas de danse aux pieds, emportant les assiettes vides à destination de la cuisine.

Finalement repus, et pour aider à la digestion, nous nous sommes dirigés vers les stands de spécialités quelque peu alcoolisées pour déguster les traditionnels "Poncha", "Ginja de Obidos" et autres "Muscatel". Au détour d'un des stands nous avons même croisé des sucettes en chocolat à la forme phallique extrêmement évocatrice, que notre amie la DMC n'a pas manqué de prendre en photo.

Epuisés, l'estomac bien rempli et le cerveau délicieusement confus, nous nous en sommes retournés chez nous! Voilà une bonne nouvelle aventure du Clan du Train qui s'acheva!

Une note de déception toutefois vient apporter le seul bémol de la soirée : l'absence de notre ami l'Ecrivain qui ne put se joindre è nous! Nous avons regretté sa bonne humeur et sa compagnie joyeuse! Mais peut-être aurons nous d'autres occasions de nous retrouver tous autour d'une table à nouveau et de rire ensemble. Après tout, le rire est ce qui nous maintient jeunes et en forme!

RCBP

"Com Amor," - Documento 57


Rui,

Não esconderei. A minha opinião foi uma deixa, uma pequena provocação. Para mim era importante saber se quereria saber. Se quisesse, contar-lho-ia. Já havia decidido. A única pessoa que sabe o que estou prestes a contar-lhe é a minha irmã. Tenho sentido esta vontade esquisita e pouco habitual em mim de conversar estes assuntos com alguém completamente alheio aos meus problemas. Sei que não deveria fazê-lo. Há algo nisto que quebra as barreiras da lealdade, mas rebentaria se não desabafasse. Peço-lhe que me desculpe pelo meu atrevimento, mas, de facto, a sua explicação para o fenecer de um matrimónio veio acordar em mim um assunto que eu andava a existir que não existia. Mas existe.
Como sabe, eu sou casada com o Alberto Honorato. Ele é sócio-gerente de um dos nossos fornecedores de serviços, mais propriamente, do software de gestão. Temos dois filhos crescidos. Um, na faculdade, em engenharia informática, e o outro a terminar o secundário. Quer ir para o mesmo curso do irmão. Eles pensam que está tudo bem entre os pais, mas não está e esse tem sido um erro nosso, deixá-los acreditar numa mentira. O meu marido já só me procura para sexo e, mesmo assim, sem muita convicção. Quase não conversamos e quando o fazemos, ou estamos a tratar de aspectos logísticos de gestão da família, ou estamos a discutir. Eu nem preciso acabar de o ouvir falar para discordar dele. Muitas vezes, ainda ele não começou a falar e eu já sinto uma revolta no peito e sei que vou rebatê-lo. Isto é perfeitamente recíproco. Ele faz o mesmo comigo. Já conversámos mil vezes sobre o assunto. Já mil vezes prometemos que iríamos mudar, mas voltamos sempre ao mesmo. Eu digo-lhe que o amo, ele diz-me que me ama. E acho que falamos verdade. E é aqui que entra a sua explicação. A ser verdade que nos amamos, pode acontecer que não saibamos amar-nos... O certo é que não há carinho nem ternura. Somente alguma tolerância. Sabe, quando penso em nós, vêm-me com frequência à cabeça alguns versos de uma canção espanhola que se chama "Palabras":
Que al igual que tu y que yoNi se importan ni se estorbanSe soportan amistosas.Mas no son una cancion...
Há mais de 20 anos casada, num casamento moribundo, de morte adiada por comodismo e depois um engano, um simples engano, traz-me ao conhecimento um texto pungente de dor, mas pleno de um amor intenso e forte. Meu Deus, quem me dera ser assim tão intensa e verdadeiramente amada, que alguém abdicasse de mim para me permitir ser feliz. Isto parece injusto, mas não é. São só saudades de mim. Saudades de ser a Laura que a Laura reconhece. Nestes últimos anos, Rui, tenho só sido mais uma Laura qualquer que nem eu reconheço.
Desculpe-me tudo isto. Se quiser, pode, pura e simplesmente, ignorar este desabafo. Se optar por dizer algo, seja benevolente com esta alma perdida.
Abraço.
Laura.

"Com Amor," - Documento 56


Meu Amor,
Recebi a tua carta em papel perfumado que fiquei beijando infinitamente. Agora mesmo, enquanto alinhavo estas palavras no teclado, tenho-a aqui comigo.
Até ao falecimento da minha esposa, vivi um matrimónio feliz, mas nunca, efectivamente, com a ilusão e a fantasia que há em ti, em nós.
Quero que sejas a minha princesa, quero ajudar-te nos momentos de dificuldade e dor e quero partilhar contigo os sucessos e as conquistas. Sim, acho que ainda temos muito tempo para conquistar coisas à vida.
Senti-te sempre tão feliz, tão natural e relaxada... É assim que quero a vida contigo, um fruir sereno da companhia e da vida.
O trabalho toma-me muito tempo, mas preciso roubar esse tempo às obrigações para estar contigo.
Enamorado, serodiamente enamorado e feliz
Eduardo Luís.
PS: Precisamos combinar como conhecerei os teus filhos. Se não te incomodar a ideia, gostava de conhecê-los.

Os Três Pastorinhos

Passam-se dias a fio que não vejo um pastor. Nem falar deles oiço. E há dias em que se me cruzam na mente os pastores todos. Hoje, mal acordei, esbarrei na ideia dos três pastorinhos!

Primeiro, o grande pastor da nação, que nos tem a todos grande estima não obstante sermos ovelhas tresmalhadas e pouco cuidadosas. É enternecedor ver o ar pedagógico e condescendente com que o senhor Presidente da República nos trata, assim ao jeito de Andais perdidos, mas eu vou mostrar-vos o caminho do bem. E fala e dá conselhos e lá diz o que é melhor para a Nação e os nacionalizados nela como que atirando dogmas ao vento.

Hoje veio falar de um segundo pastor e lembrou, pelo discurso, um terceiro.

Falou do pastor que vai ou ia para a serra apascentar seu rebanho e não tinha feriados, nem fins-de-semana nem pontes. E será que o senhor Presidente da República advogava essa realidade para Portugal? Pergunto, e peço desculpa pela ousadia da pergunta, porque, da última vez que vivemos essa realidade éramos um dos países mais pobres e menos desenvolvidos do Universo... E tínhamos um pastor. O terceiro pastorinho desta história. Nessa altura, também ele era um iluminado que guiava as reses perdidas nos terrenos escuros da ignorância pelos caminhos da castidade, da fome e da alegre subserviência. Acontece que até as ovelhas pensam e anseiam liberdade. E o grande pastor da nação foi à sua vida após quase meio século de manhãs e tardes e noites de bornal cheio de ilusões e enganos a apascentar um rebanho sem férias, nem fins-de-semana, nem feriados, nem pontes.

Ora, cada um dos três pastorinhos teve fortuna diferente. O ditador foi deposto. A liberdade, esse incómodo da mente, venceu. O pastor das serras continuou a apascentar, atividade respeitosa, de resto, mas, ao que parece, nunca foi pedreiro, nem canalizador, nem engenheiro, nem mulher a dias, nem médico, nem professor... filósofo, talvez, de filosofias perdidas. Mas de pouco lhe valeu. Quanto ao terceiro pastorinho, haja sempre esperança, parece que está bem. Tem honroso lugar na nação e honrosa pensão de aposentação e, ao que consta, está bem, faz discursos e invoca as virtudes de um pastor, lembrando a atitude do pastor, mas não as aplica a si. Nem as de um. Nem as de outro...

Confuso? Talvez não... Ora leia lá outra vez!

A mim, se me chamarem branco, está tudo bem!

- Djamal, o presumível homem sem cor, em ação. -

Ontem houve um jogo de futebol entre o Sporting de Braga e o Benfica.
Hoje, surgiu uma notícia em que um jogador do Braga, o que está na foto acima, se queixava de que um jogador do Benfica lhe tinha chamado preto.

Quem me conhece, sabe que sou um tipo sensível e longe, muito longe, de ser racista. Contudo, também não sou "racista ao contrário", ou, se quiserem, desnecessariamente "mariquinhas". Ou seja, um insulto é um insulto e deve ser evitado e, a existir, condenado, mas também não convém ser tão sensível que já não se possa dizer nada. Por outras palavras, se o jogador do Benfica chamou preto ao Djamal há duas coisas que eu penso. Uma é que é verdade. Outra é que o Djamal já é crescidinho e vive num país democrático onde pode defender-se, por exemplo, chamando branco ao Javi Garcia, seu presumível agressor com palavras.

A mim, por exemplo, se me chamarem branco, está tudo bem. Mais, se me chamarem cor-de-rosa, também está tudo bem. E se me chamarem cara pálida continua tudo bem. Porquê? Porque é verdade e porque já lá vai o tempo de se empolar esse tipo de linguagem. Felizmente, muito caminho se fez, muito se conquistou e muita mentalidade se mudou. Se o Djamal queria um caso de jogo, deveria ter-se queixado das sucessivas faltas de luz no estádio do seu clube porque cortaram o ritmo de jogo prejudicando o espetáculo e impedindo que os jogadores se vissem uns aos outros e à bola. Isso sim, é um facto importante na vida da sociedade portuguesa.

Resumindo, é importante respeitarmo-nos todos uns aos outros, mas também é importante todos sermos honestos e não inventarmos problemas onde os não há!

A Coisa Boa

Não há povo,
Não há gente,
Não há raça,
Capaz de reter entre as mãos
O tempo que passa.
Não há prisão,
Não há grilhões,
Não há tortura,
Capaz de amordaçar
A força de uma Cultura.

Enfunaram as velas
Na ambição da partida
E traçaram com elas
A rota cometida.
Iam negros,
Do Sol queimados,
Desenhando na amurada
Os temores superados.
E investiram.
E conquistaram.
E desenharam nos mapas
Os mares navegados.


E foram conquistados, também,
Por armas estranhas e diversas.
São coisas que acontecem a quem
Anda unindo as terras dispersas.

E sangraram.
E ganharam.
E perderam, e viveram... e morreram!

Já ricos e enfeitiçados,
Gordos, já, e ensanguentados,
Entregaram-se às terras e às gentes
E, de conquistadores,
Se fizeram conquistados permanentes.

Vencidos os dias, os bons e os maus,
Atracaram o cordame das naus
E desembarcaram em rituais de alegria e festa
Anunciando pelas sete partidas
Que não havia gente como esta.

Numa praça,
Em meio de um festim,
Entre os odores e a alegria que atordoa
Sobe a um palanquim
Um marinheiro de Lisboa,
E grita:
Já percebi!
Já vi o tesoiro!
Já sei qual é a coisa boa...

É a gente de Goa!
É a gente de Goa!

jpv
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Poema lido na cerimónia de lançamento do livro "Índia" de Amanda Sousa, em 5 de novembro de 2011, no auditório EquusPolis, na Golegã.

O Clã do Comboio - Um Ano a Contar Histórias do Clã do Comboio


Um Ano a Contar Histórias do Clã do Comboio

São 19:10h. Hoje é dia 2 de novembro de 2011. De manhã viajei no interregional das 7:18 e agora regresso no das 18:18. Até aqui, nada a assinalar. Contudo, embora não me tenha manifestado junto dos companheiros de viagem, o dia é muito especial para mim. Faz exatamente UM ANO que comecei as minhas viagens regulares de comboio.

Um ano de observação, de histórias, de personagens intrigantes e fantásticas. Um ano de amizades a crescer, um ano de viagens muito bem passadas, um ano. Até agora, redigi 92 histórias. É um acervo considerável. Tudo começou com histórias avulsas, de personagens dispersas e anónimas e foi evoluindo para um grupo de amigos que têm em comum andar todos os dias no mesmo comboio. Já fizemos o primeiro almoço do Clã do Comboio, esta semana será o primeiro jantar, na feira de gastronomia de Santarém, e já partilhámos aventuras diversas, centenas de histórias em muitas horas de conversa e boa disposição. Os seres humanos, quando querem, conseguem o milagre da partilha!

Quero agradecer aos companheiros de viagem por este último ano. Ainda me lembro como tudo parecia um sacrifício e como tudo se converteu em momentos interessantes e quase indispensáveis nas nossas vidas. Às vezes perguntam-me se não é um sacrifício desumano fazer tantas horas de transportes todos os dias e eu respondo com honestidade que pode ser cansativo, mas não é um sacrifício e a razão é simples. A amizade nunca é um sacrifício!

No último ano fiz cerca de 240 viagens de comboio, ou seja, quase 400 horas numa carruagem, gastei cerca de 2000€ em títulos de transporte, fui afetado por 4 ou 5 greves, conheci cerca de trinta pessoas que viajam comigo regularmente, Picas incluídos, e quase uma centena de personagens anónimas foram motivo para as minhas histórias. 92 histórias. Mais do que um acervo de escrita, o Clã tornou-se num inestimável acervo de vida e solidariedade. E mais, desenvolvi um enorme respeito por todos os trabalhadores que usam o comboio para se deslocarem para o trabalho.Um respeito feito, também, de comunhão e cumplicidade.

Para além dos anónimos, relataram-se aqui as aventuras ferroviárias do Escritor, do Aluno do Escritor, da Mulher Vampiro, dos Três Amigos que Querem Salvar o Mundo, a saber, o JJ, o RB e o VM, da Stôra, do Cunhado da Stôra, do Ceguinho, da Senhora da Provecta Idade, da Rapariga do Riso Fácil, da sua Prima e seu Mano, da PL, do Rapaz do Fato Cinzento, da Rapariga com Brinco de Pérola, da Senhora da Revista de Culinária, da Mamã das Duas Crianças, do Homem da Mala Térmica, do Músico, do Américo, da Rapariga da Voz Doce, do SuperPicas, do Picas Malandro, do Picas das Teorias e dessa fugaz mas inesquecível Rapariga das Palavras Claras... E ainda, dessas duas promessas de futuro, o Iago e o pequeno Iago. Uma plêiade de companheiros, de personagens a preencherem os dias, a ajudarem os minutos a passar, a colecionarem peripécias, frases, olhares, tudo o que faz da vida humana única e irrepetível.

Sempre fui um homem positivo, otimista e com capacidade de adaptação, mesmo às circunstâncias mais difíceis, mas a este Clã não foi difícil adaptar-me. Bastou ser igual a mim próprio, estar com eles, conversar, partilhar e é por isso que estou grato à vida por ter colocado no meu caminho as histórias e as fantásticas personagens que as compõem.

Um ano de Clã do Comboio.
Um ano de partilha voluntária.
Um ano de camaradagem genuína.
Um ano... e outro ano se inicia.

Atenção, senhores passageiros, vai dar entrada na linha número 5 o comboio interregional proveniente de Tomar com destino a Lisboa, Santa Apolónia...

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